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Arquivo: Edição de 19-09-2007

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Deuses viraram as costas a Roberto e malapata persiste ao quarto acto da época
Vitória, por onde andas?

Liga Bwin (4ª Jornada)

Jogo no Estádio do Bessa, no Porto
Árbitro: Paulo Costa (Porto)

Boavista, 0 Leixões, 0

Boavista
Carlos; Rissut, Marcelão, Ricardo Silva e Jorge Ribeiro; Diakité, Gajic (Moisés, 73) e Fleurival (Ivan, 55); Zé Kalanga (Edgar, 62), Bangoura e Mateus
TR: Jaime Pacheco

Leixões
Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Diogo e Ezequias; Bruno China, Jorge Duarte (Hugo Morais, 70) e Paulo Machado (Ruben, 85); Filipe Oliveira (Tales, 57), Roberto e Nwoko
TR: Carlos Brito

Disciplina: Cartão amarelo a Rissut (35), Elvis (66), Mateus (80) e Edgar (90)

O empate continua a predominar no vocabulário leixonense. Quem tanto falha só se pode queixar-se de si próprio ou da inspiração divina. Mas o que se pode fazer mais para quebrar a malapata da igualdade? Começa o Leixões a desesperar com o infortúnio e a somar pontinho atrás de pontinho. Podia ser este o jogo do reencontro com as vitórias, que há muito fogem aos matosinhenses. No Bessa, houve momentos e oportunidades para festejar, mas os Deuses e sabe-se lá mais o quê – que responda Roberto – não estiveram com o artilheiro. Por outro lado, o Boavista esporadicamente podia ter feito balançar as redes de Beto, mas o saldo também foi nulo.
Na primeira vez que o Leixões não sofreu golos, também não conseguiu facturar. À vista desarmada, o sentimento de “mal menor” salta à tona, até pelas ausências registadas, mas, feito o resumo da partida, ninguém se esquece daquele lance de Roberto ao minuto 72…

Pantera por cima

Com três baixas de vulto – Vieirinha, Pedro Cervantes e Jorge Gonçalves – Carlos Brito teve de fazer mexidas no “onze” e também no modo de actuar. Filipe Oliveira estreou-se e a titularidade também foi concedida a Jorge Duarte e Nwoko. O triângulo de meio-campo foi desenhado de forma diferente: China jogou recuado junto de Jorge Duarte e apenas Paulo Machado no vértice da frente.
Filipe Oliveira na ala direita e Nwoko na esquerda foram as escolhas de Carlos Brito para colmatar a ausência dos extremos habituais. Com todas estas trocas, foi o Boavista de Jaime Pacheco que começou por cima. Com dois angolanos nas alas – Zé Kalanga e Mateus –, os axadrezados controlaram os primeiros 20 minutos e causaram alguns calafrios ao meio-campo defensivo leixonense. Aperto que terminou com uma jogada de perigo, Zé Kalanga a surgir solto na direita e a atirar às malhas laterais de Beto.

Acertar e desperdiçar

Custou ao Leixões acertar o seu jogo e introduzir confiança nas suas peças. Filipe Oliveira e Nwoko dificilmente passavam os seus opositores e Roberto não podia resolver tudo. Quando, finalmente, a concentração caiu nas cabeças dos matosinhenses e o jogo do Boavista começou a ser estancado, a música foi outra. Sem nunca deslumbrar ou pegar verdadeiramente na partida, os homens do Mar acertaram as pontas, mas começaram a desperdiçar as ocasiões. Roberto – que leva que contar do Bessa – começou ao minuto 25 e depois aos 30 a falhar o alvo em dois cabeceamentos ao lado da baliza de Carlos.

Relvado anula artistas

Se a pontaria ainda não estava afinada, outro factor condicionante se juntou ao jogo: o relvado, que rapidamente se transformou numa espécie de terra balofa. O que é certo é que estava para as duas equipas e, neste aspecto, também descaiu o Boavista e os malabaristas de um lado e outro nunca conseguiram deslumbrar.

