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Arquivo: Edição de 07-03-2007

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Pedro Cervantes encheu o campo no teste à capacidade mental da equipa
Faltam dez pontadas no coração

Leixões, 1 Estoril, 0

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Augusto Duarte (AF Braga)

Leixões: Marco; Alexandre, Elvis, Nuno Silva e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Bruno China (Nandinho, 45) e Pedro Cervantes (Malafaia, 83); Jorge Gonçalves, Roberto (Leandro Tatu, 94) e Hugo Morais
TR: Vítor Oliveira

Estoril: Rui Correia; Marco Silva, Jorginho, Sérgio Brás e Diogo Luís (Igor Souza, 75); Djamal, Malá, Pedro Duarte e Miguel Soares (Leandro, 63); Zezinando (Mendy, 81) e Gaston
TR: Litos

Ao intervalo: 0-0
Marcador: Pedro Cervantes (71)
Disciplina: Cartão amarelo a Malá (41)

Leixonense sofre. É vê-los a levar as mãos à cabeça, após um falhanço, a roer as unhas, por ver o tempo a passar, aos berros por uma falta mal assinalada. Preparem-se corações, porque agora vai ser assim até ao final. Faltam 10 jogos, entramos no último terço e chegou a hora de ver quem é quem. Com o Estoril, num verdadeiro teste ao estofo da equipa, o mais importante foi conseguido e os três pontos ficaram em Matosinhos. Agradeçam a Cervantes.

Terceiro à condição

O Leixões iniciava a jornada 20 da Liga de Honra no terceiro lugar da classificação, em virtude das vitórias do Santa Clara (1-0 nos descontos, frente ao Trofense) e Rio Ave (2-1, reviravolta em Barcelos). Por instantes, a equipa matosinhense descia do trono da classificação e iniciava a partida com o Estoril com a obrigatoriedade de vencer para subir novamente ao topo e manter os dois pontos de vantagem sobre os vice-líderes. Pressão, muita pressão...

Marco na baliza

Em relação à partida com o Feirense, Vítor Oliveira efectou apenas uma alteração, neste caso, forçada. Beto, castigado, ficou de fora do lote de convocados e o treinador chamou Marco para ocupar a posição. Um ano após o último jogo a titular (na Taça, com o Benfica), o número 24 voltava a defender no Estádio do Mar e, no final, correspondeu à aposta. Nas poucas vezes em que foi chamado a intervir, deu conta do recado e mostrou que podem contar com ele.

Primeiras investidas

Os primeiros minutos mostraram um Leixões atacante, embora sem grande clarividência. Jorge Gonçalves e Nuno Amaro experimentaram o remate, mas, nas duas situações, a bola bateu contra o corpo de um defesa canarinho. O Estoril, nesta fase, até procurava criar algumas situações de ataque, mas o máximo que conseguiu foi obter um pontapé de canto, após corte de Jorge Duarte.

Hugo Morais acredita

Aos 13 minutos, Hugo Morais acredita numa bola que parecia irremediavelmente perdida, ganha a linha de fundo e cruza ao segundo poste, onde apareceu Jorge Gonçalves a dominar com o peito; o loiro tentou depois assistir algum companheiro no centro do terreno, mas Jorginho leu bem o lance e cedeu pontapé de canto.
Aos 15 minutos, após uma abertura fantástica de Jorge Duarte, Nuno Amaro surgiu de rompante pela ala esquerda, mas cruzou muito largo, tendo a bola atravessado toda a defesa amarela sem que alguém tocasse no esférico.

Cervantes anti-precipitação

Seguiu-se um período de alguma precipitação no futebol leixonense. Algumas hesitações, passes falhados, desmarcações não correspondidas. O submarino amarelo, com duas linhas defensivas (às vezes, numa táctica de 5x5), bloqueava a dinâmica rubro-branca, cortando espaços e linhas de passe. Não era surpresa. Contra o Portimonense tinha acontecido a mesma coisa. Neste caso, o cenário podia tornar-se ainda mais difícil, pois este Estoril é muito melhor que o conjunto do Algarve. Valeu então Cervantes para descobrir espaços, ganhar faltas e agitar o ataque rubro-branco. Aos 20 minutos, rematou para uma defesa segura do veterano mas ainda excelente Rui Correia. Era o primeiro aviso.

Nacos de classe

Hugo Morais, aos 23 minutos, cabeceou por cima, após uma boa jogada do ataque leixonense. Antes da meia hora, Rui Correia afastou com o pé uma bola perigosa que apareceu a rondar a baliza do Estoril. Depois, nacos de classe dos pés de Cervantes, primeiro a lançar Nuno Amaro, numa abertura que deixou dois adversários sem qualquer reacção, e depois a descobrir uma brecha na defesa canarinha para lançar o incansável Roberto. Rui Correia, atento, chegou primeiro que o avançado à bola.

