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Arquivo: Edição de 26-09-2007

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Valeu o coração para conquistar, pelo menos, um ponto
Comprimido para a ansiedade?

Liga (5ª jornada)

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: João Ferreira (Setúbal)

Leixões, 1 Nacional, 1

Leixões: Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Diogo e Ezequias (Tales Schutz, 76); Jorge Duarte (Nwoko, 46), Bruno China e Paulo Machado (Hugo Morais, 55); Jorge Gonçalves, Roberto e Vieirinha
TR: Carlos Brito

Nacional: Diego Benaglio; José Vítor, Cardozo, Ricardo Fernandes e Alonso; Cléber, Bruno Amaro e Fellype Gabriel (Edu Sales, 54); Juliano Spadacio, João Moreira (Ávalos, 77) e Lipatin (Rodrigo, 85)
TR: Pedrag Jokanovic

Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Lipatin (15) e Nuno Diogo (80)
Disciplina: Cartão amarelo a Vieirinha (16), José Vítor (31) e Ricardo Fernandes (54)

Carlos Brito tinha admitido na antevisão à partida que estava expectante quanto à reacção da equipa face à pressão inerente ao primeiro jogo em casa, após ter actuado em terreno emprestado (Bessa e Maia) em duas das jornadas da Liga. O treinador não queria obsessão na busca da primeira vitória no campeonato, mas inteligência e ciência para um jogo de sentimento especial pelo regresso ao palco das romagens diárias dos adeptos e jogadores. O universo leixonense estava com fé, mas a ansiedade fez-se sentir em demasia nos jogadores. Para complicar o estado de coisas, do outro lado surgiu uma equipa experiente, consistente, senhora do seu nariz, que causou imensos problemas à equipa de Matosinhos. Isto é a primeira Liga, meus amigos…

Aposta em Jorge Gonçalves

Em relação à partida no Bessa, onde o Leixões empatou a zero, verificaram-se duas alterações. Vieirinha regressou naturalmente ao onze, após ter cumprido um jogo de castigo, e Jorge Gonçalves acabou também por ser aposta para a equipa inicial, após ter estado ausente da última partida, devido a lesão. Filipe Oliveira, que se tinha estreado frente aos axadrezados, ficou no banco e Nwoko foi o principal sacrificado. Esperava-se a titularidade do africano, que sempre que entra acrescenta qualquer coisa, mas Carlos Brito optou por Jorge Gonçalves, uma sobrenatural força da natureza. Aliás, não é por acaso que, nos últimos tempos, tem recuperado rapidamente de algumas mazelas.

Início envergonhado

O começo da partida fica marcado por um tremendo respeito mútuo. O receio de errar prevaleceu sobre a vontade de encantar e as equipas optaram por esperar que acontecesse alguma coisa em vez de forçar o que quer que fosse. Neste período, que durou 15 minutos, realce apenas para um pontapé de Paulo Machado e um cruzamento de Ezequias para a área madeirense. Como disse recentemente Mourinho, faltava sal e pimenta à coisa.

Um erro, um golo…

Na Liga, não há espaço para perdão. Um erro pode deitar tudo a perder e, de facto, sem que nada o fizesse prever o Nacional chegou à vantagem, beneficiando de uma falha do meio-campo leixonense, após perda de bola de Bruno China. Juliano Spadacio solicitou a corrida de Fellype Gabriel e o extremo rompeu facilmente pelo lado esquerdo do ataque, assistindo depois Lipatin (em posição ilegal?) que praticamente se limitou a encostar para o fundo das redes. Do nada, o Nacional passava para a frente do marcador e o Leixões estava agora obrigado a correr atrás do prejuízo.

Sem reacção

O Leixões demorou a reagir. A equipa acusou muito a desvantagem e, aí sim, o Nacional esteve por cima, criando problemas à defesa leixonense. Os extremos madeirenses causavam desequilíbrios e Juliano esteve perto de marcar, mas Beto segurou a “bomba”, evitando males maiores para a sua equipa. Carlos Brito sentia que a equipa não conseguia assentar o jogo e acalmar-se e fartava-se de dar indicações para dentro do campo.

Apenas cócegas

Paulatinamente, o Leixões foi conseguindo subir no terreno, jogando, assim, mais próximo da área madeirense. Mas continuava a faltar velocidade para desmontar a bem armada teia nacionalista. Até ao intervalo, o Leixões conseguiu apenas um remate de meia-distância, por Jorge Gonçalves, que Diego Benaglio (seguríssimo durante toda a partida) encaixou com facilidade, e um cabeceamento ao lado de Nuno Diogo. Só cócegas, portanto…

Entra Nwoko

Carlos Brito tinha de fazer alguma coisa e fê-lo. Deixou Jorge Duarte nas cabines, ao intervalo, e lançou o exótico Nwoko, que apesar de ter demorado a “entrar” no jogo voltou, mais uma vez, a ser determinante no resultado. O recomeço mostra um Leixões mais sintonizado e com maior volume ofensivo, tendo Roberto dado o primeiro aviso, num cabeceamento ao lado, após canto cobrado por Vieirinha.

Gigante Beto

Longe de massacrar, o Leixões estava mais dominador, mas dado muito espaço para os perigosos contra-ataques do Nacional. Aí valeu Beto, um gigante a negar o golo a Spadacio e, depois, a Lipatin, que rodou muito bem na área leixonense antes de rematar à baliza. Beto mantinha, assim, intactas as aspirações rubro-brancas em evitar a derrota.

Muda o chip

Entrávamos na recta final e Carlos Brito percebeu que tinha de dar mais poder de fogo para chegar ao golo. Lançou Tales, retirando um defesa (Ezequias), e mudou o chip, passando a jogar com mais uma unidade ofensiva. Nessa ocasião, Hugo Morais fechou mais na esquerda. Jokanovic respondeu com a entrada de um central, o “abominável” Ávalos, mas o plano ia sair-lhe furado.

Herói inesperado

O empate acontece aos 80 minutos e com assinatura de um herói improvável. Nuno Diogo assumiu a condição de matador, cabeceando para o fundo das redes, depois de uma assistência, também de cabeça, do brasileiro Tales. No acto, destaque para o cruzamento de Nwoko para a entrada do avançado e, antes, para a boa leitura de Jorge Gonçalves que endossou a bola ao nigeriano. A dez minutos do fim, o Leixões chegava ao empate e mostrava coração e calma para lutar por algo mais.

Raio de poste

Já com Vieirinha em défice físico – teve até que ser assistido –, o Leixões dispõe de uma ocasião soberba para chegar ao triunfo, o que a acontecer, também verdade seja dita, seria um castigo demasiado pesado para a aplicada formação madeirense. O empate assenta, de facto, muito bem à partida. Mas o futebol é pródigo em surpresas e, no ocaso da aventura, o Leixões esteve perto da vitória, num remate violento de Jorge Gonçalves que levou a bola a bater no… poste. O Mar ouviu um imenso bruá nesse instante, sem dúvida, um dos grandes momentos da tarde. No final, empate a uma bola, o quinto empate da época para o Leixões e a terceira igualdade para a equipa que viajou desde a ilha da Madeira.
O árbitro, João Ferreira, pecou no capítulo disciplinar. Impressionante, por exemplo, como Bruno Amaro terminou a partida sem ter visto um único cartão amarelo. Deixar jogar é outra coisa…


Por: Arnaldo Martins

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Edição de 16-06-2010
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