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Arquivo: Edição de 19-09-2007

SECÇÃO: Desporto


Leça - Relaxamento precoce deitou tudo a perder
Marcar, maravilhar e… dormir

Campeonato Nacional da II Divisão (4ª Jornada)

Jogo no Estádio do Leça FC, em Leça da Palmeira
Árbitro: Rui Patrício (Aveiro)

Leça, 1 Caniçal, 2

Leça
Fábio; Fernando (Magalhães, 70), Couto, Luisão e Cambey; Jerónimo, Madureira e Braga; Bruno, Sérgio (Wesllem, 60) e Hugo Paiva (Carlitos, 63)
TR: Jorge Madureira

Caniçal
Tiago Letal; Celsinho, Rui, Paulinho e Pinheiro; Tiago Costa, Gustavo (Daniel, 84) e Alex; Dércio, Dhiego (Erivaldo, 45) e Rodrigo (Walter, 69)
TR: Flávio Neves

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Sérgio (28), Cambey (p.b. 59) e Gustavo (62)
Disciplina: Cartão amarelo a Pinheiro (8), Luisão (13), Braga (31), Carlitos (70), Rui (83), Dércio (85), Couto (84), Walter (90+2) e Daniel (90+3)

Não está a correr da melhor forma o regresso do Leça à II Divisão. Depois da vitória na jornada inaugural frente ao Lourosa, os comandados de Jorge Madureira somam três derrotas consecutivas, atrasando-se deste modo na tabela classificativa face aos lugares que dão acesso à permanência. O último capítulo aconteceu frente ao Caniçal, num encontro em que o técnico e responsáveis leceiros terão que tirar algumas ilações sobre aquilo que se passou na etapa complementar da partida. Após uma primeira parte de bom nível, o Leça desceu abruptamente de rendimento após o intervalo e foi castigado com a perda de três pontos que estavam perfeitamente ao seu alcance.

Assumida a importância do jogo

Com as duas derrotas averbadas nos últimos encontros disputados (Sp. de Espinho e Marítimo B), o Leça tinha a perfeita noção da importância que o jogo frente à formação madeirense acarretava. Os comandados de Jorge Madureira entraram na partida com enorme vontade em chegar rapidamente ao golo e cedo assumiram o controlo do jogo. Porém, a ascendência sobre a partida era territorial, não se assistindo a lances de real perigo.
Quando o Leça passou a trocar a bola de forma rápida e em progressão as oportunidades foram aparecendo. A primeira ocasião de golo surgiu aos 18 minutos, por intermédio de Jerónimo (o melhor em campo), numa jogada em que o remate do trinco leceiro saiu junto ao poste esquerdo da baliza insular. No minuto seguinte, Braga tabelou bem com Bruno, mas o remate de forma acrobática saiu ao lado do alvo.

Verdadeiro hino ao futebol

Com os contornos a que a partida se ia desenrolando e pelas oportunidades já criadas, o Leça já fazia por merecer a vantagem no marcador. O prémio para o conjunto leceiro viria a ser dado por intermédio de Sérgio, avançado que concluiu uma movimentação ofensiva espectacular numa verdadeira obra de arte. A jogada do golo inicia-se no incansável Jerónimo que, após tabelar com Braga, coloca espectacularmente a bola nas costas da defesa, onde aparece Sérgio a empurrar para golo após tirar o guarda-redes e um defesa do caminho com uma primorosa finta de corpo. Momentos espectaculares que deliciaram os cerca de mil espectadores presentes.

Desperdiçar oportunidades

O golo apontado por Sérgio surtiu efeitos contraditórios entre o conjunto leceiro. Primeiramente, serviu de calmante; a equipa passou a jogar com maior tranquilidade e a dispor de duas oportunidades de golo que viriam a ser desperdiçadas devido à falta de pontaria na hora do remate. De seguida, após o intervalo, teve o efeito de um tranquilizante, causando um adormecimento (quase) colectivo entre os jogadores leceiros.

Adormecimento ou falta de ambição?

Depois de uma primeira parte de grande nível, nada faria prever a péssima exibição que o Leça viria a protagonizar na etapa complementar. Foi um conjunto leceiro distraído, sem ideias, confuso e desinspirado o que regressou ao relvado após o intervalo. As consequências de todos estes factores só poderiam ter um cenário: a derrota. O resultado negativo acabou por prejudicar a falta de atitude de uma equipa jovem que terá que ter na vontade e no querer os atributos para ultrapassar a maior experiência dos seus adversários.

