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Arquivo: Edição de 05-09-2007

SECÇÃO: Desporto


Erros defensivos, péssima arbitragem e anti-jogo forasteiro na origem da derrota
Prejudicados a todos os níveis

II Divisão - 2ª Jornada Estádio do Leça FC, Leça da Palmeira Árbitro: João Henriques (Coimbra)
Leça, 1 - Sp. Espinho, 2
Leça: Fábio; Fernando (Lutchindo, 54), Luisão, Couto e Luís; Madureira, Jerónimo e Braga; Bruno, Sérgio (Wesllem, 45) e Carlitos (Paulo Ferreira, 22) TR: Jorge Madureira
Sp. Espinho: Marcelo Galvão; Bruno Lucas, Hélder Vasco, Amorim (Tavares, 68) e Valença; Marco Abreu, Nuno Coelho, Juarez e Flávio Casal (Pedro Mendes, 76); Moreira e Leandro (Fábio Espinho, 80) TR: Amândio Barreiras
Disciplina: Cartão amarelo a Bruno (28), Ma­du­reira (45), Luisão (47), Moreira (69), Marcelo Galvão (81), Marco Abreu (84) e Hélder Vasco (90+4)
Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Moreira (4), Nuno Coelho (51) e Bruno (76)
Na recepção ao Sporting de Espinho, o Leça não conseguiu dar con­tinuidade à vitória alcançada na jornada inaugural do campeonato, frente ao Lourosa (0-1). As falhas de­fensivas aliadas à péssima arbitragem com dualidades de critérios gritantes e ao sucessivo anti-jogo do adversário não permitiram ao conjunto de Jorge Madureira obter um resultado positivo na estreia da equipa sobre os seus adeptos. A juntar a todos estes factores, o Leça não patenteou alegria em jogar futebol, aspecto que caracterizava a equipa na temporada transacta onde o sucesso é sobejamente reconhecido.

Entrar a perder
Apresentando um onze com apenas duas caras novas (Luís e Carlitos) em relação à época passada, o Leça entrou no encontro algo desconcentrado e sem dinâmica competitiva. Aproveitando-se do ador­me­­cimento colectivo local, a ex­­periente equipa do Sp. Espinho ce­do pegou nas rédeas do jogo para, pouco depois, demonstrar que em alta competição não se po­de facilitar. Na cobrança de um pontapé de canto, o avançado Moreira apareceu liberto de marcação junto ao segundo poste para, tranquilamente, emendar para golo.

Reacção à desvantagem
O tento sofrido serviu de abanão para o grupo leceiro que, a partir daí, despiu o traje de gala para vestir o fato-macaco. Em desvanta­gem, o onze lançado pelo técnico leceiro tratou logo de reagir e a corrida contra o prejuízo poderia ter tido efeitos imediatos; estavam de­cor­ridos sete minutos quando Fernando lançou Bruno em profundidade para as costas da defesa, passe que isolou o atacante leceiro e que só não teve o efeito desejado porque o número oito local foi demasiadamente lento no cara-a-cara com o guarda-redes contrário.

Paulo Ferreira lançado pelo técnico
Sob a batuta de Braga e Bruno, o Leça começava a ganhar moral e passou a jogar mais perto da área adversária no intuito de inverter o rumo dos acontecimentos. Contudo, a inoperância ofensiva de alguns dos seus elementos travava as aspirações locais. Perante tal ce­ná­rio, Jorge Madureira efectuou uma alteração ainda antes da pri­mei­ra metade da etapa regulamen­tar. O avançado Paulo Ferreira rendeu o desinspirado Carlitos e foi ac­tuar para o lugar de Sérgio, até en­tão o ponta-de-lança. Por seu turno, Sérgio passou a actuar pelas faixas laterais, terrenos onde não se ambientou, sendo, por isso, rendido ao intervalo por Wesllem.

