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Arquivo: Edição de 05-09-2007

SECÇÃO: Desporto


Terceiro empate, num jogo em que os bebés deixaram o adversário ressuscitar
Falhou a estocada final

Estádio Prof. dr. Vieira de Carvalho, Maia
Árbitro: Paulo Batista (Portalegre)
Leixões, 2 - Guimarães, 2
Leixões: Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Diogo e Ezequias; Bruno China, Paulo Machado (Livramento, 79) e Pedro Cervantes (Hugo Morais, 13); Jorge Gonçalves (Nwoko, 84), Roberto e Vieirinha TR: Carlos Brito

Guimarães: Nilson; Sereno, Geromel, Radanovic e Luciano Amaral (Targino, 61); Flávio Meireles (Ghilas, 46) e João Alves; Alan (Desmarets, 46), Carlitos e Fajardo; Miljan TR: Manuel Cajuda.
Ao intervalo: 2-1
Marcadores: Paulo Machado (6), Fajardo (19 e 78) e Vieirinha (36)
Disciplina: Cartão amarelo a Vieirinha (36 e 69), Flávio Meireles (43) e Sereno (72); Cartão vermelho a Radanovic (45) e Vieirinha (69), este por acumulação
Golões de Vieirinha e Paulo Machado não foram suficientes para garantir o primeiro triunfo no campeonato

Sob o signo do três. Ao final da ter­ceira ronda da Liga, o Leixões soma três pontos, fruto de três empa­tes (Benfica, Paços de Ferreira e Gui­ma­rães). Se nas duas jornadas an­teriores, a equipa leixonense teve de correr atrás do prejuízo, desta vez, andou na frente, por duas ve­zes, e teve tudo para garantir o pri­meiro triu­nfo.
Falhou a estocada final, no começo da segunda parte, para vergar definitivamente um adversário que se mostrou vulnerável nesse período e que, caso sofresse o terceiro golo, nunca mais se levantava. O Leixões foi misericordioso e tramou-se. Fajardo, em noite inspirada, vestiu a pele de conquistador e deu um ponto à sua equipa.

Grande ambiente
A jogar em casa emprestada, na Maia, o Leixões contou com o apoio dos seus adeptos, que compareceram em bom número, apesar do encontro ser transmitido pela SportTV. O Guimarães também se fez acompanhar dos seus fiéis pro­sé­litos, contribuindo para um gran­de ambiente nas bancadas. E, feliz­mente, desta vez, para bem do es­pectáculo, não houve incidentes a registar entre as duas facções de adeptos. Assim é bonito.

Bomba a 31 metros
Sem surpresa, Carlos Brito manteve o onze que tão boa conta deu de si frente ao Benfica e Paços de Ferreira. E o início, dificilmente, po­dia ser melhor, pois, aos seis minutos, Paulo Machado disparou uma bomba a 31 metros da baliza do Guimarães, batendo o surpreendido Nilson. Era o começo de uma noite cheia de golos de levantar o estádio. O livre, que deu origem ao primeiro golo da partida, surgiu na sequência de uma falta de João Al­ves sobre o buliçoso Jorge Gon­çal­ves, que esteve muito dinâmico durante toda a primeira parte.

13 foi minuto de azar
Apesar de defrontar um adversário que apostava nas trocas constantes dos seus elementos mais avançados, o Leixões parecia ter o jogo controlado e estava já em vantagem. Mas, aos 13 minutos, sofreu o pri­meiro revés, com a lesão de Pedro Cervantes. O médio, que vinha a dar excelentes indicações neste início de época, teve de ser substituído, entrando o aguerrido Hugo Morais para o seu lugar. Bruno China mantinha-se à frente da defesa e, agora, Pau­lo Machado passava a ter a companhia de Hugo Morais no centro do terreno. O jogador empres­ta­do pelo F.C. Porto descaía para a direita, enquanto o número 7 actuava mais pelo lado esquerdo.

Erro castigado com golo
A vantagem do Leixões acabou por du­rar pouco tempo. Aos 19 minutos, Luciano Amaral arrancou pelo la­do esquerdo do ataque, cruzando pa­ra o interior da área leixonense; Eze­quias não conseguiu afastar a bo­la da zona de perigo, sobrando o esfé­rico para o oportuno Fajardo, que re­­­matou, de pronto, para um golo de belo efeito. Voltava tudo à estaca ze­­ro.

Magia de Vieirinha
Seguiu-se um período descontínuo até ao minuto 36, momento em que a magia de Vieirinha deixou os adeptos rubro-brancos em delírio. Após cruzamento longo de Paulo Machado, o jovem extremo usou o corpo para ganhar a posição a Sereno e, quase sem ângulo, rematou cruzado e com violência para o fundo das redes vimaranenses. Um golo calibre extra a proporcionar emoções fortes à comunidade leixonense. Nos festejos, o número 17 viu o cartão amarelo, uma situação que viria a ter os seus custos mais tarde…

Radanovic expulso
Antes do final da primeira parte, o central Radanovic viu o cartão vermelho, após ter travado Vieirinha à margem das leis. Paulo Baptista não hesitou, deixando o Vitória de Guimarães reduzido a dez uni­da­des. O Leixões acabava a primeira par­te em dupla vantagem: no marca­dor e no número de atletas em cam­po. Era preciso ter cabeça.

