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Arquivo: Edição de 07-11-2001

SECÇÃO: Gente da Nossa Terra


Hernâni Faria, um apaixonado pelas telecomunicações
Sempre a comunicar

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"Se todos os homens do mundo fossem radioamadores, o caminho da paz seria tão longo como o do universo".
Esta frase, da autoria de João Cunha, radioamador residente em Barcelos, parece ser o lema de Hernâni Faria, um bracarense que há perto de 40 anos veio morar para a Senhora da Hora, onde, além da actividade profissional, tinha como hobby este meio de comunicação, que junta pessoas de todo o mundo, independentemente da sua religião, raça ou opções políticas e que nasceu numa altura em que tinha um colega a quem dava uma "mãozinha" na área mecânica, de uma forma perfeitamente gratuita e fora do seu tempo de trabalho, normalmente à noite.
Foi na casa desta pessoa que encontrou um pequeno emissor da Banda do Cidadão (ou CB como é mais conhecido), despertando, desde logo, a paixão por aquele meio de comunicação que o levaria mais tarde a visitar as instalações da Rádio Renascença.
"Estamos a falar numa altura, antes do 25 de Abril, em que este tipo de comunicações eram proibidas e por isso só existiam 5 ou 6 emissores em Portugal. A CB era utilizada pela PIDE/DGS para fazer o seu "trabalho". Por isso, era necessário encontrar meios de escapar, os quais passavam por dar identidades e localização falsas para não sermos descobertos".
Após a "Revolução dos Cravos", Hernâni Faria, designado no meio como a estação "Edison" ou, mais recentemente, com o indicativo amador de CT1DSA, juntou-se a um grupo de pessoas que se preocupou com a legalização da Banda do Cidadão, sendo por isso um dos pioneiros e fazia parte mesmo da Comissão Instaladora.
Rádioamadorismo
Se a CB só foi implantada após o 25 de Abril de 1974, o mesmo não se pode dizer do rádioamadorismo, que deu os primeiros passos nos anos 20 e ainda hoje se manteve, tendo em conta mesmo alguma decadência do outro meio de comunicação.
"Quem se quer iniciar neste tipo de comunicações procura antes o radioamadorismo, pois tem um maior alcance. Temos outras possibilidades de comunicação a longa distância, comunicando com alguma facilidade para toda a Europa, o que não acontece com a CB", referiu Hernâni Faria.
Ao longo destes anos, o entrevistado do MATOSINHOS HOJE recorda os amigos que fez, não só na rádio, mas também através de apoio a outros colegas, nomeadamente na montagem de antenas ou de emissores.
No entanto e na CB, há outra que ficou na sua memória: "Um colega meu de trabalho pediu-me para colocar em contacto um pai e uma filha, o primeiro na África do Sul e outra em S. Mamede de Infesta. Não era fácil e bastante dipendioso fazer um telefonema. Por isso, enviou-se um telegrama, onde se marcava a frequência e hora do contacto. Apesar das condições não serem as melhores foi possível, de uma forma graciosa, a ambos dizerem aquilo que queriam."
Vida profissional
Natural de uma freguesia nos arredores da cidade de Braga, foi nesta cidade minhota que iniciou a sua actividade profissional como serralheiro mecânico e foi ali também que se casou, mudando para Matosinhos devido a problemas no trabalho. "A minha ideia não era ficar aqui no Porto, mas ir para Lisboa. Uma pessoa da minha família que morava em Matosinhos é que sugeriu que viesse para aqui morar com a promessa que sempre conseguiria arranjar alguma coisa".
É assim que surge o primeiro emprego, na freguesia de Lordelo do Ouro, seguindo depois por algumas empresas de Matosinhos, como é o caso da "Vulcano" (máquinas de conserva), até que, por sugestão de alguns amigos, resolve apresentar um requerimento para ir trabalhar para o Porto de Leixões.
Naquela altura, recorda Hernâni Faria, a instabilidade laboral era bastante grande e, por isso, trabalhar numa empresa não estatal tornava-se bastante complicado, pois "nunca sabíamos que íamos receber. Isso não acontecia, naquela altura, no Porto de Leixões, pois era tudo mais certo".
"Ao fim de seis meses fui chamado para realizar um exame profissional. Fui então admitido como serralheiro mecânico e aí me mantive durante seis anos. Depois disso fui para a empresa onde terminei a minha vida profissional, a Cepsa, na freguesia de Leça do Balio".
Nesta última empresa, Hernâni Faria trabalhou numa secção de montagem, à conta da qual percorreu, durante vários os anos, o país de lés a lés, dando apoio a diversas empresas, ao mesmo tempo que, na Senhora da Hora se mantinham a mulher e os cinco filhos, a que se vieram a juntar três netos.
Hernâni Ferreira Faria
Naturalidade: Ferreiros/Braga
Data de Nascimento: 29 de Dezembro de 1931
Maior Alegria: Casamento
Pior Recordação: Desemprego, ainda que temporário
Programa de televisão: Telejornais e informação sobre actividades rurais
Música: Fado e romântica
Leitura: Romance
Hobby: Radioamadorismo
Eduardo Coelho

Edição de 16-06-2010
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