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Arquivo: Edição de 17-10-2007

SECÇÃO: Desporto


Artur Soares Dias foi protagonista pela negativa
Se tivesse sido televisionado...

AF Porto – Divisão de Honra (6ª Jornada)
Jogo no Parque de Jogos do Srª Hora, na S. Hora
Árbitro: Artur Soares Dias (Porto)
Srª Hora, 1 - Várzea Douro, 1
Srª Hora
Dourado; Folha, Milhazes, Trajano e Tobias; Nuno Ribeiro (Troços 37), Igor e Joel (Nelson, 45); Zé António, Pereira (Armas, 65) e Nandinho
TR: Joca
Várzea do Douro
Mota; João Luís, Emanuel, Bento e Tiago (Ângelo 58); Raul, Betinho e Miguel; Agi, Rochinha (Marcos Bruno 85) e Machado (Fábio 74)
TR: José Vareiro
Ao intervalo: 0-0
Marcadores Nelson (57) e João Luís (70)
Disciplina: Cartão amarelo a Betinho (82), Agi (84), Bento (86), Marcos Bruno (90) e Mota (90)
Artur Soares Dias foi a figura central do jogo. Numa jornada marcada pela disponibilidade de alguns árbitros do escalão máximo do nosso futebol, Artur Soares Dias foi a estrela do dia, acabando por sair do Complexo do Senhora da Hora com nota negativa. Com pedagogia a mais e acção a menos, deixou passar em claro duas grandes penalidades a favor dos senhorenses.

É triste…
É penoso e triste iniciar uma crónica com avaliação negativa ao árbitro, ainda para mais do primeiro escalão. Podia o distrital beneficiar com esta acção, mas nesta partida saiu prejudicado.
De resto, o Senhora da Hora foi a equipa com sinal mais e esbanjou situações de perigo para selar um jogo de sentido único. O Várzea fez pela vida, arrancou um golo fortuito e somou um pontinho. Para a história fica ainda o tento dos locais, com Nelson a apontar o 1-0 de forma sublime.

Malditos ferros
Com Paulo Alberto a cumprir castigo e Gil lesionado, Joca foi obrigado a fazer mudanças. Tobias voltou ao lado esquerdo da defesa e Joel juntou-se a Nuno Ribeiro e Igor no miolo. A linha atacante ficou a cargo do “supersónico” Pereira, contando com o auxílio de Zé António e Nandinho nas alas.
Foi um Senhora da Hora atrevido que surgiu em campo perante a apatia forasteira. No primeiro minuto, Igor, embalado por um livre directo, atirou a bola ao poste direito. Dez minutos depois, Nandinho com pontapé violento envia a bola à trave, o esférico acaba depois por sucumbir no cachaço do guarda-redes do Várzea. Azar ou pontaria a mais? Uma entrada de rompante com os olhos na baliza, ou melhor nos postes…

Músculo e pouca técnica
Após a agitação inicial, face às oportunidades desperdiçadas pelo Senhora da Hora, assistiu-se a um arrefecimento momentâneo. O em­balo inicial dos da casa não teve continuidade e entrou-se na pura e dura realidade do futebol distrital: muito músculo e pouca técnica. A entrega era, sobretudo, física, deixando os jogadores de lado a sua arte e capacidade para construir algo mais.
Em abono da verdade, quem suscitava maior interesse neste período do jogo era a equipa de arbitragem. Artur Soares Dias comandava os seus pares com gabarito de Liga profissional, inclusive, munidos de sistema de comunicação e auriculares, tudo como manda a lei, em grande estilo, portanto.

Longo bocejo
Embora fosse o Senhora da Hora a assumir as rédeas do encontro, nun­ca soube voltar a imprimir o ritmo certo. Tão depressa os dois lan­ces iniciais de perigo deixaram água na boca como deram lugar a um longo bocejo. Nada quiseram os atletas com as balizas, fazendo descansar os guarda-redes até ao intervalo. Um intervalo que pareceu demorar uma eternidade, mesmo depois do recomeço do desafio a sonolência era nota dominante. Os dez minutos iniciais da etapa complementar podiam ser apagados desta crónica não fosse ter de referenciar a substituição operada por Joca ao intervalo: sai Joel entra Nelson.

