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Arquivo: Edição de 21-02-2007

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Inépcia atacante na base de um nulo inesperado
Golos guardados para a Feira

Liga de Honra (18ª Jornada)

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Hugo Miguel (Lisboa)

Leixões, 0 Portimonense, 0

Leixões: Beto; Alexandre (Cícero, 70), Cleuber, Elvis e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Pedro Cervantes (Filipe, 60) e Hugo Morais; Jorge Gonçalves, Roberto e Nandinho (Cristóvão, 60)
TR: Vítor Oliveira

Portimonense: Michael; Ricardo Pessoa, Marco Almeida, Rui Ferreira e João Manuel; Diogo Silva, Marinho e Nuno Coelho (João Pedro, 72); Pintassilgo, Rui Baião (Marco Abreu, 87) e Rodolfo Lima (Vargas, 77) TR: Luís Martins

Ao intervalo: 0-0
Disciplina: Cartão amarelo a Alexandre (23), Michael (65), João Manuel (71) e João Pedro (90)

Ficou reduzido à dimensão do zero, número sempre constrangedor quando se trata de um desafio de futebol, o braço-de-ferro entre o líder do campeonato e o conjunto que chegou a Matosinhos proveniente de Portimão. O Leixões cedeu um empate inesperado num jogo que dominou do princípio ao fim, mas onde claudicou na finalização, um “pequeno-grande” pormenor que faz sempre a diferença no resultado. Feitas as contas, o Leixões até ampliou a vantagem para o segundo classificado, já que o Feirense perdeu nos Açores, mas agora vê um trio de concorrentes (Feirense, Santa Clara e Rio Ave) a quatro pontos de distância.

Era só acelerar

Os primeiros minutos mostraram um Leixões sintonizado com a condição de favorito diante de um Portimonense que luta pela sobrevivência. Pelo lado direito, então, era só acelerar, pois o defesa-esquerdo alvi-negro (João Manuel) parecia perdido em campo e falhava constantemente na marcação. Era muita manteiga…
Alexandre, sempre dinamizador, subia pelo corredor e entendia-se bem com Cervantes, chegando facilmente à linha de fundo, onde tirava cruzamentos para Roberto, o artilheiro que tanto queria marcar para dedicar à filha Raíssa. Sucederam-se cantos e Elvis, o central que regressou à titularidade após a lesão de Barcelos, cabeceou com perigo, mas a bola passou por cima da baliza do gigante Michael.

Apenas ilusão de óptica

Já depois de Roberto ter rematado enrolado, já em esforço, foi a vez de Jorge Gonçalves, de cabeça, atirar ligeiramente ao lado da baliza algarvia. Os centrais esqueceram-se do loiro e o jovem avançado atirou de cabeça, tendo, na ocasião, ficado a sensação que a bola se tinha encaminhado para o fundo da baliza. O público até festejou, mas foi apenas ilusão de óptica. Michael, uruguaio de 26 anos que chegou em Janeiro ao futebol português, ficou a olhar para a bola e estava batido.

Roberto cheira o golo

O primeiro ataque do Portimonense acontece aos 23 minutos, altura em que Rodolfo Lima (o melhor dos algarvios) tenta cruzar para a área e o jovem árbitro Hugo Miguel entende que Alexandre corta o lance com o braço, tendo, assim, exibido o cartão amarelo ao lateral leixonense. Do livre, não resultou nenhum perigo. Depois, em dois minutos, Roberto, sempre empertigado, está perto do golo. Primeiro, intromete-se entre um defesa e o guarda-redes e, de ângulo apertado, remata ao lado. Depois, recebe a bola de costas para a baliza, faz a rotação típica de um matador, mas atira ao lado.

Amaro rompe e «JG» falha

Aos 30 minutos, a melhor ocasião do primeiro tempo. Nuno Amaro, qual locomotiva, rasga o corredor esquerdo e opta (muito bem) por assistir Jorge Gonçalves no centro do terreno. O atacante só tinha que rematar para a baliza, mas acabou por não acertar devidamente na bola, tendo depois ficado a queixar-se de ter sido carregado por um defesa algarvio. Reclamou-se grande penalidade, mas o juiz nada assinalou.

Rui Ferreira salva na linha

Rui Baião assina o primeiro remate do Portimonense, aos 32 minutos, num lance fácil para o atento Beto. A seguir, nova ocasião para a equipa leixonense, com Roberto, após uma série de ressaltos, a cabecear para a baliza, tendo aparecido «in-extremis» o experiente Rui Ferreira a salvar, de cabeça, sobre a linha. Era a última grande oportunidade do Leixões no primeiro tempo.

Cinco minutos atrevidos

Os primeiros cinco minutos da primeira parte mostram um Portimonense mais subido no terreno, tendo, nesse período, criado uma situação de relativo perigo, com Rodolfo Lima (sempre ele) rematado às malhas laterais. O cenário até podia ser benéfico para a formação leixonense, pois, assim, certamente, iriam existir mais espaços para desenvolver o ataque, mas a verdade é que teia alvi-negra depressa de recompôs e principalmente preocupou-se a defender.

Ninguém queria acreditar

Aos 51 minutos, Alexandre e Cervantes combinam muito bem já dentro da área algarvia, com o último a tirar um cruzamento tenso a pedir apenas um toque para a bola se dirigir para a baliza. Roberto entrou com tudo, mas a bola saiu para as nuvens, gorando-se, assim, nova excelente oportunidade. Roberto tinha acabado de fazer o que normalmente não faz e, nas bancadas, os adeptos nem queriam acreditar.

