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Arquivo: Edição de 17-10-2007

SECÇÃO: Desporto


Futebol distrital - Fraca produtividade defensiva deu em goleada
De pernas para o ar

AF Porto – Divisão de Honra
Jogo no Estádio do Perafita FC, em Perafita
Árbitro: Paulo Costa (Porto)
Perafita, 2 - Rio Tinto, 5
Perafita: Humberto; Osvaldo (Bessa, 75), Rui, Chaves e Tó; Macarra, Tinaia (João, 65), Delfim e Pimentel; Luís e Paulinho
TR: Mário Barros
Rio Tinto: Mata; Jorginho, Assis (Chico, 87), Rui Miguel e Luís Farelo; Ramos, Pedro Gabriel e Sérgio Rocha (Luís Carreira, 67); Miguel, Valter (Paulo Ribeiro, 81) e Fábio
TR: Manuel Gonçalves
Ao intervalo: 2-2
Marcadores: Valter (11, 22 e 72), Macarra (20), Paulinho (24) e Miguel (76 e 85)
Disciplina: Cartão amarelo a Chaves (49) e Rui (85)
Quando uma equipa sofre cinco go­los num só jogo algo não está bem. Na recepção ao Rio Tinto, a de­fesa do Perafita esteve verda­dei­ramente de pernas para o ar, exibindo-se de forma desastrosa durante os 90 minutos, sofrendo, assim, golos inadmissíveis para quem joga a este nível. O guarda-redes Humberto foi o único elemento que escapou no sector mais recuado, não tendo qualquer culpa nos golos sofridos.
Só o monumental golo apontado por Macarra serve de consolação para os cerca de cem adeptos perafitenses que estiveram presentes no estádio.

Passividade defensiva, capítulo I
Num encontro dirigido pelo árbitro internacional Paulo Costa assistiu-se a um início de jogo muito equilibrado, com as equipas a não permitirem muitos espaços para se jogar. Perante tal cenário, nos minutos iniciais foram poucas as oca­siões criadas por ambas as equipas junto das balizas.
Quando realmente os dois conjuntos imprimiram velocidade ao jogo ofensivo, o Rio Tinto tirou partida da frágil defesa local. Aos dez minutos, Humberto com uma defesa apertada evitou o golo a Valter, não conseguindo no minuto seguinte disfarçar a tarde não dos seus companheiros mais recuados. Perante enorme passividade em afastar a bo­la junto da sua baliza, Valter apro­veitou a apatia local para aparecer na cara de Humberto e, com tempo para tudo, inaugurou o marcador.

Obra-prima de Macarra
O golo sofrido espevitou os locais que passaram a pressionar mais à frente o Rio Tinto, jogando mais perto do alvo local. O primeiro exemplo disso mesmo foi o remate de Tó que só não deu em golo porque Pimentel chegou atrasado para desviar o esférico para dentro da baliza. O Perafita dava mostras de puder empatar o jogo e viria a fazê-lo em grande estilo.
O minuto 20 deste encontro irá ficar marcado para sempre na memória de muitos dos espectadores presentes. A cerca de 35 metros da baliza, após o esférico ser devolvido pela defesa local, Macarra remata à meia volta sem deixar cair a bola, fazendo-a entrar no ângulo superior direito da baliza de Mata. Um golo capaz de figurar nas mais belas galerias mundiais.

Paulinho enfeita a tela
Depois do monumental golo que originou o empate, o Perafita continuou a pressionar alto o seu adversário e viria a colocar-se pela primeira vez na posição de vencedor. Depois de ter ido ao solo para recuperar o esférico, Macarra faz uma primorosa assistência, iso­lan­do Paulinho que com a habitual eficácia que se lhe reconhece deu o melhor seguimento ao lance. O golo apontado pelo avançado foi o toque final de um estético quadro pintado em quatro minutos.
Contrapondo com o belo futebol ofensivo, os defensores do Perafita revelavam-se muito desinspirados, borrando a pintura por completo.

Passividade defensiva, capítulo II
A segunda mancha do quadro pintado por Macarra com a colaboração de Paulinho foi dada aos vinte e nove minutos. Em mais um lance em que a inércia defensiva dos locais foi por demais evidente, Valter recebeu com todo à vontade o esférico dentro da grande área e, com grande calma, rodou para a baliza para bater com enorme facilidade o desamparado Humberto. Valter e, mais tarde, Miguel revelaram-se facas bem afiadas em perfurar a defesa de manteiga do Perafita.
Ainda antes do intervalo, o Perafita poderia ter-se colocado de novo em vantagem, porém, o remate de Luís a centro de Osvaldo viria a ser defendido por Mata.

Festival ofensivo desperdiçado
Após o descanso, o Perafita viria a dispor de quatro oportunidades pa­ra chegar ao golo mas que, por falta de pontaria no capítulo da finalização ou demora no momento do remate, não viriam a ter efeitos práticos. Nestes vinte minutos de ver­dadeiro vendaval ofensivo dos locais ficou ainda por assinalar uma grande penalidade por derrube de Rui Miguel a Paulinho.

Epílogo da passividade defensiva
Depois do excelente período ofensivo do Perafita, o Rio Tinto reagiu e, mais uma vez com tremenda faci­lidade, chegou ao golo. Alves apa­receu sozinho dentro da área e com um cabeceamento eficaz deu o melhor seguimento ao centro de Mi­guel.
Depois de assistir o seu companhei­ro, foi a vez de Miguel passar pa­ra o papel de marcador. Aproveitan­do uma fífia monumental de Chaves, primeiro, e convertendo uma grande penalidade a castigar falta de Rui, depois, o extremo forasteiro estabeleceu o resultado final. No final, resultado pesado que castiga os muito erros defensivos do Perafita.

Duas semanas para o regresso
Manuel operado com sucesso
Depois de no jogo com o Avintes ter fracturado um osso do rosto, o guarda-redes Manel foi operado com sucesso na passada terça-feira. O guardião esteve presente no estádio a dar apoio aos seus companheiros, estando o seu regresso previsto para dentro de duas semanas.

“Distracções e infantilidades”
Mário Barros - Treinador do Perafita
“Foi um jogo onde houve algumas dis­tracções e in­fantilidades que se pagaram caro. Co­metemos erros de­fensivos que já não se usam e que não se podem permitir. Entrámos muito bem na segunda parte, mas falhá­mos em termos defensivos e o ad­versário aproveitou bem. Depois houve um desânimo na­tural entre toda a equipa. Se o árbitro tivesse assinalado grande penalidade sobre o Paulinho o jogo poderia ter sido diferente”.

Figura: Macarra
Apontou um golo capaz de figurar entre os mais belos a nível mundial. Esteve também na assistência para o tento de Paulinho e foram dos seus pés que saíram todas as jogadas de perigo da equipa. Realizou um grande jogo, acabando o encontro como defesa direito. Não merecia, de modo algum, a derrota.

Por: Norberto Sousa

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Edição de 16-06-2010
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