|
X Jornadas de Hipertensão e Risco Cardiovascular Actualização de novas guidelines
Especialistas lançaram novas recomendações para evitar as doenças cardiovasculares As novas guidelines para o tratamento da hipertensão arterial (HTA) e a sua aplicação à prática clínica estiveram em destaque nas X Jornadas de Hipertensão e Risco Cardiovascular de Matosinhos que se realizaram no passado fim-de-semana num hotel da cidade do Porto. À semelhança de edições anteriores, estas jornadas pretenderam fazer a ligação entre os hipertensiologistas e os médicos de família, numa perspectiva de parceria de cuidados e de partilha na actualização permanente de conhecimentos nesta área da Medicina. Nesse sentido, a publicação recente da revisão das guidelines pela Sociedade Europeia de Hipertensão deu o mote a este encontro que pretendeu levar à prática clínica estas novas recomendações, sempre acompanhas da apresentação de casos clínicos que, no seu conjunto, abarcam as preocupações, as dúvidas e os problemas que se colocam, no dia-a-dia aos médicos de família. «O nosso objectivo é fazer a ligação entre os médicos especialistas em hipertensão e os médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar, no sentido de conseguirmos uma melhor abordagem e controlo do doente, aplicando e concretizando na prática clínica as últimas guidelines que resultaram de estudos importantes», disse José Alberto Silva, responsável pela Unidade de Hipertensão e Risco Cardiovascular do Hospital Pedro Hispano, especialista que neste momento preside à Sociedade Portuguesa de Hipertensão. A hipertensão arterial (HTA) quando não diagnosticada, tratada e controlada é um dos principais factores de risco para as doenças cardiovasculares, com destaque para o acidente vascular cerebral (AVC) que é a causa de morte mais importante em Portugal, ao contrário do que se verifica noutros países da Europa Ocidental. «A hipertensão arterial é uma doença muito prevalente no nosso País. Os estudos mostram que cerca de 42% dos portugueses são hipertensos e que apenas 11% dos hipertensos estão controlados, um valor muito baixo», sublinhou. Em Portugal, a elevada ingestão de sal é um factor que pode contribuir para a prevalência de hipertensão. «Enquanto continuarmos a consumir por dia o dobro (12 gramas) da quantidade recomendada (seis gramas), não será possível controlarmos a hipertensão dos portugueses”, alertou José Alberto Silva. Nesse sentido, o especialista chamou a atenção para a publicação de uma lei que prevê a diminuição de quantidade de sal no pão e que vai obrigar à etiquetagem com um «semáforo» dos alimentos relativamente ao conteúdo de sal. Esta lei, que resulta do trabalho conjunto da Unidade de Hipertensão e Risco Cardiovascular do HPH e da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa, já conseguiu resultados na indústria da panificação do Norte, produzindo um pão com baixo teor de sal, designado «Pão Vida». As jornadas foram uma iniciativa do Instituto de Investigação e Formação Cardiovascular e contaram com a colaboração científica da Unidade de Hipertensão e Risco Cardiovascular do Hospital Pedro Hispano, integrado na Unidade Local de Saúde de Matosinhos.
|