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Arquivo: Edição de 10-10-2007

SECÇÃO: Desporto


Naval voltou a vencer no Mar, cumprindo a tradição
A maldição da “besta-negra”

Liga Bwin (7ª Jornada)

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Rui Silva (Vila Real)

Leixões, 0 Naval, 1

Leixões
Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Diogo (Paulo Machado, 81) e Ezequias; Bruno China, Hugo Morais e Pedro Cervantes (Livramento, 45); Jorge Gonçalves, Tales e Vieirinha (Nwoko, 56)
TR: Carlos Brito

Naval
Taborda; Gilmar, Paulão (Fabrício Lopes, 70), Diego e China; Lazaroni (Godemeche, 54), Delfim e Hugo Santos (Saulo, 60); Davide, Marcelinho e João Ribeiro
TR: Ulisses Morais

Ao intervalo: 0-1
Marcador: Marcelino (17 g.p)
Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Diogo (16), Gilmar (24), Delfim (35 e 88), Nwoko (67), Saulo (72), Fabrício Lopes (77), Hugo Morais (86), Taborda (90), Tales (90+4) e Davide (90+5). Cartão vermelho a Delfim (88), por acumulação

À sétima jornada, o Leixões não empatou. Perdeu… triste sina a dos leixonenses na recepção à Naval, verdadeira “besta-negra” para os matosinhenses, que nunca venceram a formação da Figueira da Foz no Estádio do Mar. Aliás, o máximo que conseguiram nas últimas seis partidas entre as duas equipas foi um empate na Figueira. De resto, só vitórias para a Naval. Do jogo, sobra a ideia de um Leixões nervoso, demasiado nervoso, e a acusar a obrigatoriedade de vencer perante o seu público. A Naval, na estreia de Ulisses Morais, não deslumbrou, mas venceu bem, tendo aproveitado o erro capital de Nuno Diogo, que deu origem a uma grande penalidade, e demonstrado experiência para gerir o jogo e as emoções.

Naval mais forte

Os primeiros minutos mostraram imediatamente uma Naval mais ofensiva e atrevida, contrariando o que deveria ser a tónica natural do encontro: Leixões a dominar e a assumir as rédeas. Hugo Santos finalizou, por cima, um contra-ataque perigoso e Delfim (sim, o que foi campeão nacional pelo Sporting) logo a seguir aplicou a sua temível meia-distância. O Leixões, mesmo com Cervantes no centro do terreno (de regresso após lesão), não conseguia pegar no jogo e as tentativas de ataque não passavam disso mesmo. De tentativas… O primeiro remate, embora muito por cima da baliza de Taborda, aconteceu aos 11 minutos, autoria de Hugo Morais, que manteve a titularidade, após a boa imagem deixada em Coimbra.

Ameaça de Marco Cadete

O minuto 13 é de “frisson” no Estádio do Mar. Marco Cadete, que acompanhou uma jogada de ataque iniciada no flanco oposto, recebe a bola no lado direito, tira China do caminho e, em jeito, parece tentar cruzar para o coração da área; a bola sai em direcção à baliza e só uma excelente intervenção de Taborda (golpe de rins) evita o primeiro golo da tarde. Podia ser uma espécie de despertador para a equipa leixonense, mas foi realmente apenas uma ameaça. Logo a seguir, a Naval cria perigo, num contra-ataque conduzido por João Ribeiro (jovem promissor!) que acaba por resultar em pontapé de canto, após excelente recuperação de Hugo Morais.

Ai, o sol…

É precisamente na sequência do pontapé de canto que acontece o momento que marcou o jogo. China cobra para o interior da área e Nuno Diogo (que disse depois ter sido traído pelo sol) corta a bola com a mão. Grande penalidade indiscutível. Escusada, infantil, infeliz ok, mas sem margem para dúvidas. Chamado à conversão, Marcelinho bateu Beto, levantando imediatamente as mãos em direcção do céu. A Naval estava em vantagem. Nesta altura, talvez já sem surpresa.

Vamos lá correr atrás

É lá se viu o Leixões novamente obrigado a correr atrás do prejuízo. Uma situação que não é nova no Mar e que, mais uma vez, teve os seus custos. A tensão aumentava nas bancadas e nas quatro linhas também se assistia a uma fase mais dura, com várias faltas a serem cometidas, sobretudo, no meio-campo. Numa delas, Lazaroni derrubou Jorge Gonçalves por trás, tendo saído impune do lance, pois Rui Silva perdoou-lhe, de forma incrível, o cartão amarelo.

