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Arquivo: Edição de 09-05-2007

SECÇÃO: Desporto


Padroense - Sorrisos, cânticos e lágrimas no final de uma aventura fantástica
Campeões, allez, campeões, allez…

AF Porto – Divisão de Honra

Jogo no Estádio do Padroense, em Padrão da Légua (Matosinhos)
Árbitro: Luciano Silva (AF Porto)

Padroense, 4 Sp. Rio Tinto, 0

Padroense: Marco; Duarte (Vítor, aos 73 minutos), Miguel, Armando e Sala; Paulinho, Castanho (João, 64), Vitinha II e Postiga; Moura (Marco, 78) e Sérgio
TR: Augusto Mata

Rio Tinto: Carlos; Cristiano (Octávio, 71), Pinto, Araújo e João; Sérgio Rocha; Chico, Miguel (Fábio, 76) e Jorginho; Teixeira e Hélder Pinto
TR: Manuel Gonçalves.

Ao intervalo: 0-0
Marcadores: Moura (48 e 63), João (74) e Sérgio (76)
Disciplina: Cartão amarelo a Cristiano (12), Castanho (22), Miguel (31) e Duarte (44)

Com um segundo tempo de luxo, o Padroense goleou o Rio Tinto e conquistou pela primeira vez na sua história o maior título da Associação de Futebol do Porto. A crónica do jogo da consagração começa pelo fim, quando notícias vindas da partida em Vilarinho indicavam a derrota do Nogueirense e, poucos momentos depois, o árbitro Luciano Silva apitava no Padrão da Légua para o fim do encontro. O Padroense sagrava-se campeão!

Tremenda alegria

De imediato, o relvado é invadido por atletas e dirigentes, jorrando champanhe e espalhando sorrisos e abraços e, das bancadas, muito bem compostas, ouviam-se os adeptos gritarem “campeões, allez, campeões, allez”. O Padroense tinha acabado de fazer história, ao conquistar pela primeira vez, e precisamente no ano em que comemora os 85 anos, o título de campeão da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto.

Partes distintas

A partida teve claramente duas partes bem distintas, a primeira onde o Rio Tinto, a lutar ferozmente pela manutenção, conseguiu equilibrar as forças, criando mesmo algumas jogadas de perigo junto à baliza de Marco, que, como habitual, provou as suas qualidades, mostrando o porquê de ser o guardião menos batido do campeonato.

Vitinha II em alta

O Padroense também ia criando boas movimentações, muito por culpa do criativo Vitinha II, que constantemente criava desequilíbrios, que Moura e Sérgio pareciam não querer aproveitar.
Foi mesmo Moura aquele que esteve perto de chegar ao golo, quando depois de conseguir receber a bola, já dentro da área, rematou ao lado da baliza adversária. O intervalo acaba por chegar com um nulo do marcador e a expectativa mantinha-se.

Vilarinho ajudava…

O descanso trouxe um novo fôlego aos locais, que após saberem do nulo que também se registava no encontro que disputava o Nogueirense, ficaram com ânimo redobrado para procurarem a vitória, que, caso se confirmasse o deslize do Nogueirense, daria de imediato o título aos matosinhenses.
Assim, com apenas três minutos do segundo tempo, e, após um cruzamento de Sala, Moura recebe a bola dentro da área, rodopia sobre si próprio e remata sem hipóteses para o fundo das redes. Estava assim aberto o marcador e iniciado o recital deste experiente avançado, que, já com 30 anos de futebol, consegue ainda conservar o seu instinto matador. Soberbo.

Moura bisa

O Padroense continuou a acelerar e a criar situações de golo, muito por culpa do capitão Postiga e de Sérgio que pareciam estar endiabrados. E é precisamente este último que consegue encontrar espaço na direita para cruzar por cima da defesa, encontrando Moura, que, com uma entrada de rompante, cabeceia a bola para o segundo golo do Padroense e também o segundo golo na sua conta pessoal. A vitória estava no papo.

João anima a festa

A multidão estava ao rubro e mais ficou com a entrada de João, que veio dar ainda mais velocidade ao ataque do Padroense. Foi com Moura a assistir que João se isolou no flanco esquerdo e rematou cruzado, sem qualquer hipótese de defesa para Carlos, que parecia frustrado com a avalanche ofensiva dos visitados.

Antologia de Sérgio

Sem que estivesse ainda refeito do golo que tinha acabado de sofrer, Carlos assiste ao momento mais cintilante do encontro, quando Moura assiste Sérgio para um golo de antologia: à entrada da área, remata em arco por cima do guardião forasteiro, levando a bola a entrar no canto superior contrário, estabelecendo, assim, o resultado final.

