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Arquivo: Edição de 30-01-2008

SECÇÃO: Desporto


Três pontos saborosos e fuga em grande estilo da zona de perigo
Beto segurou e Roberto marcou

Liga (17.ª Jornada)
Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Vasco Santos (Madeira)
Leixões, 1 - P. Ferreira, 0
Leixões: Beto; Nuno Silva, Elvis, Nuno Diogo e Ezequias; Bruno China, Hugo Morais e Paulo Machado (Vieirinha, 70); Jorge Gonçalves (Jaime, 60), Roberto (Jorge Duarte, 89) e Diogo Valente
TR: Carlos Brito

Paços Ferreira: Peçanha; Ferreira, Tiago Valente, Rovérsio e Chico Silva; Pedrinha (Renato Queirós, 66) e Paulo Sousa; Ricardinho, Wesley e Cristiano; Márcio Carioca (Fábio Paim, 64)
TR: José Mota

Ao intervalo: 0-0 Marcador: Roberto (59)
Disciplina: Cartão amarelo a Pedrinha (30), Ezequias (40), Tiago Valente (46), Nuno Diogo (63) e Peçanha (69)
elo banquete no Estádio do Mar, proporcionado por duas equipas em alta voltagem. Uma partida de capital importância, onde o Leixões mostrou credenciais suficientes para deixar à distância de quatro pontos a temida linha de água. Em campo estavam duas formações plantadas no perigo da tabela, mas mais pareciam lutar por posições europeias.
Com uma formação de carácter nitidamente ofensivo, globalmente compacta, o Leixões puxou dos seus créditos para controlar praticamente toda a partida. Uma primeira metade que podia ter sido de êxito total, não fosse o desperdício na hora de atirar à baliza.
A decisão ficou uma vez mais a cargo de Roberto, com o artilheiro a resolver o jogo com uma cabeçada vitoriosa, após um canto cobrado por Hugo Morais. O amarelo do Paços só se notou nos instantes finais, conseguindo o Leixões suster a pressão dos castores, com Beto a assumir papel de destaque. A terceira vitória para a nau de Brito tem sabor redobrado, deixando para já, atrás de si, cinco opositores directos.

Grande correria inicial
As duas formações imprimiram uma toada supersónica logo no início, capaz de entreter o espectador mais desinteressado. Carlos Brito, no seu sistema habitual, introduziu apenas Nuno Silva na direita em detrimento de Filipe Oliveira (castigado), deixando o triân­- gulo central a cargo de Bruno Chi­na, Hugo Morais e Paulo Machado.
Por seu turno, José Mota, com dois trincos (Pedrinha e Paulo Sousa), colocou Wesley nas costas de Carioca. As formações encaixavam-se plenamente, deixando para os extremos a responsabilidade de dar a tal velocidade ao encontro. Responsabilidade aceite, partindo o jogo para uma tremenda correria.
Com o “chip” certo

Nos primeiros 10 minutos, o Leixões só viu a baliza de Peçanha pela frente. Fulgurante, no mínimo, o início dos da casa, dando indicações claras que o desafio era para resolver nos instantes iniciais. Atónitos, os de Paços de Ferreira tentavam arranjar argumentos para travar o “chip” introduzido por Carlos Brito nos homens da casa.
Nuno Diogo (4m), Roberto (7m) e Hugo Morais (10m) não conseguiram transformar as oportunidades em golo certo. Nunca antes, em jogos do campeonato, se vira o Leixões com uma entrada tão personalizada e vocacionada para a baliza contrária.

Tanto desperdício
A fazer as contas aos golos perdidos, os adeptos da casa deliciavam-se com a sua equipa, embora ansiando pela vantagem já merecida. O Leixões não abrandava e Hugo Morais tirou mais um cruzamento perfeito para Jorge Gonçalves cabecear forte mas ao lado.
Depois, o mesmo intérprete da assistência, cobrou da esquerda um livre direitinho para a cabeça de Elvis, o capitão fez o mais difícil, cabeceou ao lado. Com pouco tempo para respirar, os “canarinhos”, apenas deram um ar da sua graça com um remate de fora da área, situação que Beto resolveu com categoria. Entretanto, carregava o Leixões e Paulo Machado cruzava da direita para Diogo Valente cabecear, solto na área, ao lado da baliza de Peçanha. Uff!

