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Terceiro empate, num jogo em que os bebés deixaram o adversário ressuscitar Falhou a estocada final
Estádio Prof. dr. Vieira de Carvalho, Maia Árbitro: Paulo Batista (Portalegre) Leixões, 2 - Guimarães, 2 Leixões: Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Diogo e Ezequias; Bruno China, Paulo Machado (Livramento, 79) e Pedro Cervantes (Hugo Morais, 13); Jorge Gonçalves (Nwoko, 84), Roberto e Vieirinha TR: Carlos Brito
Guimarães: Nilson; Sereno, Geromel, Radanovic e Luciano Amaral (Targino, 61); Flávio Meireles (Ghilas, 46) e João Alves; Alan (Desmarets, 46), Carlitos e Fajardo; Miljan TR: Manuel Cajuda. Ao intervalo: 2-1 Marcadores: Paulo Machado (6), Fajardo (19 e 78) e Vieirinha (36) Disciplina: Cartão amarelo a Vieirinha (36 e 69), Flávio Meireles (43) e Sereno (72); Cartão vermelho a Radanovic (45) e Vieirinha (69), este por acumulação Golões de Vieirinha e Paulo Machado não foram suficientes para garantir o primeiro triunfo no campeonato
Sob o signo do três. Ao final da terceira ronda da Liga, o Leixões soma três pontos, fruto de três empates (Benfica, Paços de Ferreira e Guimarães). Se nas duas jornadas anteriores, a equipa leixonense teve de correr atrás do prejuízo, desta vez, andou na frente, por duas vezes, e teve tudo para garantir o primeiro triunfo. Falhou a estocada final, no começo da segunda parte, para vergar definitivamente um adversário que se mostrou vulnerável nesse período e que, caso sofresse o terceiro golo, nunca mais se levantava. O Leixões foi misericordioso e tramou-se. Fajardo, em noite inspirada, vestiu a pele de conquistador e deu um ponto à sua equipa.
Grande ambiente A jogar em casa emprestada, na Maia, o Leixões contou com o apoio dos seus adeptos, que compareceram em bom número, apesar do encontro ser transmitido pela SportTV. O Guimarães também se fez acompanhar dos seus fiéis prosélitos, contribuindo para um grande ambiente nas bancadas. E, felizmente, desta vez, para bem do espectáculo, não houve incidentes a registar entre as duas facções de adeptos. Assim é bonito.
Bomba a 31 metros Sem surpresa, Carlos Brito manteve o onze que tão boa conta deu de si frente ao Benfica e Paços de Ferreira. E o início, dificilmente, podia ser melhor, pois, aos seis minutos, Paulo Machado disparou uma bomba a 31 metros da baliza do Guimarães, batendo o surpreendido Nilson. Era o começo de uma noite cheia de golos de levantar o estádio. O livre, que deu origem ao primeiro golo da partida, surgiu na sequência de uma falta de João Alves sobre o buliçoso Jorge Gonçalves, que esteve muito dinâmico durante toda a primeira parte.
13 foi minuto de azar Apesar de defrontar um adversário que apostava nas trocas constantes dos seus elementos mais avançados, o Leixões parecia ter o jogo controlado e estava já em vantagem. Mas, aos 13 minutos, sofreu o primeiro revés, com a lesão de Pedro Cervantes. O médio, que vinha a dar excelentes indicações neste início de época, teve de ser substituído, entrando o aguerrido Hugo Morais para o seu lugar. Bruno China mantinha-se à frente da defesa e, agora, Paulo Machado passava a ter a companhia de Hugo Morais no centro do terreno. O jogador emprestado pelo F.C. Porto descaía para a direita, enquanto o número 7 actuava mais pelo lado esquerdo.
Erro castigado com golo A vantagem do Leixões acabou por durar pouco tempo. Aos 19 minutos, Luciano Amaral arrancou pelo lado esquerdo do ataque, cruzando para o interior da área leixonense; Ezequias não conseguiu afastar a bola da zona de perigo, sobrando o esférico para o oportuno Fajardo, que rematou, de pronto, para um golo de belo efeito. Voltava tudo à estaca zero.
Magia de Vieirinha Seguiu-se um período descontínuo até ao minuto 36, momento em que a magia de Vieirinha deixou os adeptos rubro-brancos em delírio. Após cruzamento longo de Paulo Machado, o jovem extremo usou o corpo para ganhar a posição a Sereno e, quase sem ângulo, rematou cruzado e com violência para o fundo das redes vimaranenses. Um golo calibre extra a proporcionar emoções fortes à comunidade leixonense. Nos festejos, o número 17 viu o cartão amarelo, uma situação que viria a ter os seus custos mais tarde…
Radanovic expulso Antes do final da primeira parte, o central Radanovic viu o cartão vermelho, após ter travado Vieirinha à margem das leis. Paulo Baptista não hesitou, deixando o Vitória de Guimarães reduzido a dez unidades. O Leixões acabava a primeira parte em dupla vantagem: no marcador e no número de atletas em campo. Era preciso ter cabeça.
