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Infesta - Azuis resolveram o jogo em dez minutos Foi preciso interromper as férias
Campeonato Nacional da II Divisão
Jogo no Estádio Moreira Marques, em S. Mamede de Infesta Árbitro: João Capela (Lisboa)
Infesta, 4 D. Sandinenses, 1
Infesta: Miguel; Paulinho, Baptista, Nuno e Orlando (Nando, 80); Laranjeira, Vitinha (Sergy, 84), Camarinha (Ivo, 74) e Corina; Pedro Nuno e Júlio TR: Manuel António
D. Sandinenses: Tó Ferreira; Álvaro, Hélder Oliveira, César (Nuno Silva, 76) e Ricardo Correia; Renato, Cardoso, Nelson Santos e Vítor Borges (Rui Gomes, 65); Horácio e Ruizinho (Laminé, 65) TR: Armando Santos
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Pedro Nuno (62 e 73), Cardoso (70, g.p.), Vitinha (79) e Ivo (81) Disciplina: Cartão amarelo a Júlio (63), Rui Gomes (66), Orlando (70), Baptista (72) e Cardoso (76)
Numa partida de futebol com duas partes distintas, o Infesta levou a melhor sobre o quase despromovido Dragões Sandinenses, com um desfecho construído em dez minutos de futebol de alto nível, com a turma da casa a marcar três golos nesse espaço de tempo. A tarde de domingo prometia. O clube adversário até parecia ser presa fácil, a julgar pela posição (penúltimo) na tabela classificativa, muito por culpa dos graves problemas financeiros que afectam o histórico emblema de Gaia. Mesmo assim, Manuel António não facilitou. O mister (a quem já apelidaram de treinador mais bem vestido do futebol português) avisou os seus pupilos durante toda a semana a não menosprezarem o adversário, que a posição na tabela podia não espelhar a realidade qualitativa do visitante. E assim foi. Os do lado de lá da margem do Douro entraram dispostos a darem um pontapé na crise e prematuramente tomaram as rédeas da partida, para alguma surpresa dos azuis-e-brancos, que, sem os lesionados Nelson, Bruninho e Zé Manel, viram a baliza do regressado Miguel ser atacada logo aos seis minutos, com um cabeceamento de Ruizinho a passar muito perto o poste direito.
Vitinha patrão e Pedro Nuno líder
Jogava-se descontraído mas sem motivos de interesse. Enquanto o Infesta limitava-se a ver jogar, os Dragões procuravam construir jogadas que permitissem levar algum perigo ao reduto matosinhense e, por algumas ocasiões, a ameaça pairou, mas cedo o coração gaiense falou mais alto, relegando para segundo plano a cabeça, que tanta falta faz em situações de aperto classificativo. Apesar de tudo, o Infesta não comprometia. Tímido nas iniciativas ofensivas, os adeptos da casa viam Vitinha assumir-se como o patrão do meio campo e municiador das jogadas de ataque e Pedro Nuno o líder das investidas à baliza do histórico guardião Tó Ferreira (campeão do Mundo sub-20 em 1991, representou, entre outros, o Espinho, Aves, Beira-Mar e o Famalicão), autor de excelentes defesas ainda na primeira parte. Pedro Nuno, apesar de afoito e bem servido sempre por Vitinha, por duas ocasiões mostrou-se perdulário, perdendo-se nas escolhas de qual seria o melhor pé para rematar.
Árbitro lesionou-se
O período inicial ficou ainda marcado pela lesão do árbitro João Capela, prontamente assistido pela equipa médica do Infesta, não evitando contudo as limitações físicas do juiz de Lisboa evidenciadas ao longo do resto da partida. O final dos primeiros 45 minutos culminaram com o melhor momento dos forasteiros, com os dois avançados verde-e-brancos, Horácio e Ruizinho, a disporem de duas boas oportunidades de golo, uma delas a quase roçar a barra azul. A primeira parte decorria e logo se ficou com a ideia de que se o Infesta imprimisse maior velocidade poderia facilmente chegar à vantagem. Dito e feito. O etapa complementar começou com os azuis a bombearem rapidez no meio-campo e terrenos mais avançados e a turma de Sandim não resistiu. Ao minuto 62, primeiro golo do Infesta e o primeiro na conta de Pedro Nuno, que diante de um até então irrepreensível Tó Ferreira, viu o guardião sandinense sair extemporâneo, aproveitando o experiente avançado para fazer um bonito chapéu.
Empate durou pouco
Perante a adversidade do resultado, os homens de Vila Nova de Gaia não baixaram os braços e num último fôlego chegaram ao empate, seis minutos depois, na cobrança de uma grande penalidade cobrada por Cardoso, a castigar entrada faltosa de Orlando sobre o internacional sub-20 senegalês Lamine, que havia entrado há pouco no jogo. Manuel António tocou o reunir. O Infesta, até então em verdadeiro espírito de férias antecipadas, interrompeu os banhos de sol e, por dez minutos, voltou a vestir o equipamento (camisola azul-e-branca, às riscas, calção azul e meia branca) para marcar nesse curto espaço de tempo os três golos que engordaram o resultado final. Aos 73 minutos, a dupla Vitinha e Pedro Nuno apresenta resultados: incursão pela direita do média que cruza para o centro com a avançado liberto a encher o pé e enviar o esférico para o lado mais distante de Tó Ferreira, obtendo desta forma o segundo golo para o Infesta e o segundo também da sua contagem individual. Não tardou muito o terceiro golo, também de penálti, apontado por Vitinha (bem mereceu) depois de Júlio ter arrancado o lance capital a César. Numa altura em que os Dragões Sandinenses já tinham entregue os pontos, o Infesta sela a contagem com o “quarto” da tarde, com Ivo a culminar da melhor forma jogada individual de Júlio.
Adversário de rastos
O encontro chegou com um Sandim de rastos, com Tó Ferreira, perdido e a insultar os próprios colegas de equipa, a ser o espelho do desalento completo de uma equipa que já só espera pela matemática para dizer adeus à II Divisão. Quanto ao Infesta viu recompensados os minutos em que verdadeiramente jogo futebol: criou oportunidades, marcou golos, deu espectáculo. Em suma, tudo correu bem numa tarde onde o calor clamava por férias antecipadas.
Manuel António sempre sorridente “Quando foi preciso ganhámos o jogo”
É um senhor este Manuel António. Sempre bem disposto no contacto com os jornalistas, mesmo quando as coisas não correm bem para os lados de S. Mamede. Bem disposto mas também solidário, optando por iniciar o seu comentário endereçando “um forte abraço para o treinador e jogadores dos Dragões Sandinenses, que passam neste momento por grandes dificuldades e que demonstraram ser uns grandes profissionais”. Quanto à partida muito pouco a acrescentar: “Durante toda a semana, avisei os meus jogadores que o lugar que os nossos adversários ocupavam não era importante e que tínhamos de esperar dificuldades. Assim aconteceu, o Sandim entrou bem, nós entrámos a pouco e pouco mas quando foi preciso ganhámos o jogo”.
Figura
Pedro Nuno: Com Vitinha formou uma dupla que deu mostras ainda na primeira parte. Um pouco atabalhoado no período inaugural, foi clarividente e, por duas vezes, goleador de alto nível. Foi a imagem de uma equipa que interrompeu a tempo umas férias que já se apresentam como merecidas.
Artur Santos
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