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Leixões - Livre teleguiado de Nuno Amaro derrubou a muralha Valeu São Roberto
Liga de Honra (24ª Jornada)
Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos Árbitro: Paulo Paraty (Porto)
Leixões, 2 Gondomar, 0
Leixões: Beto; Alexandre (Ricardo Jorge, 59), Elvis, Nuno Silva e Nuno Amaro; Bruno China, Pedro Cervantes e Hugo Morais; Marco Cadete, Roberto (Jorge Gonçalves, 78) e Nandinho (Filipe, 46) TR: Vítor Oliveira
Gondomar: Murta; Zé Alberto, Robson, Vítor Fróis e Hadson (Tarantini, 66); Fernando Aguiar, Luís Miguel, Ricardo André (Feliciano, 46) e Rui Manuel; Maciel e Canales (Bragança, 77) TR: Nicolau Vaqueiro
Ao intervalo: 2-0. Marcadores: Nuno Amaro (25) e Roberto (42)
Disciplina: Cartão amarelo a Hadson (37) e Ricardo André (40). Cartão vermelho a Fernando Aguiar (47)
A seis jornadas do fim, o Leixões aumenta a vantagem sobre a concorrência – nulo entre Feirense e Guimarães foi festejado pelos adeptos – e continua a depender apenas de si para concretizar um sonho que se arrasta há muitos anos. Face à classificação actual – o Santa Clara é quem está mais próximo mas tem desvantagem no confronto directo – bastam cinco vitórias para alcançar a tão desejada subida. É a hora do tudo ou nada.
Paciência e pragmatismo
Na recepção ao Gondomar, o Leixões fez o que lhe competia: vencer. Sem ser sublime, a equipa de Vítor Oliveira foi superior nos momentos-chave do jogo e marcou na altura certa. Fez uma primeira parte paciente e teve a felicidade de contar com a inspiração de Nuno Amaro para chegar à vantagem, na marcação de uma bola parada. Contou ainda com a arte de Roberto – quebrou jejum de quatro jornadas – para ampliar a vantagem, perto do intervalo. O mais difícil foi conseguido ainda no primeiro tempo. Ao contrário de outras partidas, a equipa foi eficaz e conseguiu dois golos sem ter produzido metade do que fez noutras ocasiões. A segunda parte, depois, foi para (não) esquecer. A equipa deixou o jogo arrastar-se, caíndo numa monotonia que podia ter saído caro, caso o Gondomar tivesse reduzido a desvantagem. Compreende-se a poupança de esforços. O público e Vítor Oliveira é que não gostaram muito.
Aquecer aos poucos
Os primeiros minutos mostraram um Leixões com mais posse de bola diante de um adversário bem orientado e organizado em campo. O Gondomar tem realizado um bom campeonato e está tranquilo na classificação. Era um bom jogo para os seus atletas mostrarem o que valem. Na defesa, Robson mostrou que é um central a seguir com atenção. No ataque, Maciel foi buliçoso, mas Canales mostrou-se demasiado perdulário. Aos 14 minutos, na primeira iniciativa de registo, Cervantes cruzou para Marco Cadete, mas o versátil jogador quando se preparava para rematar viu Robson anular-lhe o lance, cedendo pontapé de canto. A seguir, Nandinho, de volta à titularidade, tentou a meia-distância, mas foi desastrado no remate.
Ameaças e golo
Num espaço de um minuto (22), Cervantes, que também voltou ao “onze”, após ter recuperado de lesão, rematou duas vezes com perigo: no primeiro lance, a bola foi à figura de Murta, já na segunda ocasião o esférico saiu ligeiramente por cima da trave. Começava a cheirar a golo. Aos 24 minutos, Murta, pressionado por Nandinho, aliviou mal a bola, tendo Marco Cadete ficado na posse do esférico à entrada da área, onde depois foi carregado em falta. Livre em posição frontal a convocar o pé esquerdo de Nuno Amaro. O experiente lateral bateu com confiança e apontou o primeiro golão da tarde. Murta não teve hipóteses.