Despertador Nelson
Na semana anterior, o treinador senhorense lançou Nelson na segunda metade e virou o jogo, acabando por vencer o Ermesinde por 3-2, fruto de um golo e uma assistência do número 9. Esta semana, só faltou a vitória, porque o avançado voltou a facturar. Nelson teve o condão de funcionar de despertador e num cabeceamento mo­numental balançou as redes. Trajano foi a base do sucesso, depois de correr metros com a bola dominada até ao ataque, deixando o esférico ao jeito de Tobias cruzar com conta, peso e medida para a cabe­çada vigorosa do atacante.

Penalty por marcar
Agora, o Várzea teria de alargar a manta e destapar os pés. Ao Senhora da Hora restava aproveitar os espaços para selar o encontro. Tudo bem encaminhado, Pereira a apro­veitar um desses buracos entra pelo lado esquerdo da defensiva e é derrubado já em cima da linha de área, com Artur Soares Dias a assinalar livre fora da área. O primeiro erro capital de uma arbitragem que co­meçava a meter água. Do livre, Igor mandou a bola para fora do estádio.

Falta de concentração
O pior para o Senhora da Hora estava marcado para o minuto 70. Um lance esquisito de apreciar e de relatar. Já no meio-campo da equipa da casa, dois jogadores chocam enquanto a bola sai pela linha lateral. Ambos ficaram a receber assistência e o árbitro mandou repor a bola em jogo através de um lançamento de linha lateral para os forasteiros. Os jogadores do Várzea, oportunos, aproveitaram para criar perigo e fazer o empate. Os atletas do Senhora da Hora ficaram a olhar para o balão e só viram o esférico dentro da baliza de Dourado. Falta de concentração capital que resultou num golo decisivo.

Não entra...
Havia que correr atrás de outro golo, pois a injustiça e a falta de atenção valeram um empate nada justificado. A gula do Senhora da Hora não esmoreceu e os lances de pe­rigo sucederam-se nos últimos 10 minutos em grandes quantidades. Até que numa bola enviada por Igor para a área, Milhazes em cima da linha de fundo, quase colado ao poste da baliza do Várzea, foi empurrado e impedido de chegar ao esférico. Soares Dias, de frente para o lance, não assinalou absolutamente nada. Incompreensível.

Último assalto infrutífero
A seguir, Nelson enviou a bola à trave, ficando os jogadores e adeptos do Senhora da Hora a pedirem golo. Armas e Trajano no mesmo lance, na recarga, não fizeram melhor que enviar a bola por cima. O esférico não queria entrar. Mesmo em cima do apito final, Nelson dentro da área em pontapé acrobático envia a bola a rasar o poste. Era o canto do cisne.
De referir ainda que depois de longos minutos sem exibir um cartão, Soares Dias foi o bolso cinco vezes nos últimos 10 minutos, admoestando os jogadores do Várzea. Mui­to se falou sobre o árbitro e, no final, apetece mesmo dizer que se o jogo tivesse sido televisionado, Artur Soares Dias, muito provavelmente, iria descansar na semana seguinte...

“Só uma equipa em campo”
Joca – Treinador do Srª Hora
“Fomos a única equipa que tudo fez para vencer o jogo. O Várzea jogou para o ponto e nem sabe como marcou, num lance muito esquisito. Fomos infelizes, mas tivemos alguma desconcentração no golo sofrido. A diferença que senti em relação ao jogo ter sido dirigido por um árbitro da Liga é que este deixou jogar mais sem apitar. Não gosto de falar sobre este assunto, mas foi-nos sonegado, pelo menos, um penalty”.

Figura: Nelson
Figura capital na semana anterior, voltou a assumir o protagonismo nesta ronda. Entrou após o intervalo e agitou as tropas ao minuto 55 com uma “tolada” certeira. Depois disso, fez mais que todos os outros avançados juntos, lutando por muitas bolas na linha da frente. Esteve, por vezes, perto de marcar o golo da vitória, mas a bola, caprichosamente, não quis entrar.

Por: Bruno Leite

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Edição de 03-02-2010
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