Agressão despropositada

Aos 33 minutos, após jogada dividida, com os dois jogadores a entrelaçarem-se durante a queda, Marco Silva, de forma despropositada, agrediu Pedro Cervantes, isto sem que o árbitro, que se encontrava de costas, se apercebesse da infracção. O público não gostou e ouviram-se alguns apupos, até porque, em algumas situações, Augusto Duarte estava a ser demasiado condescendente na amostragem dos cartões amarelos. Malá, por exemplo, carregou sucessivamente Cervantes, mas só foi punido aos 41 minutos.

Golo anulado ao Estoril

Perto do intervalo, Pedro Duarte, um dos melhores elementos dos forasteiros, disparou do meio da rua, tendo a bola sofrido um desvio nas costas de um avançado canarinho. A bola ganhou um efeito «balão», acabando por entrar na baliza leixonense, embora o assistente tivesse levantado a bandeira antes do esférico ultrapassar a linha de golo. No estádio, ficou a sensação que o tento havia sido bem anulado, mas, nas imagens televisivas, fica a dúvida se o jogador canarinho estaria em linha. Um lance que merece o benefício da dúvida. Litos protestou com vêemencia e ouviu das boas dos adeptos do Mar.

Vítor Oliveira lança Nandinho

Não é habitual, mas Vítor Oliveira mexeu na equipa durante o intervalo. Deixou Bruno China nas cabines e lançou Nandinho. A ideia era explorar as alas e criar mais jogo para o ponta-de-lança Roberto. A aposta cedo se revelou acertada. Logo nos primeiros minutos após o reatamento, Roberto cabeceou com perigo, sendo a bola sido retirada por um defesa quase em cima da linha de golo. Depois, uma excelente combinação entre Nandinho e Cervantes, com este último a fazer a assistência, permitiu a Hugo Morais ser feliz, mas o remate de trivela saiu por cima.

Chuva para refrescar as ideias

Neste período, a chuva decidiu aparecer em força, obrigando os adeptos a resguardarem-se da melhor forma possível. No relvado, os jogadores leixonenses continuavam à procura de desbloquer a defesa canarinha, mas não estava fácil. O Estoril, com jogadores possantes no centro do terreno, continuava a encurtar espaços e só pelas alas parecia possível que o Leixões conseguisse criar perigo. A outra solução passava pelas bolas paradas. Na sequência de cantos e livres, Roberto teve duas boas situações para marcar, mas numa disparou por cima e noutra Rui Correia voltou a defender. Noutro lance, o avançado embrulhou-se com o central Jorginho e o guarda-redes, tendo depois havido a necessidade de assistir Rui Correia. Uma forma cómoda de ir deixando passar o tempo e aliviar a pressão.

Nandinho atira por cima

Na sequência de uma bela jogada pelo lado direito, a bola é cruzada ao segundo poste, onde apareceu isolado Nandinho (alguém se esqueceu do extremo). O atacante teve tempo para dominar a bola, tirar as medidas à baliza, mas disparou por cima. Começava o desespero entre os adeptos.

Pedro Cervantes na passada

Momento do jogo. 71 minutos. Nuno Amaro cruza tenso e rasteiro para a entrada da grande área; Cervantes surgiu oportuno e praticamente limitou-se a encostar o pé, na passada, tendo a bola saído disparada com toda a força do Mundo para o fundo das redes à guarda de Rui Correia. Um belo golo, a permitir festa e alívio nas bancadas. O Leixões estava, finalmente, em vantagem. E Filipe, que ficou de fora a recuperar de lesão, acabava de ver concretizado o que tinha dito durante a semana. Cervantes ia marcar. Acertou em cheio.

Litos lança trunfos

A perder, Litos lançou Igor Souza e Mendy, dois elementos de características ofensivas com capacidades para criar desequilíbrios. Ao Leixões, cabia a tarefa de segurar a vantagem com unhas e dentes. Naturalmente, os canarinhos subiram no terreno e, nesse período, Marco esteve à altura dos acontecimentos, mostrando concentração em todos os lances. Vítor Oliveira retirou o homem do jogo (recebeu a ovação da tarde) e lançou o irascível Malafaia para dar mais força e pulmão ao meio-campo. E o número 6, num lance demonstrativo da empatia que tem com a massa associativa, cortou um lance junto à linha lateral, tendo o público cantado o seu nome.

Último susto

Nos descontos, um livre directo em posição frontal prendeu a respiração a todos os leixonenses. Era a última oportunidade para os canarinhos. Jorginho rematou forte, mas Marco segurou o triunfo, numa defesa importante para a equipa e para a sua moral. Pouco depois, Augusto Duarte dava o jogo por terminado. O Leixões continua líder e, no domingo, desloca-se à Trofa para mais um jogo que se prevê de grau de dificuldade elevado. De Matosinhos, irá certamente mais uma legião de adeptos para apoiar a equipa. Sofre, coração.


Por: Arnaldo Martins

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Edição de 03-02-2010
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