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Arquivo: Edição de 29-08-2007

SECÇÃO: Desporto


Bwin liga - Um ponto é pouco para quem joga assim
Leixonenses saíram com um sorriso amarelo do lamaçal

Jogo Estádio da Mata Real, Paços Ferreira
Árbitro: Pedro Henriques (AF Lisboa)
P. Ferreira, 1 - Leixões, 1
Paços Ferreira: Peçanha; Ferreira, Luiz Carlos, Rovérsio e Antunes; Paulo Gomes (Furtado, 78), Dedé e Fernando Pilar (Filipe Anunciação, 69); Edson (Ricardinho 83), Carioca e Cristiano
TR: José Mota
Leixões: Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Diogo e Ezequias; Bruno China, Paulo Machado (Nwoko, 57) e Pedro Cervantes (Jorge Duarte, 90); Vieirinha (Hugo Morais, 83), Roberto e Jorge Gonçalves
TR: Carlos Brito
Ao intervalo: 0-0
Marcadores: Edson (50) e Marco Cadete (75)
Disciplina: Cartão amarelo a Peçanha (28) e Luiz Carlos (60)
A dez minutos do início da partida, quando as equipas se preparavam para entrar no relvado, com mais de mil adeptos vindos de Ma­tosinhos loucos para ver o seu clube jogar, S. Pedro resolveu entrar em cena. Um perfeito dilúvio assolou a Mata Real e transformou o relvado pacense num autêntico mar verde.
Os apoiantes leixonenses não des­mo­bilizaram e continuaram a entoar cânticos de apoio aos seus heróis. Pouco depois, Pedro Henriques deu ordem para as equi­pas darem “o corpo ao mani­­­festo”, co­me­çando o jogo debaixo de chuva intensa.
Tal como os seus adeptos, foi o Leixões que melhor se adaptou às circunstâncias climatéricas e muito cedo tomou as rédeas do jogo. Após uma primeira metade de domínio forasteiro, o Paços foi claramente manietado pela turma de Carlos Brito e raramente incomodou Beto, ao contrário do Leixões que poderia ter inaugurado o marcador por diversas ocasiões. O segundo tem­po começou com o golo caseiro de Edson, numa jogada precedida de uma bola à trave de Peçanha enviada por Vieirinha. Não desmoralizaram os matosinhenses e Carlos Brito puxou dos galões, largando os receios para lançar Nwoko no lugar de Paulo Machado. Algumas oportunidades foram desperdi­ça­das, mas acabou por aparecer um golo da forma mais invulgar. Um empate de cariz merecido, mas que não serviu para disfarçar o sorriso amarelo no final do encontro.

Boa adaptação
ao lameiro
Com uma equipa de capacidade técnica assinalável, o “lameiro” inicial não seria de agrado a Carlos Brito e seus pupilos. A verdade é que foi o Leixões que melhor se adaptou ao sucedido. Mais afoitos que os jogadores pacenses, de forma mais prática a trocar a bola, os forasteiros assumiram o encontro. A turma de José Mota foi nitidamente surpreendida pela capacidade de luta do adversário e nunca se encontrou mesmo ao longo dos primeiros 45 minutos. O primeiro quarto de hora, embora de muita dificuldade de movimentação, teve um ritmo alto e grande empenho de ambas as formações com um sinal mais vindo de Matosinhos.

