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Arquivo: Edição de 17-10-2007

SECÇÃO: Desporto


Tarde de banquete em Perafita sob o signo do 13
Sem contemplações

Futsal – I Divisão Nacional
Jogo no Pavilhão Municipal Freixieiro, Árbitros: José Órfão e Mário Silva
Freixieiro, 13 - A.A. UTAD, 1
Freixieiro
Toni; Ivan, Néné, Israel e Wilson
Jogaram ainda: Ricardo, Paulinho, Dan Dan, Cardinal, Júlio, Miguel Mota e Roque
TR: Joaquim Brito
A.A. UTAD/Real Fut
Rui Cunha; Paulo Duarte, Vítor Hugo, Berto e Zirauto Jogaram ainda: Hélder Resende, Lincon, Mingo, Nito, Ivo e João Ribeiro
TR: Fernando Parente
Ao intervalo: 7-0
Marcadores: Israel (2 e 18), Néné (8), Ricardo (9), Ivan (10), Dan Dan (18), Júlio (19), Cardinal (21, 22 e 23), Wilson (33) e Paulinho (36 e 39); Vítor Hugo (38)
Número 13, número de fortuna para o Freixieiro. Uma tarde de barriga farta onde o resultado avultado andou em volta do signo, da sorte, para os matosinhenses. Dia 13, Freixieiro marcou 13 golos e somou 13 pontos na classificação geral, escalando para o segundo lugar. Uma partida que sem grande interesse ao nível da discussão do resultado, coube ao Freixieiro “sambar” ao ritmo dos golos. Para lá do Marão veio a Matosinhos uma equipa, no mínimo, muito fraquinha, que chegou mais uma vez ao primeiro escalão sem qualquer tipo de argumentos, encaixando mais uma goleada do “senhor” Freixieiro. Um bilhete, portanto, de face dupla, ou seja conforme viajou da segunda para a primeira, o percurso inverso é o mais plausível. De resto, a tradição mandou e Joaquim Brito despachou, mais uma vez, os universitários com dois caracteres para seu lado no “placard” final.
Uma “tromba”de golos que deixa o Freixieiro em segundo lugar e lan­ça a UTAD para lanterna-vermelha do Futsagres, posição, que dificilmente, pelo futsal que apresentou em Matosinhos, tem aspirações a deixar.

Senhor mandão
Brito lançou um cinco sem novidades que queria entrar a matar logo de início. Apresentou todos os seus argumentos e o senhor Freixieiro entrou mandão a mostrar o queria fazer: marcar golos. Aos dois minutos, o catalisador Israel abriu as hostilidades.  Era apenas o pri­mei­ro “doce” da caixinha de bombons que os atletas do Freixieiro iam desembrulhar para todos os presentes.  Do outro lado, nada de opo­sições, podendo, assim, os locais correrem sem pressões e gerir co­mo bem entendessem a matéria. Começaram, então, os postes a substituir o guardião Rui Cunha, três bolas foram rechaçadas pelo ferro e impediram até ao minuto oito novo golo “encarnado”. Néné, com um remate certeiro, depois de um roubo de bola de Wilson, obri­gou a cronometrista a colocar o número dois a favor dos locais no marcador electrónico.

Hora dos miúdos
Sem paciência para contempla­ções, o Freixieiro não estava dispos­to a abrandar o ritmo e Joaquim Brito apostou. Lançou os miúdos para a quadra e colocou no mesmo cinco, Cardinal, Ricardo e Paulinho, orientados pelo “mestre” Ivan. Mais dois golos em dois minutos. Ivan pas­sou a batuta momentaneamen­te para Ricardo. O miúdo assumiu a responsabilidade, marcou o tercei­ro golo, para de imediato oferecer ao seu capitão o quarto. Momen­­tos felizes no Choradinho pe­­rante um público satisfeito, diante um adversário mais que resignado. A formação de Fernando Parente entrava numa anarquia total, não conse­guindo qualquer tipo de coordenação colectiva e individual.