Todos viram… menos o árbitro
Foi já com Paulo Ferreira em campo que o árbitro fez vista-grossa a uma grande penalidade que beneficiava o Leça. No coração da grande área um defesa forasteiro cortou com o braço o remate de Bruno, lance em que os muitos adeptos ficaram incrédulos pelo juiz da partida não ter marcado o castigo máximo que po­deria ter dado o empate ao Leça. An­tes da jogada em que o Leça foi cla­ramente prejudicado, a sorte esbateu-se sobre a baliza de Fábio quando o remate de Leandro levou o esférico a bater com estrondo na trave.
Ainda antes do intervalo, o Leça po­deria ter chegado ao golo da igualda­de, porém, o cabeceamento de Luisão levou a bola a rondar a linha de baliza.

Falha defensiva e anti-jogo complicam
A primeira meia hora da etapa complementar ficou marcada por dois aspectos que se viriam a revelar decisivos no desfecho final: o segundo golo dos tigres da costa verde e o su­cessivo anti-jogo da equipa orien­ta­da por Amândio Barreiras. Numa perda de bola imperdoável do defesa esquerdo Luís, Nuno Coelho apro­veitou da melhor forma o des­li­ze do reforço leceiro para bater Fábio e alargar a vantagem dos fo­rasteiros para dois golos.
Após o segundo golo dos espinhen­ses assistiram-se a cenas que em nada beneficiam o futebol. Em cada jogada que disputavam, os joga­do­res do Sp. Espinho ficavam caídos no relvado, pretendendo ser assis­tidos pela equipa médica. A jun­tar a tudo isto, o árbitro permitiu que os visitantes pudessem alimentar o anti-jogo, factor que levava ao desespero técnicos e jo­­­gadores leceiros. Em cinco vezes que o jogo esteve parado, apenas numa situação se verificou que o atleta, nesse caso Amorim, necessitava mesmo de auxílio médico.

Bruno reacende esperança
Numa fase em que as pausas de jogo sucessivas impediam a turma local de imprimir um ritmo constante à partida, foi, até, com alguma surpresa que o Leça chegou ao golo. Num momento de inspiração de Bruno, o talentoso jogador serviu Paulo Ferreira que, de costas para a baliza, segurou a bola para o seu companheiro vir de trás e fuzilar autenticamente as redes adversárias. Um grande golo que devolveu as esperanças às hostes locais.

Mas não se fez justiça
Mesmo em cima do final da partida, o Leça poderia ter empatado o marcador. Na cobrança de um livre indirecto em zona frontal, Madureira enviou a bola com selo de golo para a baliza adversária, porém, Marcelo Galvão estava bem colocado e impediu que o remate do capitão leceiro colocasse justiça no marcador. Foi o canto do cisne do Leça. Péssima arbitragem em claro benefício da formação forasteira.

Estilo britânico
Banco em movimento
Uns dos factores que chamaram à atenção a quem se deslocou ao estádio foram as movimentações ocorridas no banco leceiro. Desde o golo dos tigres, aos quatro minutos, Jorge Madureira ordenou que estivessem sempre três jogadores a aquecer, uma opção muito comum em terras britânicas e que, cada vez mais, se tem vindo a tornar uma preferência entre os homólogos europeus. Paulo Ferreira foi a primeira opção a ser lançada pelo técnico, estavam decorridos 22 minutos. Seguiram-se Wesllem ao intervalo e o jovem Lutchindo no início da etapa complementar.

“Deixamos a desejar”
Jorge Madureira – Leça FC
“Na primeira parte, deixamos muito a desejar. Ficamos em desvantagem, num lance para o qual estavamos aler­tados e depois nunca nos encontramos. O segundo golo do Espinho tornou tudo mais complicado. Vamos levantar a cabeça e pensar já na próxima partida”.

Figura:
Bruno
Apesar de não ter realizado uma exibição de encher o olho foi o que mais de destacou no con­junto leceiro. Desmultiplicador de funções, procurou criar desequilíbrios na defensiva adversária em (quase) todas as zonas do terreno. Alternou o seu posicionamento entre as alas e o miolo do rectângulo sempre na esperança de poder alvejar com êxito a baliza contrária. O coroar do esforço despendido em prol da equipa aconteceu, aos 76 minutos, com a obtenção de um grande golo.

Por: Norberto Sousa

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Edição de 16-06-2010
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