Roberto quase, quase…
Uma das grandes oportunidades aconteceu com 20 minutos de jogo. Uma jogada de trabalho colectivo no ataque do Leixões, onde Ro­berto, liberto na área, e com tudo para fazer o golo, viu Paulo Gomes tirar-lhe o pão da boca. Antes, já o Leixões tinha chegado à área de Peçanha com Vieirinha e Cervantes a serem travados já na zona do castigo máximo, com Pedro Henriques a mandar seguir.
A água era abundante e as entradas fora de tempo poderiam provocar infracções. Pilar, um dos médios canarinhos, assustou pela primeira vez Beto, com um remate muito por cima, para pouco depois Roberto voltar à carga. Primeiro de cabeça, a ganhar sobre Luiz Carlos – para não variar –, cabeceou a bola a rasar o poste esquerdo de Peçanha. Pouco depois, após cruzamento da direita, com o guardião batido, tinha tudo para facturar se desse um pequeno toque na bola.
Sofrer contra a corrente
Com uma primeira metade totalmente vermelha-e-branca, os atletas do Paços de Ferreira foram para os balneários literalmente encharcados, pela chuva e pelo futebol do Leixões. José Mota haveria de mudar algo, mas a verdade é que a entrada no segundo tempo foi de maré favorável. Com cinco minutos do tempo regulamentar, o Leixões entrava por cima e Vieirinha acabava de enviar a bola a embater na trave. A jogada prosseguiu, o Paços encena o contra-golpe e o veneno deu frutos. Cristiano venceu na velocidade a Marco Cadete e no enfiamento da grande área coloca a bola em Edson que só, perante Beto, inaugura o marcador. Um golo inesperado, mas que a linha defensiva rubro-branca deveria estar avisada do cartão de visita da equi­pa de José Mota.

Nwoko e atitude
convincente
Frio, gelado um golo servido nestes preparos era mais duro que qualquer tromba de água no corpo dos adeptos leixonenses. Mas nem Carlos Brito se encolheu, nem a equipa atemorizou e nem os adeptos dei­xaram o seu emblema sozinhos no Estádio. Primeiro a dar sinal foi o treinador ao lançar o “laureado” Nwoko para o lugar de Paulo Ma­cha­do e o sinal positivo foi imediato. Cervantes tinha de ter mais preocupações de recuperação, o ni­geriano funcionava como número 10 e os três homens da frente mantinham-se abertos. Conseguiu o Leixões uma atitude convincente em busca do prejuízo e fazer a bola chegar mais vezes perto da área de Paços.

Criar e desperdiçar
De forma embalada seguiam os intentos matosinhenses, mantendo o conjunto do Paços de Ferreira em sentido permanente. Não respiravam os atletas locais com a capacidade de pressão do adversário, tendo como pano de fundo o apoio intenso da sua “affición”. A resposta leixonense traduziu-se em oportunidades de golo criadas, que, contudo, eram desperdiçadas. Desde logo os pontapés de canto eram perigo iminente para a defensiva local, e, nesse particular, Nuno Dio­go teve por duas vezes a oportunidade de brilhar. Jorge Gonçal­ves entrou também nas contas do desperdício, de cabeça, após cruzamento de Vieirinha não acertou no alvo e, a um metro de Peçanha, depois de um pontapé de canto, colocou a bola nas mãos do guardião. Nwoko parecia embalado para bi­sar no campeonato, quando conseguiu ganhar um lance dentro da área e, num remate cruzado, violento, provocou a intervenção da tarde para o guarda-redes do Paços.

“Rifa” de Marco Cadete
Minuto 75, a bola não queria ultrapassar a linha de baliza local, mas as insistências não paravam. Remates de longe, de cabeça, com pé esquerdo, de pé direito, nada bateu Peçanha. Teve de ser Marco Cadete a desembrulhar um bilhete premiado com a sorte grande, tirado num cruzamento longo, a conseguir fa­zer um golo (feliz) de bandeira. Pe­çanha foi traído pelo golpe de vista e o Leixões logrou um golo altamente justificado. Falavam 15 minutos para jogar, o resultado voltava ao inicial e agora tudo poderia acontecer. José Mota tinha de reagir e co­locou mais um avançado, Carlos Brito não desarmou e deixou a sua equipa com uma linha aberta na frente. Nos minutos seguintes, o Paços tentou o contra-golpe, mas sem sucesso, enquanto o Leixões dispôs de mais duas oportunidades para fazer a “remontada” no marcador. Merecia o Leixões mais alguma coisa da “Mata” inundada. Um golo mais para os leixonenses co­loria uma pintura perfeita e dei­xaria as hostes rubro-brancas com um enorme sorriso.
O árbitro, Pedro Henriques, não teve trabalho facilitado, mercê de uma primeira metade num relvado impraticável. Reclama o Leixões uma grande penalidade onde Vieirinha primeiro e Cervantes depois foram abalroados na área pacense.

Por: Bruno Leite

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Edição de 03-02-2010
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