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Leça deixa fugir dois pontos num jogo em que teve tudo para ganhar Mais uma injustiça
II Divisão Nacional
Jogo no Estádio do Leça Árbitro: Arnaldo Araújo (Vila Real)
Leça, 1 Vila Meã, 1
Leça Daniel; Fernando, Nuno Sousa, Flávio, Couto (Wesllem, 77) e Luís; Sérgio, Hugo Paiva (Carlitos, 87) e Braga; Bruno (Paulo Ferreira, 62) e João Paulo TR: Jorge Madureira
Vila Meã Jorge Silva; Leo, Hélder, Rui Ribeiro e Pinto; Cândido (João Ribeiro, 86), Joca (Bessa, 86), Madalena e Gustavo; Maniche (Ronaldo, 72) e Everson TR: Vítor Paneira
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: João Paulo (82) e Everson (87) Disciplina: Cartão amarelo a Rui Ribeiro (23), João Paulo (30), Maniche (39 e 88), Sérgio (42), Nuno Sousa (49), Cândido (88), Carlitos (90) e Hélder (90+4). Cartão vermelho a Maniche (88)
Em domingo de “Entrudo” e de guarda-chuvas abertos, o Leça viu dois pontos voarem com a intempérie, depois de Jorge Silva ter defendido quase tudo o que havia para defender. Antes do jogo começar houve tempo para recordar uma vitória e um homem que já não se encontra entre nós mas cuja memória irá perdurar para sempre em Leça da Palmeira: Mário Sá.
O seu a seu dono
Quase nove meses depois de ter conquistado de forma brilhante o campeonato da 3ª Divisão Nacional Série B, o capitão Couto recebeu o troféu correspondente das mão do edil matosinhense, Guilherme Pinto, e na presença de Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto, que naquela cerimónia simbólica representava a Federação Portuguesa de Futebol. Houve tempo para se distribuírem as medalhas comemorativas do feito pelos restantes jogadores e equipa técnica e o levantar da Taça diante da bancada dos sócios. Para o fim da cerimónia, o momento de maior simbolismo: Couto e os seus colegas acorreram à fotografia gigante do falecido responsável leceiro, Mário Sá, e depositaram o troféu junto a uma coroa de flores presente no mesmo local, homenageando-se, desta forma, um homem cuja a recordação se encontra viva nos corações de todos os que vivem semana após semana o Leça FC.
Início a todo o gás
O Leça, que à entrada desta jornada ocupava o 11º lugar, entrou, pode-se dizer, a todo o gás, perante um Vila Meã, nono classificado, treinado pelo sobejamente conhecido Vitor Paneira e com um grupo de jogadores de reconhecida qualidade, entre eles um que haveria de ficar na retina pela exibição quase imaculada: Jorge Silva, guardião campeão mundial de sub-21, em Lisboa. As equipas deram mostras de conhecerem bem mutuamente, daí que o início do encontro foi, apesar de rápido, parco em oportunidades de perigo. A partir dos 15 minutos, parecia que o conjunto verde-e-branco havia ganho ascendente sobre o grupo vestido “à Milan”, muito por culpa das boas iniciativas de Braga, que, com passes certeiros, municiava Hugo Paiva, na ala direita, para lances já de algum perigo. Aos 22 minutos, o mesmo Braga, na marcação de um livre, no lado esquerdo do ataque, cruza para a área mas Bruno, que se encontrava sem marcação, não deu melhor seguimento ao lance, perdendo-se a melhor oportunidade do Leça no primeiro tempo. Dez minutos depois os papéis inverteram-se e coube ao grupo amarantino encostar os homens de Jorge Madureira a terrenos mais recuados. O final da primeira parte aproximava-se a passos largos e sempre numa boa toada de parada e resposta.
Penálti por assinalar
Com a segunda parte veio, finalmente, o sol e uma avalanche atacante que culminou com o caso do jogo. No centro do terreno, Nuno Sousa recebe a bola e, à entrada da grande área, remata com perigo uma bola que foi deliberadamente cortada pelo defesa amarantino Joca. Um lance que deveria ter sido punido com a marcação de uma grande penalidade que o árbitro, a três metros do local da infracção, nada assinalou. A partir daí, foi um corrupio de erros do juíz Arnaldo Araújo, de Vila Real, e sempre em prejuízo da equipa da casa. Este lance parece ter enfurecido a turma leceira, que partiu para o ataque com ainda mais garra e foi sem surpresa que os lances mais perigosos do jogo fossem aparecendo em catadupa, culminando finalmente no golo verde, aos 82 minutos, que surgiu na marcação de uma falta na direita, superiormente executada por Luis, com João Paulo a facturar, depois de uma saída em falso de Jorge Silva, que até então havia já tido uma mão cheia de excelentes defesas. Foi a explosão de alegria no estádio do Leça, mas uma felicidade que durou pouco.
Sem ler, nem escrever…
O Vila Meã, que até aos 87 minutos se prostrava como mero espectador das tentativas de Hugo Paiva (sempre com cruzamentos perfeitos) e João Paulo (o receptor da maioria dos passes do companheiro do meio campo) de baterem um sensacional Jorge Silva que, por duas vezes, evitou o segundo tento, chegou ao empate “sem ler, nem escrever”, no único momento de desatenção da até então sempre concentrada defesa leceira, por Everson. Um golo que manchou com a cor da injustiça uma partida bem disputada, num terreno muito pesado, em que o Leça demonstrou ser, de longe o melhor grupo, em campo.
Jorge Madureira – Treinador do Leça “Jorge Silva travou as nossas intenções”
“Fomos claramente melhores durante toda a partida. Soubemos construir as melhores oportunidades do jogo, mas a excelente exibição do Jorge Silva travou as nossas intenções. No futebol, não há injustiças, ganha quem marca e acabou-se. Não vou falar de arbitragens, só apenas referir que estas coisas são habituais no que ao Leça diz respeito”.
Figura
Hugo Paiva – Dinâmico Se Braga soube fazer (e bem) a transposição defesa-ataque e João Paulo dispôs de grandes oportunidades, chegando, inclusive, ao golo, foi Hugo Paiva que em todas as ocasiões serviu o atacante, ora com cruzamentos milimétricos, ora com passes rasteiros a rasgar. Num campo extremamente encharcado, o ala soube sempre manter os pés firmes no chão.
Artur Santos
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