Estreia de Marco II

Após este golo existiram ainda momentos de bom futebol, com destaque para a estreia de Marco II, que entrou muito bem na partida, causando dores de cabeça à defensiva contrária, sem que, contudo, conseguisse lograr novo golo. Os últimos momentos ficam marcados pela constante preocupação dos atletas e dirigentes do Padroense para saber como estava o jogo do Nogueirense, que também eram positivas, já que o Vilarinho vencia já por duas bolas e o empate seria o suficiente para o Padroense se sagrar já campeão.

Delírio no relvado

O público na bancada parecia vibrar como nunca, tendo-se gerado mesmo uma espécie de claque improvisada que gritava “campeões, allez, campeões, allez”, quando acaba por chegar o momento que todos desejavam e o árbitro apita: o relvado é imediatamente invadido por atletas munidos de garrafas de champanhe e os gritos de festejos sucedem-se, numa harmonia com o público presente. Seguiu-se festa rija e merecida.

Figura

Moura: Foi, sem dúvida, o melhor elemento em campo, mostrando para quem pudesse ainda ter dúvidas que, aos 40 anos, é ainda um extraordinário ponta de lança. Marcou os dois primeiros golos e fez as assistências para os outros dois. Exibição de luxo para mais tarde recordar.

Festa imensa emoções intensas
E foram todos ao banho

A festa que se seguiu foi imensa e as emoções intensas, com sorrisos, cânticos e mesmo alguns atletas a chorarem, como foi o caso de Postiga, o capitão da equipa, visivelmente emocionado no final da consagração. Já no balneário, foram vários os que não escaparam ao tradicional banho dos campeões: o treinador Augusto Mata, o presidente Germano Pinho, o presidente da assembleia-geral António Henrique, o gestor desportivo Vasco Pinho, passando pelo dono da empresa patrocinadora do clube, Perpicola, Pereira Pinto, que foi efusivamente saudado pela equipa que lhe reconheceu um papel importante neste título, pela estabilidade financeira que permitiu ao Padroense, sentiram, sem dúvida, um dos banhos mais doces das suas vidas.

Guilherme Pinto presente

Quem também fez questão de estar presente neste momento histórico da instituição foi o presidente da câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto que, após assistir à vitória do Leixões no Estádio do Mar, compareceu no Estádio do Padroense, para pessoalmente felicitar a equipa liderada por Germano Pinho e Augusto Mata.
 
Germano Pinto anunciou a renovação com Augusto Mata
“Já estamos a trabalhar na próxima época”

Qual o seu sentimento após a conquista do título?
Sinto que foi feita justiça à equipa que se mostrou mais eficiente durante a época e, naturalmente, estou muito feliz com mais este novo feito do Padroense, precisamente nas vésperas de assumir um novo mandato como presidente do clube por mais dois anos
Quais os planos para os festejos da obtenção do título?
Para já ainda não podemos divulgar exactamente o que vamos fazer, pois estamos a preparar algumas surpresas para a última jornada, que se realiza aqui no nosso Estádio, precisamente contra o segundo classificado, o Nogueirense. Mas estamos em sintonia com o presidente da câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, que fez questão de estar presente neste dia especial, para nos dar os parabéns e prometer uma festa de arromba no concelho de Matosinhos, nomeadamente, para os cinco clubes que eventualmente irão garantir os títulos nas suas respectivas divisões
Já tem planos para a próxima temporada?
Em primeiro lugar já assegurámos uma peça fundamental para o funcionamento da equipa, tendo chegado a acordo para a renovação do contrato com o treinador Augusto Mata. Agora vamos ponderar nas próximas semanas quais as renovações a efectuar no seio deste magnífico plantel, de modo a decidir quais as contratações que são necessárias efectuar, sendo certo que estas passarão sempre por jogadores que pela sua qualidade sejam mais-valias na próxima época, garantindo, assim, um grupo de atletas válidos para uma época de sucesso na terceira divisão.
 
Augusto Mata somou mais um título à sua carreira
“Fomos a melhor equipa”

Para um homem com uma carreira recheada de sucessos, este título tem um sabor especial?
O título da Divisão de Honra tem, de facto, um sabor especial, uma vez que nunca tinha sido conquistado quer por mim, quer pelo Padroense.
Pensa que o Padroense foi um justo vencedor?
A subida é mais do que merecida, o Padroense foi a melhor e a mais regular equipa do campeonato. Qualquer outro desfecho seria uma injustiça para a nossa equipa. Vamos agora saborear este magnífico momento, pois todos nós o merecemos.

Cerimónia oficial
Direcção toma posse

A Direcção do Padroense Futebol Clube recentemente eleita, por unanimidade, em Assembleia Geral, irá realizar a cerimónia do Acto de Tomada de Posse dos novos Orgãos Sociais do Clube, para o biénio 2007/2009, no próximo dia 11 de Maio de 2007, pelas 21.30 horas, na sede social (Estádio), seguido de um Porto de Honra.

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Edição de 16-06-2010
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