Beto salvador
Minuto 40: Ricardinho penetra na área do Leixões e Ezequias consegue um corte fantástico, subtraindo a bola ao extremo do Paços. Vasco Santos transforma o lance numa grande penalidade e mostra amarelo ao lateral leixonense (fica de fora diante o Guimarães). Erro claro da equipa da arbitragem, de resto, o árbitro da partida teve uma actuação desastrosa. Uma avalanche de perigo proporcionada pelo Leixões podia ser traduzida numa desvantagem injusta, fruto de um erro de arbitragem. E só não o foi porque Beto, o guardião do templo do mar, fez mais uma vez papel de salvador da pátria. Defendeu com mestria a penalidade cobrada por Pedrinha. Foi a primeira explosão de alegria que se assistiu no Estádio, levando os adeptos da casa a sua equipa ao domínio total até ao intervalo. Em mais uma oportunidade de golo, Roberto com um remate traiçoeiro, de fora da área, obrigou Peçanha a desviar a bola com as “unhas” para canto. Era o canto do cisne… da primeira parte.

Mais do mesmo
Pode-se dizer que o intervalo, na visão do adepto, veio em má altura, pois o jogo estava emotivo e o espectáculo satisfatório. Voaram, assim, os primeiros 45 minutos, onde sobrou muita água na boca e muito desperdício caseiro na hora de atirar à baliza.
Na etapa complementar, logo no minuto 47, voltava o Leixões a apresentar mais do mesmo. Canto da esquerda – Hugo Morais – Rovérsio quase rasga a camisola de Roberto, a bola sobre para a cabeça de Elvis, e, mais uma vez, o central leixonense não consegue o golo. O esférico bate em Ferreira, em cima da linha de golo e acaba por escapar pela linha de fundo.
Não esmoreceu o Leixões, reentrando com o mesmo apetite voraz pelo golo, sem, no entanto, conseguir introduzir o esférico nas redes de Peçanha. Mal reentrou novamente o árbitro da partida que não viu um puxão de Rovérsio. Para minutos, depois, também fazer vista grossa a um abalroar do mesmo jogador sobre o centro-avante rubro-branco dentro da grande área. Penálti, pois claro.

Toma lá, Roberto!
Tantas vezes o cântaro vai à fonte que alguma vez havia de partir. A profecia foi realizada pelo suspeito do costume. O relógio indicava o minuto 59, Hugo Morais cobra um canto da direita e Roberto, esse mesmo, o artilheiro, desfere uma “tolada” para o fundo das redes. Festa rubro-branca, um suspiro de alívio, sorrisos largos no Mar. Um lance de mérito, protagonizado por dois incondicionais, Hugo Morais faz a quinta assistência da época – brilhante – Roberto, o terceiro tento no campeonato e o terceiro de cabeça. E sempre que marca, o Leixões ganha!
Logo a seguir, magia no Mar, com Diogo Valente a iniciar uma jogada soberba antes do meio-campo pacense, ultrapassando cinco adversários (!) e, já na grande área, a disparar para defesa apertada de Peçanha. Se fosse golo, era o momento da tarde.
Paím para
a pressão pacense

José Mota não estava satisfeito com o desenrolar das operações e começou a mudar a mobília. Fábio Paim, primeiro, Renato Queirós, mais tarde, foram lançados e o Pa­ços pressionou, finalmente, a zona defensiva leixonense. Já antes, Carlos Brito estreava Jaime com as cores do Leixões, retirando do campo o massacrado Jorge Gonçalves. A linha defensiva matosinhense recuava cada vez mais e o perigo rondava a área de Beto.
Outra vez o guardião
do templo

Previa-se nos últimos dez minutos um assalto final dos castores sobre os bravos do Mar. Mas a verdade é que o perigo real rondou mais a linha de baliza de Peçanha. Vieirinha, já em campo, entrou com tudo pela direita e desferiu um cruzamento/remate que o guardião pacense defendeu por instinto. Sobrevivia o Leixões aos assaltos do Paços, com ataques rápidos. Assistiu-se ainda ao último lance fantástico do homem do jogo, antes de ser substituído. Roberto com um pique arrasador – aos 86 minutos! – foge pela direita e já na linha de fundo, sem companheiros na área, e em esforço, cruza e obriga Rovérsio a cabecear para a própria baliza, com Peçanha atento a defender. Mas para o fim estava reservado mais um momento de veneração para o guardião Beto. Já nos descontos, Renato Queirós surge isolado na área atirando para a baliza, com Beto a segurar autenticamente a vitória para o Leixões. Uma defesa por instinto, que valeu mais três pontos.
O árbitro, Vasco Santos, teve uma estreia infeliz no Estádio do Mar. Além de ter efectuado 90 minutos de fraco nível técnico, errou no lance do penálti e fez vista grossa a outros lances dentro da área do Paços Ferreira.

Por: Bruno Leite

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Edição de 03-02-2010
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