Cajuda arrisca Manuel Cajuda, mesmo em debilidade numérica, foi corajoso, promovendo, ao intervalo, duas alterações de uma assentada. Ghilas e Desmarets entraram para os lugares de Flávio Meireles e Alan. O Vitória demorou a encaixar e o Leixões podia ter aproveitado para sentenciar a partida. Não foi capaz e, mais tarde, foi castigado por isso.
Não se pode esbanjar assim Aos 49 minutos, Jorge Gonçalves lançado em velocidade por Roberto acabou por rematar frouxo para uma defesa fácil de Nilson, quando tinha Paulo Machado, no meio, em melhor posição para facturar. Logo a seguir, Vieirinha não acertou bem na bola, acabando por ver a bola sair de forma enrolada para perto de Paulo Machado que ainda rematou para a baliza, mas em posição de fora-de-jogo. Roberto (que grande segunda parte!) também atirou por cima e, mais tarde, revelou excelente leitura de jogo para isolar Hugo Morais, que foi mais rápido que os defesas vimaranenses, mas, quase na cara de Nilson, rematou ao lado. O Leixões tinha tudo para arrumar com a questão, mas não havia meio de dar a estocada final…
Vieirinha expulso Um dos momentos do jogo acontece aos 69 minutos. Vieirinha, que já tinha um cartão amarelo, viu o segundo, por ter jogado a bola com mão, num lance junto ao banco vimaranense. Neste instante, as equipas voltavam a estar em igualdade numérica. E faltavam 20 minutos para o termo da partida. O Vitória, que também já tinha Targino em campo, força cada vez mais e o Leixões recua no terreno, mostrando-se, no entanto, perigoso nas saídas para o ataque. Mas a força e lucidez já não era a mesma, pertencendo quase sempre a Roberto as iniciativas mais incisivas a nível ofensivo. Outra vez Fajardo Com alguma naturalidade, o Guimarães acabou por chegar ao empate, num lance que até nem aparentava grande perigo. Fajardo (quem mais?) recebeu a bola após um lançamento de linha lateral, trabalhou bem o lance e fez duas simulações muito próximo de Paulo Machado e Marco Cadete antes de rematar colocado para a baliza de Beto, guardião que ainda tocou na bola antes desta entrar. Balde de água-fria entre os leixonenses.
Nwoko quase talismã Agora, pouco havia a fazer. A força anímica já não era a mesma e restavam poucos minutos para o final da partida. Ainda assim, pertenceram a Roberto mais duas acções de perigo, tendo, numa delas, o nigeriano Nwoko (herói frente ao Benfica) estado perto do golo, mas, desta vez, o remate saiu ao lado. Pouco depois, Paulo Baptista dava por terminado um encontro muito bem disputado, com quatro golos daqueles que vale a pena ver ao vivo. O árbitro nem sempre foi coerente no critério disciplinar, espalhando o mal pelas aldeias.
Atento a Vieirinha, Paulo Machado e Ezequias Pinto da Costa presente Pinto da Costa deslocou-se à Maia para assistir ao encontro entre Leixões e V. Guimarães, a contar para a terceira jornada da Liga. O presidente do F.C. Porto contou com a companhia de Reinaldo Teles e teve a oportunidade de seguir com atenção as exibições de Vieirinha, Paulo Machado e Ezequias, atletas cedidos pelos dragões ao clube matosinhense. Curiosamente, os dois primeiros brindaram o presidente do F.C. Porto com golos de deixar água na boca. Alan, emprestado ao Guimarães, também mostrou serviço, mas apenas durante a primeira parte.
“Tivemos tudo…” Carlos Brito – Leixões “Tivemos tudo para ganhar. O V. Guimarães entrou melhor, mas após o golo a equipa acalmou-se. Depois, num lance algo fortuito, surgiu uma falha e a bola sobrou para o Fajardo. Na segunda parte, não aproveitámos as oportunidades. Penso que se assistiu a um belo jogo, muito competitivo. Tivemos tudo para vencer, mas pecámos na finalização. Vieirinha? Que seja uma lição para ele. Ajudou a equipa de uma forma, mas prejudicou-a de outra. Vamos trabalhar para corrigir essas situações”.
“Jogo extraordinário” Manuel Cajuda – Guimarães “Assistimos a um bom desafio e isso é que importa. O Vitória foi a única equipa que jogou dois jogos fora e um foi na Luz. Jogamos em qualquer lado para ganhar. Quero dar os parabéns aos jogadores, porque fizeram um dos jogos mais competitivos a que se assistiu esta época. Talvez o resultado seja melhor para nós que para o Leixões. Foi um jogo extraordinário”.
Por:
Arnaldo Martins
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