Só de bola parada

O máximo que o Leixões conseguia, nesta fase, era dispor de alguns livres à entrada da área. Tales foi carregado por Paulão e, na marcação do livre, Cervantes disparou ao lado (27m). Experiente, a Naval também quebrava o ritmo de jogo, inviabilizando que a equipa matosinhense também subisse de produção. Exemplo: Delfim caiu no relvado, sendo depois assistido pela equipa médica. A maca lá entrou em campo e assim se iam perdendo preciosos minutos…
O Leixões enervava-se cada vez mais.

Ansiedade e assobios

Como Brito disse no final, os jogadores queriam mas as coisas não saíam. Não havia inspiração, apenas transpiração. Era feito quase tudo em esforço. As acções atacantes, por momentos, resumiam-se às incursões de Marco Cadete pela ala direita e os seus cruzamentos para a área, onde Diego e Paulão, invariavelmente, levavam sempre a melhor sobre Tales, uma unidade claramente a menos na equipa do Mar. Em algumas ocasiões, o avançado já se mostrou útil, mas, desta vez, não fez esquecer a ausência de Roberto, que cumpriu o último jogo de castigo. No ataque, Vieirinha também se revelava inconsequente e, sem surpresa, começaram a ouvir-se os primeiros assobios.

Brasas, sob brasas…

A falta de serenidade atingia todos os jogadores. Até Beto quase complicou uma situação de fácil resolução, pois demorou ao enviar a bola para fora, pressionado por um navalista, quando se encontrava longe da baliza, perto da linha lateral. Na defesa, Nuno Diogo continuava a falhar cortes e Ezequias errava alguns passes. O Leixões não conseguia sair a jogar desde a sua defesa. A primeira parte terminava sob o coro de assobios e protestos.

Sai Cervantes, entra Livramento…

Brito mexeu ao intervalo. No fundo, troca por troca, com Cervantes a ceder o lugar a Livramento. O ex-Boavista entrou com vontade, fez dois cruzamentos, e… acabou. Na Naval, Diego não tinha quaisquer problemas em jogar feio, aliviando para a bancada e para o parque de estacionamento. Gilmar (que jogou a lateral direito) deixava-se cair no relvado e lá entrava a maca. E assim se iam passando os minutos.

Vai também Nwoko

Foi a vez de Nwoko entrar em campo, passando a actuar no miolo ofensivo. Livramento descaiu para a direita e Jorge Gonçalves passou para a esquerda. Vieirinha, em tarde cinzenta, saiu sem surpresa. Mas continuava a ser Marco Cadete, com os seus cruzamentos para a área, a manter alguma expectativa na partida. Aos 61 minutos, numa das poucas jogadas com alguma consistência, Nwoko rematou ao lado. A Naval jogava com o relógio e até dava para Taborda perder algum tempo, a solicitar a ajuda para que lhe apertassem os cordões.

Saulo para agitar

Ulisses Morais lançou então Saulo (jogador que já esteve a caminho do Leixões) e o brasileiro veio dar mais frescura e velocidade ao ataque navalista. Aos 80 minutos, e com um jogador da Naval caído no meio-campo a solicitar assistência, João Ribeiro “cresceu” pelo lado direito, cruzando, de forma irrepreensível, para a cabeça de Saulo, valendo, então, a excelente estirada de Beto para evitar o segundo golo. A defesa da tarde.

Golo… fantasma

A outra ocasião do Leixões surgiu ao cair do pano. Paulo Machado, que jogou os últimos 10 minutos, dispôs de um livre à sua medida e disparou ao… lado. Um momento de agitação no Mar, pois o público chegou a festejar o golo… que afinal não foi. Tinha sido ilusão de óptica. A derrota do Leixões estava, surpreendentemente, consumada, diante de um adversário que também ainda não tinha ganho no presente campeonato. E agora com o interregno competitivo de duas semanas (jogos das Selecções e Taça da Liga), vai custar a digerir a azia. O árbitro, Rui Silva, cometeu alguns erros a nível disciplinar, mas não teve influência no resultado, acabando por realizar um trabalho positivo.

Por: Arnaldo Martins

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Edição de 16-06-2010
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