Nem Nuno Diogo, nem Jorge Duarte…

Decorria, assim, a primeira metade, com o empate a persistir num jogo que, apesar de não estar a caminhar para um nível brilhante, começava a ter mais ritmo. Mas nem com ritmo ou falta dele a bola entrava no sítio certo. Exemplos de desperdícios deram Nuno Diogo e Jorge Duarte. O primeiro, após um livre de Ezequias, tinha tudo ao segundo poste para encostar de cabeça para golo. Depois, já a roçar o minuto 45, Roberto resolve fazer das suas: ganha a bola na frente, temporiza e descobre, à entrada da área, Filipe Oliveira, que endossa a bola para Jorge Duarte; este tinha tudo e mais alguma coisa para ser feliz, mas o pé esquerdo não estava para aí virado.
Fim de acto, tudo para as cabines que o relvado e o desperdício não davam para mais.

Carlos Brito arrisca

Aparece, no início da segunda metade, novamente o maior gás dos comandados de Jaime Pacheco. Um Boavista com sinal mais, embora diante um Leixões já de sobreaviso. Altura para o desperdício cair para o lado da casa e fazer com que Diakité falhasse de forma incrível uma cabeçada à boca da baliza. Bastou este aviso para fazer saltar do banco Carlos Brito e, consequentemente, Tales Schutz. O timoneiro matosinhense retirou Filipe Oliveira – com pouca dinâmica – e lançou mais um avançado. Arriscava o treinador e colocava Tales a descair para a esquerda do ataque e Nwoko na ala contrária, os dois mais perto de Roberto. Era a aposta na vitória. Tal como apregoava durante a semana, e como se tinha verificado nos jogos anteriores, nunca o Leixões de Carlos Brito tinha jogado para empatar, apesar de só ter logrado igualdades. Na prática, nada resultou em pleno e até se gritou golo no Bessa num livre directo de Jorge Ribeiro, que passou ao lado da baliza de Beto. Logo a seguir, mais uma mexida no “onze”, com Jorge Duarte, exausto, a ceder o lugar à irreverência e frescura de Hugo Morais.

Roberto perdido no tempo

O nulo persistia e o síndroma do empate pairava no estádio. Não havia meio de um golinho surgir para animar o meio milhar de leixonenses, que se fizeram representar no Bessa. E bem podiam ter feito festa à passagem do minuto 72: Bruno China descobriu Roberto solto à entrada da área, o brasileiro recebeu a bola mas perdeu-se no tempo. Só com Carlos a fazer a mancha, tirou o guardião da frente, deu um, dois, três, quatro, cinco… toques na bola… até que já estava meia equipa do Boavista dentro da pequena área, acabando o esférico por sair da zona de perigo. Não queria o centro-avante acreditar, desesperavam todos no banco e na bancada, questionando: o que se passou, Roberto?

Estava escrito…

Precisava o Leixões e, sobretudo, Roberto de se refazerem rapidamente do infortúnio e partir para cima de um Boavista cada vez mais dominado. Por hora, já Zé Kalanga tinha abandonado o campo e dado mais descanso a Ezequias. Se dúvidas houvessem, não tardaram a ficar desfeitas com mais dois desperdícios de… Roberto.
A livre de Ezequias, o brasileiro com a baliza à mercê respondeu com uma cabeçada para fora. E a cereja que podia ter sido colocada no cimo do bolo foi atirada borda fora por… Roberto. Parecia que estava escrito. Numa bola perdida na área, Tales domina o esférico e atira para a boca da baliza onde Roberto toca de cabeça… por cima.
O nulo era mesmo a realidade triste para o Leixões, que irá procurar, agora, no Mar, a primeira vitória da época, diante do Nacional.
O árbitro, Paulo Costa, pecou no capítulo disciplinar. Rissutt, por exemplo, fartou-se de massacrar os atletas leixonenses, com entradas demasiado ríspidas, e acabou por concluir os 90 minutos, sendo poupado ao segundo cartão amarelo.


Por: Bruno Leite

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Edição de 10-02-2010
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