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Atitude mamedense foi premiada com o estouro de Silva Valeu a emoção na recta final
Infesta, 1 - Oliveirense, 1 Jogo no Estádio Moreira Marques, em Matosinhos Árbitro: André Gralha (AF Santarém) Infesta: Miguel (Chico, 86); Paulinho (Silva, 75), Ricardo Gomes, Nuno e Zé Manel (Laranjeira, 90+2); Pedro Nuno, Baptista e Nelson; Camarinha, Vitinha e Júlio TR: Manuel António Oliveirense: Armando II; José Pedro, Bruno, Laranjeira e Manuel Godinho (Carvalho, 65); Victor, Oliveira, Joel e Nuno Santos (Sérgio, 81); Hélder e Sanã (Diogo, 63) TR: Pedro Miguel Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Laranjeira (82) e Silva (90+4) Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Santos (24), Manuel Godinho (28), Camarinha (40 e 64), Silva (77), Zé Manel (78), Joel (83), Hélder (90+6) e Júlio (90+6); Cartão vermelho a Camarinha (64) Depois de ter recebido há duas jornadas o líder Espinho foi a vez de receber o “vice” da tabela, a Oliveirense, num encontro que valeu pelo primeiro minuto e últimos dez do período complementar. Adepto azul-e-branco sabe sofrer. Costumava-se dizer que o Boavista é a tal equipa das camisolas esquisitas, como um dia o prestigiado treinador transalpino Arrigo Sacchi lhe chamou. O Infesta, esse, é a equipa dos resultados esquisitos. Ora dá cinco, como leva cinco. Ora marca no princípio, ora no fim. Não há coração que aguente as brincadeiras azuis. É assim o futebol.
Quatro falhas na mesma jogada Com Corina e Bruninho lesionados, no que se refere ao grupo comandado por Manuel António, e a não inclusão dos habituais titulares Toni e Sérgio Silva do lado do treinador dos visitantes, Pedro Miguel, a partida teve um início surrealista. Logo no primeiro minuto, quando o Infesta entrou com tudo, houve não um, não dois, não três mas quatro falhanços consecutivos e cada um mais flagrante que o outro: Júlio remata colocado com excelente defesa de Armando II para a frente e Pedro Nuno, na recarga envia ao poste, de seguida Júlio na segunda carga obriga mais uma vez o guardião oliveirense a uma excelente defesa, desta feita com os pés, respondendo de seguida Vitinha com um remate ao poste, morrendo o lance com o alívio da defesa forasteira.
Ninguém queria acreditar O pouco público que se deslocou ao Moreira Marques nem queria acreditar! Era pontaria a mais! Ou a menos. Mas desde esse instante começaram-se a ouvir entusiásticos gritos de incentivo ao conjunto anfitrião, que logo ali partiu para o controlo do período inicial. A Oliveirense tardou a encontrar-se. O “vice” da II B só à passagem do minuto 14 se aventuraram em “costas” matosinhenses e, por intermédio de Nuno Santos, obrigou Miguel a uma excelente defesa para canto.
Miguel e o golpe de vista O tempo ia passando e o Infesta ia ganhando cantos e alguns livres perigosos, mas nunca se mostrou afoito para criar oportunidades de relevo, ao passo que o grupo de Oliveira de Azeméis mostrava-se inapto para sacudir a inércia do seu futebol. O minuto 33 chegava e com ele um cheiro sôfrego de futebol: Oliveira, de fora da área atira um míssil dirigido à “gaveta” da baliza mamedense e Miguel, que nem se mexeu, defende “com os olhos” uma bola que passou a rasar o poste. Esta foi a primeira vez no jogo que Miguel confiou no golpe de vista, a segunda não correu tão bem. Vendo a oportunidade que o grupo forasteiro criou, Baptista decidiu ripostar, rematando em jeito com a bola a efectuar um voo picado em direcção à barra adversária e a passar muito perto do ferro superior. O primeiro tempo terminava de forma tão pobre que nem se notou
Muito empenho e pouca magia No segundo tempo, a Oliveirense entrou mais afoita, com o objectivo de testar as intenções da equipa da casa, para ver se conseguia levar de S. Mamede mais do que um ponto. Apesar de os comandados de Manuel António começarem a errar nas marcações foi para os azuis a primeira grande oportunidade, por culpa de Armando II, que depois de receber nos braços uma bola praticamente inofensiva a deixa escapar. Por sorte esta não se encontrava em direcção à baliza. O período complementar passava rapidamente, as substituições fizeram-se uma a uma, mas futebol nem ver, a não ser um punhado de boas oportunidades adversárias, com Miguel a aplicar-se de forma elevada a todas elas.
Petardo de Laranjeira O minuto 80 chegou acompanhado, finalmente, daquele futebol que faltava para justificar o dinheiro gasto no bilhete do encontro. Livre a sensivelmente 40 metro da baliza matosinhense, Laranjeira envia um tremendo petardo e Miguel, a confiar novamente no golpe de vista, vê o esférico entrar de rompante no “ninho da coruja”. Estava o mote dado, a Oliveirense adiantava-se no marcador, numa altura em que o grupo anfitrião já se encontrava reduzido a 10 unidades por via da expulsão de Camarinha, decorriam ainda os 64 minutos de jogo. Guardião Miguel lesiona-se O Infesta arrisca e abre espaços. E, numa dessas situações, Miguel vê-se obrigado a sair fora da área para cortar com os pés uma bola perigosa embatendo com violência com o joelho direito num atacante forasteiro. Lesionado, o guardião é substituído por Chico, naquela que foi uma das coincidências do campeonato, já que Chico, que até à altura do encontro da primeira volta com a equipa adversária deste domingo era o firme titular, lesionou-se precisamente em Oliveira de Azeméis.
Silva salva mamedenses Mas o melhor estava guardado para o fim. Silva que tinha entrado no decorrer do segundo tempo, a substituir Paulinho insiste na área adversária e, à segunda tentativa na mesma jogada, acometido por acesso de raiva, estoura para dentro da baliza, levando os adeptos ao rubro e Manuel António ao suspiro de alívio. Estava feito um resultado que não mais sofreu alterações, o que depois de tudo o que aconteceu até não foi mau. Empatar com o segundo classificado, depois de estar reduzido a dez, ver-se em desvantagem e ainda perder um jogador por lesão acabou por se ver na balança da sorte da sorte e do azar, o “quilo de ouro” pender para o primeiro prato.
Artur Santos
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