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Arquivo: Edição de 14-03-2007

SECÇÃO: Desporto


Leixonenses incapazes de anular golo sofrido aos 50 segundos
Que sirva de lição…

Liga de Honra (21ª Jornada)

Jogo no Estádio do Clube Desportivo Trofense
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)

Trofense, 1 Leixões, 0

Trofense: Vítor; Maia, Idalécio, Miguel Ângelo e Chico Silva; Edu, Dedé, Saavedra (Éder Silva, 56) e Nelsinho (Tiago Madalena, 90+3); Leandro Netto e Vítor Hugo (Chico, 56)
TR: Daniel Ramos

Leixões: Beto; Alexandre (Nandinho, 34), Nuno Silva, Elvis e Nuno Amaro (Cícero, 61); Jorge Duarte, Bruno China e Pedro Cervantes (Leandro Tatu, 34); Jorge Gonçalves, Roberto e Hugo Morais
TR: Vítor Oliveira

Ao intervalo: 1-0
Marcador: Dedé (1)

Disciplina: Cartão amarelo a Alexandre (27), Saavedra (29), Nuno Silva (49), Vítor (70), Jorge Duarte (74), Éder Silva (75), Chico (77), Chico Silva (78), Bruno China (86) e Cícero (88)

O Leixões entrou a perder na Trofa. Ainda os adeptos se alojavam nas bancadas e os fotógrafos preparavam as objectivas, quando Idalécio, na sequência de um pontapé livre, «penteou» a bola e Dedé, ao segundo poste, cabeceou para o fundo das redes de Beto. Haviam mais de 90 minutos para jogar e o líder tinha todas as condições para anular essa adversidade e dar a volta aos acontecimentos. A verdade é que a equipa da casa logo colocou trancas à porta, fechou as janelas e recolheu à toca, fazendo tudo para manter a magra mas preciosa vantagem.

Sem arte e engenho

Há tardes assim, onde nada sai bem. Na Trofa, o líder viveu essa frustração, mostrando-se bloqueado de ideias, diante de um adversário que, ao marcar cedo, nunca mais atacou, preferindo, compreensivelmente, defender e só depois, amiúde, tentar o contra-ataque. Ao Leixões, faltou arte e engenho para fazer melhor. Jorge Sousa, o árbitro da partida, também não esteve bem, pactuando com o anti-jogo dos locais. O Leixões perde a liderança da Liga de Honra, precisamente uma semana antes de receber o Rio Ave, no Estádio do Mar. Que sirva de lição, portanto…

Reacção sem efeito

Após o golo madrugador de Dedé, o Leixões tentou responder, mas a verdade é que nunca foi objectivo e prático. Contam-se pelos dedos os lances de perigo: Vítor fez uma boa defesa a remate de Alexandre; Cervantes, já dentro da área, tentou serviu Roberto, mas a bola não chegou ao avançado brasileiro. Os leixonenses, em grande número nas bancadas, acreditavam que estes dois lances iam espevitar a equipa para operar a reviravolta. O gelo do golo do Trofense podia ser rapidamente esquecido se houvesse o calor dos tentos leixonenses. Era essa a grande esperança do «Mar» que invadiu a Trofa.

Outra contrariedade

Não bastava ter sofrido um golo madrugador e ainda defrontar uma equipa que mais parecia um «tanque», tal o betão armado que exibia no sector mais recuado, eis que surge outra contrariedade para a equipa leixonense. Pedro Cervantes, que até estava a ser o mais agitador dos rubro-brancos, sofre uma lesão muscular e é obrigado a abandonar o terreno de jogo. Tudo corria mal aos homens de Matosinhos.

Vítor Oliveira mexe

Tatu entrou para o lugar do lesionado Cervantes, mas Vítor Oliveira fez ainda mais uma alteração, sacrificando o «amarelado» Alexandre para lançar Nandinho. Intenção clara: atacar. Bruno China fechava agora mais na direita, Tatu jogava nas costas de Roberto e Nandinho alternava com Jorge Gonçalves nas alas. As mexidas acabaram por não dar resultados práticos. Tatu, desinspirado, não se soltava das marcações dos adversários. O Leixões encostava o Trofense às cordas, mas o golo não aparecia.

Espaços reduzidos

Como era de prever, os espaços tornavam-se cada vez mais reduzidos. A equipa da casa jogava apenas em 30 metros e o músculo imperava em detrimento da técnica. Nada que já não se estivesse à espera. A bola batia sempre num pé ou cabeça de um jogador do Trofense. Antes do intervalo, Jorge Duarte entra na área e quando prepara o remate sofre uma entrada dura de Miguel Ângelo. Incompreensivelmente, Jorge Sousa assinala falta contra o Leixões.

Um «polvo» no ataque

O relógio jogava a favor do Trofense e os locais tentavam perder tempo. Mais tarde, Vítor Oliveira arrisca tudo, lançando o possante Cícero. Nuno Amaro recolhe às cabines. O Leixões transformava-se num «polvo» ofensivo, tendo Roberto, Tatu, Cícero, Jorge Gonçalves e Nandinho no ataque. Mas os caminhos trilhados nunca foram os mais correctos e a defesa local ia chegando para as encomendas, sob o comando do gigante Idalécio. O veterano central foi rei nas alturas e contou com a complacência do árbitro, que perdoou inúmeras faltas sobre o atacante Roberto.

Mais coração que cabeça

Faltavam poucos minutos para o final da partida. O empate, nesta fase, já seria ouro para a equipa leixonense. Já o Trofense defendia com 11 homens, tapando todos os caminhos para a baliza de Vítor. Daniel Ramos mandava defender com unhas e garras, o Leixões, mais com o coração que com a cabeça, tentava o golo do empate. Da cartola, não saía nada. Nenhum lance de génio.

Tatu e o canto do cisne

Nos minutos em que esteve em campo, Tatu teve apenas uma jogada digna de elogios. Furou por entre os defensores, seguiu pela linha de fundo, ultrapassando adversários, e, em cima da pequena área, rematou forte, com o esférico, em cima da linha de golo, a sofrer um desvio no corpo de Idalécio. Estava tudo dito. Nem uma pontinha de felicidade para a equipa de Matosinhos. Era o canto do cisne de um lago cheio de “patinhos feios”. Uns só defenderam e não jogaram, outros bem tentaram mas nunca mostraram audácia. Arbitragem irregular de Jorge Sousa. Raramente deixou seguir o jogo mais de dois minutos sem interrupções. Foi prejudicial ao espectáculo…

Figura

Cervantes: Num jogo em que ninguém sobressaiu conquista a distinção porque deixou a sensação que podia partir para mais uma exibição de bom nível, como tem feito nas últimas jornadas. A equipa acusou a ausência do seu futebol requintado.

Bruno Leite e Arnaldo Martins

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Edição de 03-02-2010
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