Beto anti-Pintassilgo

Contra a corrente, o Portimonense dispõe também de uma grande ocasião, surgindo Pintassilgo na área, após jogada de Rodolfo Lima no lado direito, com todas as condições para marcar, valendo a estirada de Beto para evitar o balde de água fria. Uma defesa de grau de dificuldade elevado a mostrar que o número 1 estava devidamente concentrado, apesar de passar a maior parte do tempo a ser mais um espectador, mas em local privilegiado.

Duas alterações de uma assentada

Chegava a hora de arriscar. Vítor Oliveira decide-se então pelas entradas, em simultâneo, de Filipe e Cristóvão para os lugares de Nandinho (muito anémico) e Alexandre. O objectivo era dar mais organização ao meio-campo e profundidade ao ataque. Para isso, o treinador leixonense sacrificou o lateral Alexandre, que estava a ser um dos melhores em campo, mas tinha um cartão amarelo e Rodolfo Lima ameaçava por aquele lado. Nandinho também não estava nos seus dias, percebendo-se a substituição. Filipe, que tem talento nas botas, tentou impor o seu futebol feito de toque-toque, mas a equipa não ajudou. Cristóvão, que já não era opção há algum tempo, entrou cheio de vontade, suou a camisola, mas voltou a não convencer os sócios.

Michael seguro e… ortodoxo

O Leixões insistiu na procura do golo, mas o gigante Michael, de forma, às vezes, segura, outras de forma ortodoxa, lá ia aguentando o nulo para desespero dos leixonenses e de Jorge Gonçalves, que teve mais duas ocasiões para marcar, mas em ambas viu o remate ser travão pelo pé do guardião uruguaio. Aos 77 minutos, nova incursão de Roberto, com remate rasteiro e violento, mas em direcção ao… apanha-bolas, que deve ter ficado com o pé a ferver, tal a potência do remate.

Vai ser agora…

Foi o que pensaram os adeptos quando viram Jorge Gonçalves, aos 84 minutos, a livrar-se da marcação do adversário, entrar na área e com Michael batido rematar para a baliza. Mas a bola saiu ao lado! E o Leixões não tinha meio de desbloquear o marcador. Neste último assalto, o Portimonense tentava aliviar a pressão e cada vez que um jogador caía no relvado lá se perdiam alguns minutos até o jogo estar em condições de prosseguir. O público vaiava o anti-jogo dos forasteiros.

Morais e o canto do cisne

Ao segundo minuto dos cinco de compensação, livre em posição frontal para o Leixões. Hugo Morais, que praticamente do mesmo local, apontou um golo de bandeira ao Santa Clara, tinha nova oportunidade de ser feliz e vestir a pele de herói. Concentrou-se, partiu para a bola, mas esta saiu por cima da baliza. Era o canto do cisne para o Leixões. Pouco depois, Hugo Miguel, que deixou alguns cartões no bolso a punir os algarvios, dava o apito final.

Emoção para a Feira

Segue-se agora o Feirense, vice-líder do campeonato. Um jogo que promete emoções fortes e que, certamente, irá contar com uma legião de leixonenses, que acreditam que os golos que ficaram por marcar diante do Portimonense vão agora acontecer em Santa Maria da Feira. Na primeira volta, no Mar, houve empate a uma bola, com Tatu a responder, perto do final, ao golo apontado por Nuno Sousa. O cartaz é o prato forte da 19ª jornada e uma vitória leixonense coloca os matosinhenses ainda mais perto da Liga.

Vítor Oliveira – Treinador do Leixões
“Ineficácia e azelhice”

“Realizámos uma boa primeira parte, chegámos facilmente à linha de fundo, mas não marcámos. No segundo tempo não estivemos tão bem, abusámos do jogo directo, mas também podíamos ter chegado ao golo. Não aconteceu e fiquei com a sensação que podíamos ter jogado mais meia hora e a bola não ia entrar. Perdemos dois pontos, mas está tudo em aberto. Este jogo serve de exemplo para futuro, pois a postura táctica do Portimonense vai ser idêntica a alguns adversários que vamos encontrar. Temos ser muito fortes em todos os domingos, pois nada está decidido. Este resultado serve também para esfriar os ânimos, pois, às vezes, as pessoas pensam que já está tudo feito. Neste jogo, houve ineficácia e azelhice, pois tivemos situações onde o mais difícil era mesmo falhar. Contra o Feirense, não vamos abdicar do nosso 4x3x3. Jogamos sempre da mesma forma”.

Inscrições abertas
Invasão à Feira

Os interessados em apoiar o Leixões na deslocação a Santa Maria da Feira, no próximo domingo, podem inscrever-se na excursão levada a cabo por Emílio Oliveira (966410686) e Emília Faria (963519845). A partida está marcada para as 13.30 horas, no Estádio do Mar. Preço por pessoa: 4 euros.

Máfia incansável
Amor eterno
O jogo com o Portimonense demonstrou, mais uma vez, a dedicação da claque Máfia Vermelha à causa leixonense. Uma tarja com a frase «Amor eterno» marcou a coreografia dos apoiantes rubro-brancos, que deixam sempre a sua marca em todos os estádios onde a equipa rubro-branca se desloca. Assim é bonito.

Por: Arnaldo Martins

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Edição de 03-02-2010
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