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Arquivo: Edição de 28-02-2007

SECÇÃO: Desporto


Roberto marca outra vez nos descontos e coloca adeptos em delírio
Um ponto que pode valer ouro

Feirense, 1- Leixões, 1
Jogo Estádio Marcolino de Castro, Santa Maria da Feira
Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)
Feirense: Paiva; Márcio, Mamadi, Luciano e Hernâni; Amorim (João Fernandes, 50), Gabi, Cris e Vitinha (Guima, 89); Jorge Leitão (Tiago, 83) e Nuno Sousa TR: Henrique Nunes
Leixões: Beto; Alexandre, Elvis, Nuno Silva e Nuno Amaro (Marco, 76); Jorge Duarte, Bruno China (Nandinho, 61) e Pedro Cervantes (Filipe, 61); Jorge Gonçalves, Roberto e Hugo Morais TR: Vítor Oliveira
Ao intervalo: 1-0 Marcadores: Luciano (36) e Roberto (90+3)
Disciplina: Cartão amarelo a Amorim (26), Cris (33), Nuno Silva (34), Bruno China (38), Beto (57 e 73), Mamadi (67) e Vitinha (78); Cartão vermelho, por acumulação, a para Beto (73)
Casa cheia no Marcolino Castro para o grande encontro da 19ª jornada da Liga de Honra. As duas equipas responderam da melhor forma ao entusiasmo do público e proporcionaram um espectáculo intenso, apenas manchado pela actuação do árbitro Lucílio Baptista, mas isso já lá vamos.
O Feirense marcou primeiro, esteve longos minutos em vantagem, mas o Leixões, numa demonstração de força, querer e ambição, chegou ao empate já nos descontos. Outra vez Roberto, a fazer lembrar a proeza cometida em Vila do Conde há uns meses atrás.

Muitos nervos e ansiedade
Os primeiros 20 minutos mostram duas equipas algo nervosas. A bola chegava rapidamente às duas áreas, contribindo para isso as reduzidas dimensões do relvado. O Leixões tentava assumir o jogo, iniciando jogadas, principalmente pela ala direita, onde Alexandre e Jorge Gonçalves tinham muita posse de bola. A primeira perdida aconteceu aos 10 minutos, com Hugo Morais, na esquerda, a cruzar rasteiro para Roberto; o artilheiro quando se preparava para facturar viu Luciano tirar-lhe o pão da boca.

«Diabo» Vitinha
O Feirense, sempre pelo «diabo» Vitinha, também tentava criar perigo, com cruzamentos venenosos para a área. O experiente Nuno Sousa, no meio dos centrais, exigia atenção e foram muitas as vezes que Lucílio Batista foi ludibriado pelo avançado fogaceiro, que se deixava cair sempre que sentia alguém nas suas costas.

Beto e a defesa da tarde
As oportunidades de golo sucederam-se para ambas as formações, mas o maior sobressalto foi vivido pelos adeptos leixonenses, quando Vitinha, num excelente cabeceamento, só não festejou porque Beto mostrou novamente o porquê de ser considerado o melhor guarda-redes do campeonato. Com uma palmada, o número 1 evitou um golo que parecia certo. A defesa da tarde.

Amorim poupado
O Leixões não se deixou ficar e respondeu, começando a acercar-se da defesa azul, tendo, numa dessas situações, Amorim recorrido à falta para travar Pedro Cervantes, que tentava iniciar uma acção de contra-ataque. O jogador levou imediatamente as mãos à cabeça, em sinal de arrependimento, pois sabia o que tinha feito e já tinha um cartão amarelo, mas Lucílio Baptista, inexplicavelmente, poupou o jogador, deixando o cartão no bolso. Os adeptos leixonenses ficaram de cabeça perdida.

Luciano contra a corrente
Assim, foi contra a corrente do jogo que o Feirense chegou ao golo. Um belo golo, reconheça-se. Mas com «estória», já que antes de acontecer o lance que ditou a falta, Nuno Sousa tinha novamente simulado uma falta, deixando-se cair na área do Leixões. O juiz mandou seguir o lance, poupando o amarelo ao avançado, e depois surgiu a jogada que originou o livre descaído para a direita. Vitinha, sempre ele, cruzou e o cabeceamento teleguiado de Luciano não deu qualquer hipótese a Beto.

