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Houve festa rija no Mar com golos e boas exibições na merecida vitória Aí está o primeiro grito!
Liga (9ª Jornada). Jogo no Estádio do Mar, Matosinhos. Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal) Leixões, 3 - Braga, 0 Leixões: Beto; Filipe Oliveira, Elvis, Nuno Silva e Ezequias; Bruno China, Jorge Duarte (Vinícius, 79) e Pedro Cervantes; Paulo Machado (Jorge Gonçalves, 70), Roberto (Vieirinha, 76) e Hugo Morais. Treinador: Carlos Brito
Braga: Paulo Santos; João Pereira, Paulo Jorge, Frechaut e César Peixoto; Andrés Madrid (Zé Manel, 57), Vandinho, Castanheira (João Pinto, 55) e Jorginho; Linz e Jaílson. Treinador: António Caldas
Ao intervalo: 2-0. Marcadores: Roberto (36), Bruno China (45) e Jorge Gonçalves (77). Disciplina: Cartão amarelo a Filipe Oliveira (15), Paulo Jorge (24), César Peixoto (27), João Pereira (43), Vandinho (74) e Zé Manel (81) A semana que antecedeu o jogo era de todo desoladora. A equipa leixonense vinha de duas derrotas seguidas, três golos encaixados no Dragão, e a linha-de-água estava cada vez mais próxima. A vitória com o Braga veio, assim, mesmo a calhar, numa espécie de viagem das profundezas do oceano à tona de um Mar apetecível. Roberto, Bruno China e Jorge Gonçalves marcaram os golos de uma vitória indiscutível.
Brito altera as peças O prometido é devido. E Carlos Brito cumpriu o que tinha dito antes do jogo, quando anunciou que iria mudar algumas peças do xadrez. O treinador relegou Jorge Gonçalves e Vieirinha para o banco e abdicou ainda de Marco Cadete, que nem sequer foi convocado. Jorge Duarte entrou para o miolo, Paulo Machado foi desviado para a direita e Hugo Morais (ausente da convocatória para o Dragão) voltou à ala esquerda, respondendo com uma tremenda exibição. Já Filipe Oliveira desempenhou as funções de lateral direito. Novas peças, mas o mesmo sistema, embora com algumas “nuances”.
Tudo baralhado Carlos Brito não contava era com a resposta de António Caldas, que surpreendeu ao alterar o modelo de jogo, actuando com dois avançados e Jorginho a auxiliar nas costas. Foi um caos no convés. Nuno Silva e Elvis tinham, sistematicamente, Jaílson e Linz à perna, enquanto Bruno China não acertava a marcação. Assim, havia sempre alguém que surgia solto no ataque bracarense. Um equívoco táctico que os visitantes acabaram por não conseguir aproveitar.
Paulo Machado falha o alvo Após o marasmo inicial, os “artistas” da casa resolveram actuar. Pedro Cervantes pegou nas rédeas e o som começou a sair mais afinado. Porém, as jogadas ofensivas acabavam quase sempre em remates desastrados de Paulo Machado. O “novo” extremo direito disparou quatro vezes à baliza de Paulo Santos, mas, à excepção de um remate que bateu no corpo de um adversário, o resto saiu muito ao lado do alvo.
Lucílio perdoa expulsão Ao minuto 24, o primeiro caso do jogo: Hugo Morais ganha uma bola a Paulo Jorge, acabando o capitão bracarense por cometer falta para evitar que o número sete leixonense se isolasse perante Paulo Santos. Lucílio Baptista marcou a flagrante infracção, mas apenas exibiu o amarelo ao central bracarense. Do livre, Pedro Cervantes acertou na barreira.
Olha lá, Roberto! O Leixões estava, finalmente, mais activo, mais dominador e o golo acabou por surgir. Uma jogada rápida, prática e bonita, com conclusão fulgurante de Roberto, o artilheiro que se estreou a marcar na Liga. Jorge Duarte deu em Pedro Cervantes e este desmarcou Hugo Morais, que efectuou um cruzamento irrepreensível, tendo Roberto atacado a bola mais rápido que os seus marcadores directos. Estava aberto o activo. Belo golo!
Felicidade na cabeça de China Com o público ainda a delirar, Roberto esteve perto de oferecer mais um doce ao universo leixonense, mas o cabeceamento saiu ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza de Paulo Santos. Era o aviso para o que se ia passar a seguir. Mesmo em cima do intervalo, na marcação de um livre, Cervantes cruzou para a cabeça de Bruno China, que, com toda a beleza do Mundo, fez o segundo da tarde. O número 14 do Leixões, que até estava a realizar uma partida descolorida, aumentava, assim, a vantagem leixonense, estreando-se a marcar no primeiro escalão. E a primeira parte terminava com grande entusiasmo entre o público leixonense.
Aguentar o arsenal No final dos 45 minutos, Carlos Brito era, finalmente, um homem feliz, contrastando com a desolação de António Caldas. O treinador interino, que substituiu Jorge Costa no comando técnico, confessou que esperava ganhar a partida, mas, no final, também reconheceu que a equipa bracarense tem de jogar muito mais se quiser atingir os lugares de topo. Na segunda parte, Caldas lançou João Pinto e José Manuel, mas o Leixões soube aguentar o arsenal bracarense, tendo Beto respondido à altura nos ataques que caíam na sua área. A defesa, muito concentrada, também nunca viveu grandes sobressaltos.
Gonçalves fecha as contas Esta foi a tarde em que tudo correu a Carlos Brito. Aos 70 minutos, o treinador lançou Jorge Gonçalves, retirando Paulo Machado. Liberto de pressões, já com dois golos marcados e a vitória ali tão perto, a equipa leixonense controlava a partida, contra-atacando sempre com perigo. Neste processo, tire-se o chapéu a Roberto, perito na arte de segurar o jogo e permitir que a sua equipa se adiante no terreno. Assim, surgiu o terceiro golo da festa leixonense. Jorge Gonçalves, acabado de entrar, inscreveu o nome na lista dos marcadores, mas grande parte do mérito tem de ser atribuído a Roberto e Hugo Morais. O avançado amestrou os centrais bracarenses e solicitou a corrida do extremo, que cruzou exemplarmente para o pé direito de Jorge Gonçalves. A tarde era do Leixões! E já não era sem tempo.
Árbitro picuinhas O grande mérito de Lucílio Baptista é não ter tido qualquer interferência no resultado. Só isso já é de louvar. Mas a verdade é que o árbitro setubalense manchou o seu trabalho, quando, aos 24 minutos, perdoou a expulsão de Paulo Jorge. Além disso, sobretudo, no primeiro tempo, mostrou-se picuinhas na forma como admoestou alguns jogadores e perdeu ainda demasiado tempo em algumas explicações, impedindo, assim, que o jogo fosse retomado rapidamente.
Por:
Bruno Leite
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