Diabruras de Israel
A primeira parte alargava-se para o final, e apenas Ivan – e o guardião Toni – não tinha saído da quadra. A três minutos do intervalo, Joa­quim Brito rendeu, finalmente, o número quatro. Para o seu lugar o “contramestre” Israel. Precisou ape­nas desse exíguo tempo para orquestrar três outros tentos. Deu o 5-0 a Dan Dan, que no lance se­guinte devolveu-lhe o brinde para o próprio Israel bisar. Ainda antes do apito para o intervalo, segue em direcção a uma “via verde” aberta pela UTAD, e desvia antes da por­tagem para Júlio facturar o sétimo. Fim do primeiro tempo reinado pelo Freixieiro, um saldo de sete tentos marcados e outros tantos desperdiçados.

Reino de Cardinal
Intervalo passado, mais 20 minutos para passar, mais tentos se esperavam. Numa batalha com ar­mas desiguais, não tinha ainda o Freixieiro estreado um dos seus “snipers”. Cardinal entrava para a se­gunda parte municiado e fez questão de não enjeitar o alvo. Mais três minutos passaram, mais três golos entraram na baliza do desalentado Rui Cunha. Cardinal foi sinónimo de todos eles e cumpriu a sua obrigação de artilheiro em mais uma partida. Deixava, assim, as contas em número redondo. Nada mais que dez golos sem resposta, de resto resultado que se verificou das últimas duas vezes que ambos os conjuntos se defrontaram.

Contra a dezena, abrandar
A margem não deixava dúvidas, o 10-0 explicava absolutamente tudo, mas ainda faltavam sete minutos para se jogar. Quis, por vontade própria ou não, o Freixieiro tirar o pé e abrandar a senda com os dez golos amealhados. Era de barriga farta que se fazia uma digestão “sui generis”. Não deu, contudo, para bater uma bela sesta, mas os participantes, em dez minutos, poucos momentos de interesse deram à partida. Foi, no entanto, necessário Wilson acordar toda a gente e escrever o seu nome na lista dos marcadores. À passagem do minuto 33 colocou número capicua no resultado. Uma perfeita goleada, com contornos de diferenças já vislumbradas.

Paulinho para terminar
Joaquim Brito, com o cariz da partida a influenciar, fez alinhar todos os disponíveis e até o guardião Roque jogou os últimos 15 minutos. De resto, apenas Miguel Mota foi o único jogador de campo que não teve o prazer de festejar um golo de sua autoria. Faltava ainda brilhar outro elemento. Como se costuma anunciar, o melhor fica para o fim e Paulinho terminou o jogo em beleza. Já com os homens de Vila Real a jogaram com guardião avan­çado – desde os 14 minutos – o dez do Freixieiro fez a dúzia numa jogada individual. Para a história fica ainda outro momento, o golo da UTAD. Um golo histórico, pois já á mais de cinco anos que os universitários não marcavam ao Freixieiro numa partida oficial. Contudo, não deixou Paulinho o momento ser o último facto da partida e bisou no jogo, mesmo em cima do sinal sonoro final. Arbitragem exemplar.

“Melhor índice de concretização”
Joaquim Brito Trein. Freixieiro
“Foi um bom jogo em que conse­gui­mos melhorar mui­to o nosso índice de concretização. Os jogadores estão de parabéns pela vitó­ria e pela exibição que, certamente, deliciou o público que se deslocou ao pa­vilhão. Excelente arbitragem”.

Figura: Israel
Num jogo em que o Freixieiro marcou 13 golos, distribuídos por nove jogadores Israel teve momentos que fez a diferença. Portando-se como um verdadeiro catalisador, funcionou em pleno na hora de ritmar o jogo, ligando de quando em vez o turbo. Marcou dois golos, protagonizou ataques certeiros e ofereceu mais dois tentos aos companheiros. Figura de proa neste Freixieiro, que sobe ao segundo posto na peugada do Belenenses. Se tudo isto não bastasse falta dizer que Israel alcança o topo da lista de artilheiros com oito golos no campeonato. Notável.

Por: Bruno Leite

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Edição de 03-02-2010
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