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Leixões - A tarde era leixonense, mas a expulsão de Jaime tudo mudou Esta doeu
Liga (18.ª Jornada)
Guimarães, 2 Leixões, 1
Jogo no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa)
Guimarães Nilson; Andrezinho, Sereno, Geromel e Luciano Amaral (Roberto, 28); Flávio Meireles, João Alves (Carlitos, 46) e Desmarets; Ghilas, Alan e Miljan (Marquinho, 60) TR: Manuel Cajuda
Leixões Beto; Filipe Oliveira, Nuno Diogo, Elvis e Nuno Amaro; Bruno China, Paulo Machado (Vieirinha, 89) e Hugo Morais; Jorge Gonçalves (Jaime, 73), Diogo Valente e Roberto TR: Carlos Brito
Ao intervalo: 0-1 Marcadores: Jorge Gonçalves (13), Marquinho (80) e Roberto (87) Disciplina: Cartão amarelo a Elvis (9), Filipe Oliveira (23), Roberto (48), Nuno Amaro (63), Desmarets, (67), Flávio Meireles (72), Sereno (78 e 83) e Hugo Morais (79); Disciplina a cartão vermelho a Jaime (77) e Sereno (83).
Aos 80 minutos do jogo, não deveria existir no Estádio Afonso Henriques nenhum leixonense que sonhasse com uma derrota do seu clube. Mas bastou uma decisão polémica de Duarte Gomes, ao expulsar Jaime, para abrir a brecha necessária para o Guimarães marcar dois golos e virar o resultado mesmo ao cair do pano. No mínimo, injusto…
Duro, muito duro…
É certo que a pressão do Vitória nos últimos minutos foi forte. É inegável que Cajuda voltou a colocar toda a carne no assador e lucrou. Mas não pôde uma equipa, depois de estar tanto tempo em vantagem, deixar acontecer a reviravolta. O elemento a menos ajuda a perceber, mas depois de sofrer o empate, pelo menos, o ponto deveria ter sido mantido. Na retina, fica a luta e a personalidade dos atletas matosinhense, num terreno adverso, diante uma equipa aguerrida e corajosa. O Vitória, não fazendo uma exibição fantástica, aproveitou a sorte que lhe caiu em mãos e mascarou o que podia ser uma brilhante vitória leixonense num resultado duro de encarar.
Reconhecimento mútuo
É comum dizer-se que nos minutos iniciais, as equipas estudam-se dentro de campo. Os jogadores analisam as posições e estratégia dos adversários. E tal aconteceu mesmo nos primeiros 10 minutos no “Afonso Henriques”, com o Vitória na “obrigação” de chegar mais à frente no terreno. Após uma manhã e um início de tarde chuvoso, a precipitação deu tréguas ao espectáculo e, minutos antes da partida, a chuva parou, deixando um relvado escorregadio e rápido. Carlos Brito dissipou a dúvida da semana dando a Nuno Amaro a titularidade, deixando Nuno Silva no banco em detrimento do regresso de Filipe Oliveira, continuando Nuno Diogo no centro da defesa. Cajuda concedeu a Ghilas a oportunidade de entrar no onze inicial, num tridente ofensivo juntamente com Alan e Desmarets.
Jorge Gonçalves despoletou
Seguia o Guimarães em ritmo brando, tentando marcar uma toada mais ofensiva, quando Diogo Valente rouba a bola a Andrezinho no seu meio campo. O extremo leixonense seguiu que nem uma flecha em direcção à alinha de fundo, cruzando rasteiro para a entrada de Jorge Gonçalves. De pé direito, o número 19 fez o terceiro golo no campeonato, colocando os cerca de mil adeptos matosinhenses em perfeito delírio. Só nas melhores cogitações, Carlos Brito poderia esperar tal começo, uma vantagem madrugadora com todo um encontro para gerir. Foi o despoletar de uma equipa, num rastilho brilhante, mostrando argumentos de sobra para discutir com os vimaranenses um jogo de dificuldade elevada.
Cajuda lança as armas
Era hora para a união leixonense. Esperar pela resposta contrária, com concentração, mas espreitando sempre as brechas na manta branca. Cajuda é que não foi de modas, sacou um dos pontas-de-lança que dispunha no banco – Roberto – e retirou o lateral esquerdo – Luciano. Lançava assim as armas que tinha, alargando a frente de ataque. Preparava-se o assalto dos locais, mexendo na sua forma de actuar, Desmarets recuou para o lado esquerdo da defesa, Ghilas e Alan serviam de flanqueadores. O Leixões não se intimidou, tendo, agora, Filipe Oliveira que ter atenções redobradas sobre o novo avançado contrário.
