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Arquivo: Edição de 07-11-2007

SECÇÃO: Desporto


Houve festa rija no Mar com golos e boas exibições na merecida vitória
Aí está o primeiro grito!

Liga (9ª Jornada). Jogo no Estádio do Mar, Matosinhos. Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)
Leixões, 3 - Braga, 0
Leixões: Beto; Filipe Oliveira, Elvis, Nuno Silva e Ezequias; Bruno China, Jorge Duarte (Vinícius, 79) e Pedro Cervantes; Paulo Machado (Jorge Gonçalves, 70), Roberto (Vieirinha, 76) e Hugo Morais. Treinador: Carlos Brito

Braga: Paulo Santos; João Pereira, Paulo Jorge, Frechaut e César Peixoto; Andrés Madrid (Zé Manel, 57), Vandinho, Castanheira (João Pinto, 55) e Jorginho; Linz e Jaílson. Treinador: António Caldas

Ao intervalo: 2-0. Marcadores: Roberto (36), Bruno China (45) e Jorge Gonçalves (77). Disciplina: Cartão amarelo a Filipe Oliveira (15), Paulo Jorge (24), César Peixoto (27), João Pereira (43), Vandinho (74) e Zé Manel (81)
A semana que antecedeu o jogo era de todo desoladora. A equipa leixonense vinha de duas derrotas seguidas, três golos encaixados no Dragão, e a linha-de-água estava ca­da vez mais próxima. A vitória com o Braga veio, assim, mesmo a calhar, numa espécie de viagem das profundezas do oceano à tona de um Mar apetecível. Roberto, Bruno China e Jorge Gonçalves marcaram os golos de uma vitória indiscutível.

Brito altera as peças
O prometido é devido. E Carlos Brito cumpriu o que tinha dito antes do jogo, quando anunciou que iria mudar algumas peças do xadrez. O treinador relegou Jorge Gonçalves e Vieirinha para o banco e abdicou ainda de Marco Cadete, que nem sequer foi convocado.
Jorge Duarte entrou para o miolo, Paulo Machado foi desviado para a direita e Hugo Morais (ausente da convocatória para o Dragão) voltou à ala esquerda, respondendo com uma tremenda exibição. Já Filipe Oliveira desempenhou as funções de lateral direito. Novas peças, mas o mesmo sistema, embora com algumas “nuances”.

Tudo baralhado
Carlos Brito não contava era com a resposta de António Caldas, que surpreendeu ao alterar o modelo de jogo, actuando com dois avançados e Jorginho a auxiliar nas costas. Foi um caos no convés. Nuno Silva e Elvis tinham, sistematicamente, Jaílson e Linz à perna, enquanto Bruno China não acertava a marcação. As­sim, havia sempre alguém que surgia solto no ataque bracarense. Um equívoco táctico que os visitantes acabaram por não conseguir apro­veitar.

Paulo Machado falha o alvo
Após o marasmo inicial, os “artistas” da casa resolveram actuar. Pe­dro Cervantes pegou nas rédeas e o som começou a sair mais afinado. Porém, as jogadas ofensivas acaba­vam quase sempre em remates desastrados de Paulo Machado. O “novo” extremo direito disparou qua­tro vezes à baliza de Paulo Santos, mas, à excepção de um remate que bateu no corpo de um adversário, o resto saiu muito ao lado do alvo.

Lucílio perdoa expulsão
Ao minuto 24, o primeiro caso do jo­go: Hugo Morais ganha uma bola a Paulo Jorge, acabando o capitão bracarense por cometer falta para evitar que o número sete leixonense se isolasse perante Paulo Santos. Lucílio Baptista marcou a flagrante infracção, mas apenas exibiu o ama­relo ao central bracarense. Do livre, Pedro Cervantes acertou na barreira.

Olha lá, Roberto!
O Leixões estava, finalmente, mais activo, mais dominador e o golo aca­bou por surgir. Uma jogada rápida, prática e bonita, com conclusão fulgurante de Roberto, o artilheiro que se estreou a marcar na Liga. Jorge Duarte deu em Pedro Cervan­tes e este desmarcou Hugo Morais, que efectuou um cruzamento irrepreensível, tendo Roberto atacado a bola mais rápido que os seus marcadores directos. Estava aberto o activo. Belo golo!

Felicidade na cabeça de China
Com o público ainda a delirar, Ro­berto esteve perto de oferecer mais um doce ao universo leixonense, mas o cabeceamento saiu ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza de Paulo Santos. Era o aviso para o que se ia passar a seguir.
Mesmo em cima do intervalo, na marcação de um livre, Cervantes cru­zou para a cabeça de Bruno Chi­na, que, com toda a beleza do Mun­do, fez o segundo da tarde. O nú­mero 14 do Leixões, que até estava a realizar uma partida descolorida, aumentava, assim, a vanta­gem lei­xo­nense, estreando-se a mar­car no primeiro escalão. E a primeira parte terminava com gran­de entusiasmo entre o público leixonense.

Aguentar o arsenal
No final dos 45 minutos, Carlos Bri­to era, finalmente, um homem feliz, contrastando com a desolação de António Caldas. O treinador interi­no, que substituiu Jorge Costa no comando técnico, confessou que esperava ganhar a partida, mas, no final, também reconheceu que a equipa bracarense tem de jogar muito mais se quiser atingir os lugares de topo. Na segunda parte, Cal­das lançou João Pinto e José Ma­nuel, mas o Leixões soube aguentar o arsenal bracarense, tendo Beto respondido à altura nos ataques que caíam na sua área. A defesa, muito concentrada, também nunca viveu gran­des sobressaltos.

Gonçalves fecha as contas
Esta foi a tarde em que tudo correu a Carlos Brito. Aos 70 minutos, o treinador lançou Jorge Gonçalves, retirando Paulo Machado. Liberto de pressões, já com dois golos marcados e a vitória ali tão perto, a equipa leixonense controlava a partida, contra-atacando sempre com perigo. Neste processo, tire-se o chapéu a Roberto, perito na arte de segurar o jogo e permitir que a sua equipa se adiante no terreno. As­sim, surgiu o terceiro golo da festa leixonense. Jorge Gonçalves, acaba­do de entrar, inscreveu o nome na lista dos marcadores, mas grande parte do mérito tem de ser atribuí­do a Roberto e Hugo Morais. O avan­çado amestrou os centrais braca­renses e solicitou a corrida do extre­mo, que cruzou exemplarmente para o pé direito de Jorge Gonçalves. A tarde era do Leixões! E já não era sem tempo.

Árbitro picuinhas
O grande mérito de Lucílio Baptista é não ter tido qualquer interferência no resultado. Só isso já é de louvar. Mas a verdade é que o árbitro setubalense manchou o seu traba­lho, quando, aos 24 minutos, perdoou a expulsão de Paulo Jorge. Além disso, sobretudo, no primeiro tempo, mostrou-se picuinhas na forma como admoestou alguns jogadores e perdeu ainda demasiado tempo em algumas explicações, impedindo, assim, que o jogo fosse retomado rapidamente.

Por: Bruno Leite

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Edição de 16-06-2010
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