Reacção gondomarense
O Gondomar reagiu e Rui Manuel, no lado direito, cruzou com perigo para a área, onde surgiu Canales a falhar o desvio por pouco. Nesta fase, a acção de Nuno Silva (de volta ao seu habitat-natural no centro da defesa) foi determinante, com alguns desarmes na hora exacta a Maciel e Canales. Ultrapassado este período, o Leixões voltou à carga, com Roberto, nas alturas, a cabecear para a desmarcação de Marco Cadete, que, à entrada da área, foi travado por Hadson. Novo pontapé livre para Nuno Amaro que, desta vez, acertou na cabeça de um adversário.
Momento mágico da tarde
O jogo fica marcado ao minuto 42, momento em que Roberto levantou o estádio, com um golo calibre extra. O avançado recebeu a bola e aproveitou o recuo do central para disparar de imediato para a baliza. Um remate em “balão” a aproveitar o adiantamento de Murta. Um golo de classe e sentido de oportunidade, só ao alcance dos predestinados. Nos festejos, como sempre, o dedo indicador apontado para a bancada, onde se encontravam os familiares e a pequena Raíssa que, aos dois meses, já equipa à… Leixões.
Fernando Aguiar expulso
Ao intervalo, Nandinho ficou nas cabines, entrando o promissor Filipe. Mas a segunda parte ficou imediatamente marcada com a expulsão polémica de Fernando Aguiar, por alegada agressão a Elvis. O árbitro assistente deu a indicação a Paulo Paraty, que exibiu o cartão vermelho ao jogador. Indignado, o experiente jogador mostrou a intenção de tirar satisfações junto do assistente, mas responsáveis das duas equipas evitaram uma situação de possível conflito. O que devia ter um efeito positivo a favor do Leixões acabou por funcionar ao contrário, tendo a equipa resvalado para uma monotonia e displicência gritante.
Adeptos queriam mais
Contra dez unidades, o Leixões podia, efectivamente, ter aproveitado mais situações de ataque. A verdade é que as jogadas passaram a ser feitas ao “ralenti”, o que deixou alguns adeptos irritados. O público queria mais, Vítor Oliveira também (fartou-se de dar indicações para a equipa subir no terreno e gerir a bola), mas a equipa parecia anémica e, apesar de aparentemente ter tudo controlado, em determinados períodos deixou-se dominar. E era escusado…
Desperdício e brincar com o fogo
Ricardo Jorge, lançado na segunda parte, teve perto de marcar, após cruzamento de Roberto, mas o número 10 acabou por deixar-se antecipar por um adversário. A seguir, quis retribuir a assistência a Roberto, em vez de rematar, mas o passe saiu enrolado e Vítor Fróis anulou o lance. Aos 70 minutos, Bruno China entrou com tudo, mas foi derrubado por um defesa à entrada da área. Na marcação do livre, Cervantes acertou na barreira.
Beto mostra serviço
Aos 72 minutos, a última ocasião flagrante para o Gondomar. O meio-campo do Leixões foi algo displicente e depois apareceu Canales, isolado sobre o lado esquerdo do ataque, a rematar com violência, valendo a intervenção de Beto, que se encontrava bem posicionado e no caminho da bola. O jogo arrastou-se depois penosamente até final, terminando com uma justa vitória do Leixões. O árbitro Paulo Paraty realizou uma boa actuação. A expulsão de Fernando Aguiar surgiu após indicação do assistente, que interpretou ter havido agressão sobre Elvis. Do local onde nos encontrávamos, não foi possível analisar devidamente o lance, mantendo-se, assim, a dúvida.
Mais uma opção Pedro Moita convocado
Não entrou, mas chegou a aquecer e o verdadeiramente importante é que, a partir de agora, é mais uma opção para Vítor Oliveira. Frente ao Gondomar, Pedro Moita regressou aos convocados, após ter recuperado completamente de uma lesão na parede abdominal, que o obrigou, inclusive, a visitar a sala de operações e estar afastado dos relvados durante quatro meses. O esquerdino está recuperado, tem vindo a evoluir gradualmente nos treinos, e promete aparecer em alta nesta recta final do campeonato.
Espectáculo ao intervalo Junqueira «Dance»
O intervalo da última partida foi animado pela actuação da Junqueira «Dance», um grupo da colectividade de Santa Cruz de Bispo constituído por jovens que têm vindo a percorrer vários campos do concelho de Matosinhos. Uma exibição plena de entusiasmo e irreverência que animou a plateia durante o período que antecedeu o início da segunda parte.
Por:
Arnaldo Martins
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