Personalidade aguenta pressão
Ao que faltou ao Vitória, sobrou ao Leixões.: personalidade e tranquilidade para abordar o resto do encontro. Por esta altura, Hugo Morais evidenciava-se na partida, segurando a bola com serenidade, fazendo dupla com Diogo Valente na hora de fazer jogar. Nuno Amaro conseguia suster a pressão de Alan, numa personalidade evidenciada por todos os elementos da equipa rubro-branca. Um remate de Roberto – o do Guimarães –, que obrigou a defesa segura de Beto, foi o único perigo real causado pela formação da casa. E foi a equipa do Leixões que teve a melhor oportunidade antes do intervalo, para aumentar a vantagem. Diogo Valente (que grande actuação!) apareceu isolado na área contrária, descaído para a esquerda, e rematou para defesa apertada de Nilson, que desviou a bola para canto. O Leixões acabava, assim, de forma personalizada, uma primeira metade bem conseguida, levando para os balneários uma vantagem importantíssima.
Reentrada tranquila
Pela frente, 45 minutos de grandes emoções, para os dois conjuntos. Na teoria, chegava o momento para o Leixões sofrer e o Vitória desesperar em busca do prejuízo. Sem contemplações, continuava Manuel Cajuda, dando à sua zona atacante mais um elemento. Carlitos entrou, na reabertura, para o lugar de João Alves, ficando o Vitória a actuar num 4x1x3x2 diante do 4x3x3 original de Carlos Brito. Mas para surpresa geral foi mesmo o Leixões que reiniciou por cima a partida. Só não deixou Guimarães entrar na sua zona defensiva, como jogou no campo contrário nos primeiros minutos. Nesse período, Paulo Machado podia mais uma vez ter aumentado a contagem, pois num remate perigoso, já dentro da área (50m), obrigou Nilson a desviar para a linha de fundo.
Mais “Vitória”
O ambiente aquecia e os fantásticos leixonenses continuavam a fazer a festa nas bancadas. Em campo, o Vitória crescia e o Leixões aguentava. O tempo começava a apertar, o público da casa ficava cada vez mais impaciente, e Duarte Gomes era também alvo da pressão. Os cruzamentos e as bolas bombeadas para a área continuavam a ser o método adoptado pelos homens de Guimarães. Beto e os centrais leixonenses chegavam para as encomendas. O timoneiro vimaranense trocava de avançados (59m) – Miljan por Marquinho –, tentando contrariar a falta de inspiração dos pensadores da sua equipa. A equipa da casa esgotava as substituições, sem que Carlos Brito mexesse uma única vez no seu “onze”. Houve claramente mais Vitória, tendo Diogo Valente e Roberto efectuado um trabalho importante nos poucos momentos que tiveram para segurar a bola no ataque. Num lance polémico dentro da área do Leixões, a formação da casa pediu grande penalidade (68m), numa alegada falta de Nuno Diogo sobre Roberto. Duarte Gomes, perto do lance, mandou seguir.
Lance capital
Brito decide-se, finalmente, pela primeira substituição. Entrávamos no minuto 72 quando Jaime rendeu Jorge Gonçalves em campo. O reforço de Inverno da turma do Mar esteve cinco minutos em campo! Após ter segurado a bola junto à linha lateral no ataque, deixou escapar o esférico para fora das quatro linhas. Depois do lançamento, entrou pela primeira vez em falta; Duarte Gomes, estranhamente, mostrou cartolina vermelha ao jogador do Leixões. Num lance idêntico a tantos outros, praticados sistematicamente por jogadores do Vitória (Flávio Meireles e Sereno abusaram da sorte), o leixonense foi expulso, enquanto outros escaparam com amarelos. O jogo começava aqui a “mascarar-se” de forma carnavalesca…
Como foi possível?
Num carrossel de peripécias passadas em poucos minutos, o Leixões deixou fugir os três pontos sem saber muito bem como. Com mais um elemento em campo, o Guimarães chegou ao golo passado três minutos; Ghilas cruzou e Marquinho empatou (80m). Carlos Brito, que já tinha chamado Nuno Silva, acaba por mandar o central novamente para o banco. Sereno, entretanto, entra duro sobre Roberto e recebe o segundo cartão amarelo. Diogo Valente sobrevive na frente de ataque e, por duas vezes, assustou Nilson com remates de longe, tendo um deles saído a rasar a trave (86m). O Leixões não mexe na equipa e o Guimarães continua a assolar a defensiva adversária. E, num lance fortuito, Alan cruza da direita, Roberto falha o remate, mas a bola fica na zona de perigo, com o avançado a aproveitar para empurrar o esférico para o fundo das redes (87m).
Desfecho inglório
Carlos Brito retira, finalmente, Paulo Machado e lança Vieirinha, acabando por não fazer a terceira substituição! Roberto (o do Leixões) ainda tem a classe suficiente para segurar a bola no ataque e distribuir jogo. O Leixões ainda chegou algumas vezes à área do Vitória, mas sem efeitos práticos. Os ponteiros do relógio aceleravam de forma tremenda para o apito final. Durante dez minutos finais as almas de todos os presentes naquele recinto desportivo estiveram concentradas no relvado. Aliás, foram 90 minutos dignos de registo televisivo e de inveja ao medíocre futebol português. No final, os corações leixonenses ficaram desolados com o desfecho inglório, estando até agora a pensar: como foi possível? O árbitro, Duarte Gomes, não esteve à altura do embate. Foi contestado pelos da casa por alegada grande penalidade. E vestiu a pele de protagonista ao expulsar severamente Jaime no momento que marcou a partida.
Por:
Bruno Leite
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