Infelicidade de Cambey

Aproveitando o desleixamento leceiro, os homens do Machico não tardaram em levar pela primeira vez o perigo junto a baliza de Fábio. Estavam decorridos quatro minutos da segunda parte quando o recém-entrado Erivaldo provocou o primeiro calafrio junto das hostes locais, tendo o remate do jogador madeirense saído por cima da baliza leceira. O Leça ainda reagiu por intermédio de Bruno, mas o remate em vólei de um dos mais inconformados atletas locais saiu sem a direcção desejada.
Como se não bastasse a fraca prestação que o Leça estava a apresentar pós intervalo, o infortúnio também se viria a abater sobre Cambey. O lateral esquerdo foi bastante infeliz numa jogada em que introduziu a bola na própria baliza, após um remate cruzado de Dércio já depois da bola ter embatido no poste da baliza à guarda de Fábio. Se é certo que Cambey foi infeliz, não será menos verdade a inexplicável passividade com que a defensiva local enfrentou o lance que originou o empate.

Gustavo respondeu a Sérgio

Três minutos depois do Caniçal ter garantido a igualdade no marcador, o Leça viria a sofrer um novo revês; a uns 30 metros do alvo, Gustavo desferiu um potente remate com a bola a ganhar um efeito que a levou a entrar junto ao ângulo esquerdo da baliza à guarda de Fábio. Um grande golo. Com dois golos sofridos num curto espaço de tempo, o Leça passou a correr atrás do prejuízo. Contudo, a procura em anular a desvantagem foi feita sem grande coesão e organização.

Reacção sem efeitos práticos

Passando a actuar mais com o coração do que com a cabeça, o Leça optou por lançar o “chuveirinho” sobre a área adversária e, já com Luisão no papel de ponta-de-lança, ainda dispôs de três oportunidades de golo. No entanto, o guarda-redes Tiago mostrou-se sempre superior em negar os intentos leceiros. A derrota leceira castiga a má segunda parte que a equipa realizou.
Fraca arbitragem. As decisões da equipa de arbitragem foram quase sempre em prejuízo do Leça, porém, não tiveram influência directa no resultado.

Jorge Madureira – Treinador do Leça
“Péssima segunda parte”

“Realizámos uma primeira parte muito boa. Depois fizemos uma segunda metade muito má, péssima mesmo. Entrámos com alguma intranquilidade e sofremos dois golos em cinco minutos, o que viria a intranquilizar ainda mais a equipa. Não podemos sofrer golos assim. Vou reunir com o presidente e os jogadores para ver o que poderemos fazer”.


Figura
Jerónimo – Incansável
O trinco da equipa de Jorge Madureira foi um verdadeiro todo-o-terreno, acabando o jogo como lateral direito. Laborioso e actuando sempre em prol do colectivo, correu quilómetros e em momento algum virou a cara à luta. Esteve perto de marcar aos 18 minutos, assinando depois, em grande estilo, a assistência para o golo de Sérgio.

Um-a-Um
Madureira maestro e Bruno inconformado

Fábio: Seguro. Não teve culpa nos golos sofridos.
Fernando: Exibição estável. Defendeu bem e ainda tentou ajudar o ataque.
Luisão: Não esteve ao seu melhor nível. Desatento na abordagem a alguns lances.
Couto: Tal como o seu companheiro de sector não realizou uma boa exibição.
Cambey: Foi infeliz no auto-golo.
Madureira: O maestro da equipa. Não sabe jogar mal.
Braga: Revelou bons pormenores mas foi inconstante.
Bruno: Inconformado. Esteve incansável na procura da obtenção de um resultado positivo. Foi quem mais desequilibrou.
Sérgio: Um golo de bandeira e pouco mais.
Hugo Paiva: Desinspirado.
Wesllem: Revolucionou o futebol ofensivo da equipa. Boa actuação.
Carlitos: Não acrescentou nada.
Magalhães: Desaparecido…

Presença notada
Nuno Oliveira assistiu à partida

Nuno Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, foi presença notada no jogo que opôs o Leça ao Caniçal. O autarca esteve na tribuna presidencial acompanhado por Fernando Monteiro, presidente do Leça, e apadrinhou a apresentação dos escalões de formação do clube. No intervalo do jogo, Nuno Oliveira desceu ao relvado para cumprimentar e louvar a presença dos futuros craques. Também Pedro Tabuada, presidente da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, marcou presença no apoio à equipa mais representativa de Leça da Palmeira.

Por: Norberto Sousa

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Edição de 03-02-2010
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