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Arquivo: Edição de 31-10-2007

SECÇÃO: Desporto


Entrada de rompante do Dragão deitou por terra quaisquer aspirações
Sem sangue nas veias

Liga (8ª Jornada)
Jogo no Estádio do Dragão, no Porto Árbitro: Rui Costa (Porto)
FC Porto, 3 - Leixões, 0
F.C. Porto: Helton; Bosingwa (Marek Cech, 14), Stepanov, Bruno Alves e Fucile; Bolatti, Lucho González (Mariano González, 70) e Raul Meireles; Quaresma, Tarik (Postiga, 60) e Lisandro TR: Jesualdo Ferreira
Leixões: Beto; Marco Cadete (Tales, 72), Elvis, Nuno Silva e Ezequias; Bruno China, Paulo Machado e Pedro Cervantes; Vieirinha (Livramento, 80), Roberto e Jorge Gonçalves (Filipe Oliveira, 45) TR: Carlos Brito
Ao intervalo: 2-0 Marcadores: Lisandro (5 e 79) e Tarik (8)
Disciplina: Cartão amarelo a Ezequias (26), Fucile (33) e Mariano González (90+1)
Noite negra no Dragão. No regresso à competição, após 21 dias sem competir, o Leixões defraudou as expectativas, entregando de mão beijada um jogo onde se acreditava que conseguisse, pelo menos, complicar a vida ao bicampeão nacional. Jesualdo Ferreira, no sentido de alertar os seus jogadores, até disse, na antevisão ao jogo, que o Leixões era mais difícil que o Mar­selha. Nada mais falso.
A equipa leixonense, que tinha co­mo objectivo limpar a pobre imagem deixada no jogo com a Naval, entrou anémica na partida, sem sangue nas veias, e facilmente foi engolida pelo fogo do Dragão, que, muito provavelmente, nem esperava tantas facilidades. Foi pena, porque o jogo cedo ficou decidido e o espectáculo, que tanta expectativa criou, perdeu interesse…

Nuno Silva no eixo e Machado no miolo
Carlos Brito apostou em Nuno Silva (estreia a titular no campeonato) para jogar ao lado de Elvis e promoveu o regresso de Paulo Macha­do ao centro do terreno. Nuno Diogo foi relegado para o banco e Hugo Morais, assim como Nwoko, nem sequer foi convocado. Uma opção do treinador leixonense, que entendeu que os dois jogadores não se encontravam a cem por cento, após terem constado do boletim clínico durante a semana. No ata­que, Roberto voltou a ser a primeira opção, após ter cumprido castigo.

Muita pressão
Os primeiros minutos mostraram um FC Porto com demasiado andamento para um Leixões tolhido de ideias e movimentos. A equipa não acertou nas marcações, ficou atordoada e os livres sucediam-se à entrada da área. Stepanov foi o primeiro a causar perigo, num remate enrolado, e Quaresma cru­zava com perigo, tendo Beto, numa situação, socado bem a bola.

Lisandro marca com ajuda do braço
O domínio do FC Porto era intenso, mas entrando pelo caminho dos «ses» ninguém sabe o que podia ter acontecido se o primeiro golo tivesse sido invalidado, pois a verdade é que Lisandro jogou a bola com o braço antes de se antecipar a Nuno Silva e fuzilar as redes leixonenses. A jogada nasceu num passe longo de Bosingwa para o ataque, tendo Marco Cadete feito um corte ortodoxo, aparecendo depois o argentino do FC Porto a ser mais rápido que a defesa rubro-branca. Mas o braço ajudou. E muito.

Tarik aproveita descoordenação
Não foi preciso muito para o FC Porto alargar a vantagem. Numa jogada de sonho entre Quaresma, Lucho e Tarik, o marroquino tem espaço na área para fazer um túnel a Elvis e ainda passar por Beto antes de atirar para o fundo das redes. Em oito minutos, o FC Porto já ganhava por 2-0. A máquina do bicampeão nacional estava demasiado endiabrada para tanta des­­co­­or­­de- nação do último sector leixonense.
Cervantes assina primeiro remate
Num ápice, o Leixões viu-se com uma pesada desvantagem e, muito provavelmente, ainda nem todos os seus elementos tinham tocado na bola. O primeiro remate da equipa de Carlos Brito surge aos 12 minutos, autoria de Pedro Cervantes, um dos mais esclarecidos em campo, mas a bola saiu muito por cima da baliza de Helton. Paulatinamente, o Leixões foi conseguin­do, finalmente, subir no terreno, até porque o FC Porto tirou o pé do acelerador, começando a gerir esforços.

Inconformismo de Roberto
De volta à acção, o artilheiro Ro­berto tentou dar um ar da sua gra­ça, mas muito raramente as bolas lhe chegavam em boas condições. Aos 18 minutos, o avançado ca­beceou muito ao lado e depois cruzou para a entrada de Vieirinha, mas Bruno Alves foi mais rápido que o extremo. Mais tarde, a corresponder a um cruzamento tenso de Marco Cadete, efectuou um bom cabeceamento, levando a bola a passar ligeiramente ao lado da baliza de Helton.

Beto mostra agilidade
A fechar a primeira parte, Beto, que merecia ter sido mais protegido pelos seus companheiros, assinou uma boa defesa, relevando toda a sua agilidade para encaixar uma bola cabeceada por Bruno Alves (43m). Depois, não demorou muito para Rui Costa dar por terminada a primeira parte.

Deixar enrolar a manta
A segunda parte mostra um FC Porto pouco disponível para forçar a barra, enquanto o Leixões manteve-se desinspirado. Quaresma, aos 50 minutos, esteve perto do terceiro, mas a bola disparada em arco saiu ligeiramente ao lado da baliza leixonense. A partida só voltou a despertar quando Lisandro bisou, após cruzamento de Quaresma. O ataque do FC Porto teve tempo para tudo neste lance, o que demonstra a noite desacertada da formação matosinhense. Já com Tales e Livramento em campo, o Leixões procu­ra o tento de honra, mas o remate cruzado de Paulo Machado, aos 84 minutos, saiu ao lado. Toda a gente sabia que seria difícil pontuar no Dragão, mas a imagem da equipa leixonense voltou a ser pouco positiva e nada condizente com o que vinha ser produzido nas primeiras seis jornadas. E agora segue-se o Braga, antes de Belenenses e Spor­ting. E, meus senhores, é preciso jogar mais...
A arbitragem manchou o seu traba­lho no primeiro golo, ao deixar passar em claro a infracção de Lisandro.

Carlos Brito – Treinador do Leixões
“Entrámos algo envergonhados”
“Não fiquei decepcionado. É uma palavra muito pesada para os meus jogadores. Penso que entrámos algo envergonhados e o FC Porto,
que queria resolver cedo a partida, acabou por fazer dois golos, o que complicou a nossa tarefa. Não há muito mais a dizer, porque ganhou a melhor equipa. Na segunda parte, já mostrámos mais qualquer coisa e conseguimos mais transições. Quando esta equipa conseguir uma vitória vai-se soltar mais e dar alegrias aos sócios”.

Por: Arnaldo Martins

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Edição de 10-02-2010
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