Cajuda arrisca
Manuel Cajuda, mesmo em debilidade numérica, foi corajoso, promovendo, ao intervalo, duas alterações de uma assentada. Ghilas e Desmarets entraram para os lugares de Flávio Meireles e Alan. O Vitória demorou a encaixar e o Leixões podia ter aproveitado para sentenciar a partida. Não foi capaz e, mais tarde, foi castigado por isso.

Não se pode esbanjar assim
Aos 49 minutos, Jorge Gonçalves lançado em velocidade por Roberto acabou por rematar frouxo para uma defesa fácil de Nilson, quando tinha Paulo Machado, no meio, em melhor posição para facturar. Logo a seguir, Vieirinha não acertou bem na bola, acabando por ver a bola sair de forma enrolada para perto de Paulo Machado que ainda rematou para a baliza, mas em posição de fora-de-jogo. Roberto (que grande segunda parte!) também atirou por cima e, mais tarde, revelou excelente leitura de jogo para isolar Hugo Morais, que foi mais rápido que os defesas vimaranenses, mas, quase na cara de Nilson, rematou ao lado. O Lei­xões tinha tudo para arrumar com a questão, mas não havia meio de dar a estocada final…

Vieirinha expulso
Um dos momentos do jogo acontece aos 69 minutos. Vieirinha, que já tinha um cartão amarelo, viu o segundo, por ter jogado a bola com mão, num lance junto ao banco vimaranense. Neste instante, as equi­pas voltavam a estar em igualdade numérica. E faltavam 20 minutos para o termo da partida. O Vitória, que também já tinha Targino em campo, força cada vez mais e o Lei­xões recua no terreno, mostrando-se, no entanto, perigoso nas saídas para o ataque. Mas a força e luci­dez já não era a mesma, pertencen­do quase sempre a Roberto as inicia­tivas mais incisivas a nível ofen­sivo.
Outra vez Fajardo
Com alguma naturalidade, o Gui­ma­rães acabou por chegar ao empa­te, num lance que até nem apa­ren­tava grande perigo. Fajardo (quem mais?) recebeu a bola após um lançamento de linha lateral, trabalhou bem o lance e fez duas simulações muito próximo de Paulo Machado e Marco Cadete antes de rematar colocado para a baliza de Be­to, guardião que ainda tocou na bola antes desta entrar. Balde de água-fria entre os leixonenses.

Nwoko quase talismã
Agora, pouco havia a fazer. A força aní­mica já não era a mesma e restavam poucos minutos para o final da partida. Ainda assim, pertenceram a Roberto mais duas ac­ções de perigo, tendo, numa delas, o nigeriano Nwoko (herói frente ao Ben­fica) estado perto do golo, mas, des­ta vez, o remate saiu ao lado. Pouco depois, Paulo Baptista dava por terminado um encontro muito bem disputado, com quatro golos daqueles que vale a pena ver ao vivo. O árbitro nem sempre foi coerente no critério disciplinar, espalhando o mal pelas aldeias.


Atento a Vieirinha, Paulo Machado e Ezequias
Pinto da Costa presente
Pinto da Costa deslocou-se à Maia para assistir ao encontro entre Leixões e V. Guimarães, a contar para a terceira jornada da Liga. O presidente do F.C. Porto contou com a companhia de Reinaldo Teles e teve a oportunidade de seguir com atenção as exibições de Vieirinha, Paulo Machado e Ezequias, atletas cedidos pelos dragões ao clube matosinhense. Curiosamente, os dois primeiros brindaram o presidente do F.C. Porto com golos de deixar água na boca. Alan, emprestado ao Guimarães, também mostrou serviço, mas apenas durante a primeira parte.


“Tivemos tudo…”
Carlos Brito – Leixões
“Tivemos tudo para ganhar. O V. Gui­ma­rães entrou melhor, mas após o golo a equipa acalmou-se. Depois, num lance algo fortuito, surgiu uma falha e a bola sobrou para o Fajardo. Na segunda parte, não aproveitámos as oportunidades. Penso que se assistiu a um belo jogo, muito competitivo. Tivemos tudo para vencer, mas pecámos na finalização. Vieirinha? Que seja uma lição para ele. Ajudou a equipa de uma forma, mas prejudicou-a de outra. Vamos trabalhar para corrigir essas situações”.

“Jogo extraordinário”
Manuel Cajuda – Guimarães
“Assistimos a um bom desafio e isso é que importa. O Vitória foi a única equipa que jogou dois jogos fora e um foi na Luz. Jogamos em qualquer lado para ganhar. Quero dar os parabéns aos jogadores, porque fizeram um dos jogos mais competitivos a que se assistiu esta época. Talvez o resultado seja melhor para nós que para o Leixões. Foi um jogo extraordinário”.

Por: Arnaldo Martins

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Edição de 16-06-2010
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