«JG» falha por pouco
Antes do intervalo, o Leixões teve uma ocasião para chegar ao empate. Hugo Morais, mais uma vez, apareceu dinâmico na esquerda, conseguindo ganhar uma bola que parecia perdida, cruzando depois em belo estilo para a área, onde apareceu Jorge Gonçalves a falhar o alvo, disparando por cima por baliza.

Vítor Oliveira mexe
Na segunda parte, cabia ao Leixões mudar o rumo dos acontecimentos. Vítor Oliveira não mexeu logo na reentrada, mas passado 15 minutos do segundo tempo lançou Filipe e Nandinho, abdicando de Cervantes e Bruno China. As linhas atacantes ficaram mais elásticas com o trio atacante (Jorge Gonçalves, Roberto e Nandinho) a ser apoiado de perto por Morais e Filipe. O Leixões procurava com todas as forças chegar ao empate.

Beto expulso e tudo se complica
Quando o Leixões preparava o assalto final, Lucílio Baptista mete água. Numa jogada em que surgem isolados dois jogadores do Feirense, mas em posição ilegal, Beto sai bem da baliza, consegue ser mais rápido que Vitinha e, depois, em esforço, tenta o corte sobre Cris. O jogador fogaceiro projecta-se sobre o guardião, Lucílio Batista apita, dirige-se para o lance, e quando se pensava que fosse admoestar o atleta do Feirense, marca falta contra o Leixões, exibindo o segundo cartão amarelo a Beto. Caldo estava entornado. A equipa de Matosinhos passava a jogar apenas com 10 elementos. Vítor Oliveira é forçado a “queimar” a última alteração, entrando o guarda-redes Marco. Nuno Amaro foi o sacrificado.

A virtude de acreditar
Agora, tinha chegado a hora de dar o tudo por tudo. O Leixões, em desvantagem dupla, enfrentava muitas adversidades, mas contava com a força dos seus incansáveis adeptos. Assistiu-se, então, a um futebol partido e directo, na tentativa da bola chegar rapidamente à área do Feirense. O sufoco foi sentido e a raça dos homens do Mar veio mesmo ao de cima, dando tudo por tudo, à procura do golo do empate.

Roberto avisa...
As bolas chegavam em catadupa à zona de perigo dos locais, mas nem sempre da melhor forma, e os atletas do Feirense tentavam jogar com o relógio e com a conivência de Lucílio Batista. Numa das vezes que a bola chega a cabeça de Roberto, o avançado consegue o cabeceamento mas esta caprichosamente bate em Mamadi e saí para fora. Era o primeiro aviso.

Roberto marca!
O quarto árbitro tinha acabado de mostrar a placa, com apenas cinco minutos de desconto (!), quando Alexandre tinha a bola preparada para marcar mais um livre directo para a área. Do lance, numa confusão de jogadores, a bola bate nas costas de um defensor azul e sai pela linha de fundo. Nandinho assume a execução do canto e coloca a bola nas alturas, com Roberto, de cabeça, a subir mais alto que Paiva, enviando a bola para o fundo das redes. Era o empate e a loucura entre os dois mil adeptos leixonenses que “invadiram” o Estádio Marcolino de Castro.

Empate importante
O resultado acabou por ser um empate que se adequa, principalmente pela primeira metade repartida. O Feirense conseguiu chegar ao golo, aproveitando o facto do Leixões não conseguir facturar. No segundo tempo, Vítor Oliveira mexeu na equipa, mas o momento do jogo foi mesmo a expulsão de Beto. E, no último pressing, a mostrar crença e garra por um resultado melhor que uma derrota, o Leixões chegou merecidamente ao golo. Um ponto que acaba por ser saboroso e que pode valer ouro no final do campeonato.

Arbitragem não agradou a ninguém
Sobre Lucílio Batista, está quase tudo dito. Quando no primeiro minuto, marcou uma falta inexistente de Elvis sobre Nuno Sousa, à entrada da área leixonense, adivinhou-se o que se podia passar durante o resto do encontro. Decisões desacertadas e contraditórias, numa arbitragem que não agradou a ningúem. Algo difícil de acontecer.

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Edição de 16-06-2010
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