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Arquivo: Edição de 19-12-2007

SECÇÃO: Desporto


Futebol distrital - Dérbi marcado pela muita transpiração e pouca inspiração
Ninguém quebrou o gelo

AF Porto – I Divisão
Complexo Desportivo do Lavrense, Matosinhos
Árbitro: Manuel Oliveira
Lavrense, 0 - Custóias, 0
Lavrense: Bruno; Zé Maia, Pirata, Ribeiro e Faial; Augusto, Machado e Freitas; Tiago Pinto (Filipe Carvalho, 46), Pedro (Vasco, 66) e Álvaro
TR: Miguel Martinho

Custóias: Dinis; Valente, Virgílio, César e Raimundo; Quim (Viana, 38), Marco I (Cheta, 72) e Carinhas; Filipe (Alfredo, 36), Vítor Carneiro e Piscinas
TR: António Gaiteiro

Disciplina: Cartão amarelo a Filipe (29), Quim (30), Zé Maia (39 e 44), Pirata (44), Ribeiro (62), Marco I (70), Piscinas (75) e Viana (86). Cartão vermelho, por acumulação, a Zé Maia (44)
A realizarem uma temporada de grande nível, ocupando os lugares cimeiros da classificação, Lavrense e Custóias defrontaram-se num dérbi que reunia todos os ingredientes para ser um bom e interessante jogo de futebol. As expectativas foram correspondidas? Não, na totalidade, porque o espectáculo ficou marcado pelo imenso frio que se fez sentir em Lavra, com nenhum dos intervenientes a não conseguir quebrar o gelo. O equilíbrio foi a nota dominante, com o resultado final a espelhar por completo aquilo que foram os 90 minutos de um jogo parco em hipóteses de golo.

Respeito mútuo
Conscientes do valor do adversário, Lavrense e Custóias entraram no jogo com a lição bem estudada. Com as pedras bem encaixadas e os espaços reduzidos ao máximo, a táctica sobrepôs-se à magia e técnica dos jogadores, mesmo quando o Custóias actuou com mais um elemento. A entrega e garra imposta pelos intervenientes ficou bem patente em todos os períodos de jogo, faltando apenas alguns momentos de brilhantismo aos jogadores mais dotados de cada uma das equipas. Freitas e Álvaro, por parte do Lavrense, e Carinhas e Vítor Carneiro, pelo lado oposto, eram peças chave nas manobras ofensivas de cada equipa, porém o facto de serem muito bem vigiados impediu que o futebol ofensivo reinasse num jogo muito táctico.

Espaços reduzidos
Com os espaços para se jogar reduzidos ao máximo, as oportunidades de golo durante a pri­meira metade foram escassas. A primeira ocorreu à passagem dos dez minutos para a formação fo­rasteira. Após excelente combina­ção entre Carinhas com Rai­mundo, este último efectuou um cruzamento com conta peso e medida a que Filipe rematou junto ao poste. Os locais responderam, passados vinte minutos, com Tiago Pinto a obrigar Dinis à pri­meira defesa da tarde.
O guardião custoiense voltaria a ter que intervir instantes depois a um remate do irrequieto Álvaro. O guarda-redes Dinis merece mesmo um plano de destaque, tendo mostrado uma vez mais todo o elevado potencial que possui, respondendo sempre com enorme segurança aos remates dos locais.

Gaiteiro cauteloso
Além das poucas oportunidades de golo, a primeira parte ficou igualmente marcada pelas substituições orientadas por António Gaiteiro. O técnico do Custóias não facilitou em nada e, instantes depois de os seus jogadores serem admoestados, tratou logo de os substituir. Opções pouco comuns durante a etapa inicial da partida, mas que como diz o ditado “cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a nin­guém”. O provérbio popular veio a verificar-se aquando da expulsão de Zé Maia. O defesa direito do La­vren­se estava a efectuar uma boa exi­bição, mas em cinco minutos viu dois amarelos e colocou a sua equi­pa jogar durante toda a segunda parte com menos um.

(Des)vantagem não se notou
A segunda parte foi praticamente tirada a papel químico da primeira. Mesmo jogando com mais um elemento, o Custóias não conseguiu tirar partido dessa superioridade, mantendo-se o equilíbrio da etapa complementar.
Com uma entrada em jogo mais fulgu­rante, onde Carinhas obrigou Bru­no a aplicar-se a fundo, o Cus­tóias parecia querer tomar as ré­deas do jogo, porém, a turma de Mi­guel Martinho conseguiu ser sem­pre muito organizada e empe­nha­da, conseguindo equilibrar as for­ças. À excepção de uma defesa de Bruno e duas de Dinis, os avan­ça­dos não conseguiram levar o pe­rigo junto aos alvos contrários. Com a batalha a meio campo a ser a linha mestra deste dérbi, o nulo com que se iniciou o encontro permaneceu intocável.

Figura Lavrense: Álvaro
Dotado de uma capacidade técnica acima da média, colocou por várias vezes em sobressalto a defensiva contrária. Rápido e atrevido no momento de enfrentar os seus marcadores, foi dos seus pés que saíram as melhores oportunidades de golo.

“Melhor jogo da época”
Miguel Martinho – Treinador do Lavrense
“Fizemos o melhor jogo da época. O Lavrense fez uma exibição fantástica, com muita qualidade e personalidade, obrigando o guarda-redes do Custóias a ser o melhor jogador em campo. A haver um vencedor só poderia ter sido o Lavrense. Vamos trabalhar para vencer jogo a jogo e, se nos deixarem, podemos ser um dos candidatos. Com esta postura, podemos dar uma alegria grande aos nossos adeptos”.

Figura Custóias: Carinhas
De fisionomia franzina, é duro como o aço. O jovem centro-campista assume papel determinante na manobra da equipa custoiense. Defende e ataca com uma intensidade notável, enfrentando cada lance como se fosse o último. Tem a capacidade de jogar e fazer jogar sempre com grande eficiência.

“Vão ter de levar connosco”
António Gaiteiro – Custóias
“Não fizemos um jogo muito bem conseguido, mas empatar em casa de um adversário directo é um bom resultado. Jogámos toda a segunda parte com mais um elemento, mas, às vezes, não é nada fácil jogar contra dez. Devido ao que temos passado durante a época optei por substituir os jogadores já amarelados. Tenho que me precaver porque não sei que mal é que o Custóias fez às pessoas. Não vai ser fácil tirar-nos de cima e vão ter que levar connosco até ao final”.

Por: Norberto Sousa

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Edição de 16-06-2010
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