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Arquivo: Edição de 07-02-2007

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Jornada fantástica com vitória justa e derrota do Feirense em casa
De volta ao topo da pirâmide

Liga de Honra – 17ª Jornada

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa)

Leixões, 3 Santa Clara, 1

Leixões: Beto; Alexandre, Cleuber, Joel e Hugo Morais; Jorge Duarte, Filipe e Pedro Cervantes (Ricardo Jorge, 79); Jorge Gonçalves (João Pedro, 82), Roberto e Nandinho (Malafaia, 65)
TR: Vítor Oliveira

Santa Clara: Botelho; Accioly, Vinicius, Nuno Sociedade e Anselmo; Bruno Novo (Maurinho, 45), Vítor Silva (Gomes, 55) e Mateus; Prieto (Siston, 59), Júlio César e Kall
TR: Paulo Sérgio

Ao intervalo: 2-0
Marcadores: Jorge Gonçalves (23), Filipe (31), Hugo Morais (77) e Kall (90)
Disciplina: Cartão amarelo a Anselmo (49), Jorge Duarte (63), Malafaia (70), Nuno Sociedade (76), Siston (85) e Ricardo Jorge (89); Cartão vermelho a Vinicius (52)

O Leixões voltou a ficar destacado na liderança da nova Liga “Vitalis”, deixando o adversário desta jornada a seis pontos de distância. Para compor o ramalhete, o Feirense foi batido em casa, diante do Gil Vicente, o que deixa os fogaceiros a três pontos da formação leixonense.
No Mar, assistiu-se a mais uma onda positiva para se juntar a uma maré que continua a encher em Matosinhos. Sem grandes sobressaltos, a turma de Vítor Oliveira limpou o Santa Clara de forma convincente, demonstrando o clima de confiança que se vive no seio da equipa. Das ilhas veio uma formação que ocupa um lugar de destaque na prova, mas que não conseguiu justificar o porquê do terceiro lugar que ocupa na classificação.
O Leixões, com uma defesa quase de recurso, foi superior em todos os sectores e dominou o encontro. Fez três golos e criou mais oportunidades para ampliar um resultado que ainda deu lugar a um golo dos insulares, já nos descontos da partida. Fica para a história uma vitória, mais que justa, de uma equipa que volta a estar no topo da pirâmide.

Muita classe e personalidade

Tinha o Leixões uma soberana oportunidade para voltar a repor a vantagem pontual sobre o Santa Clara. Na missão dos matosinhenses, afigurava-se o regresso aos triunfos, que já fugiam há duas semanas. E foi com uma atitude tranquila que os pupilos de Vítor Oliveira entraram em campo.
A adaptação de Hugo Morais, no lado esquerdo da defesa, foi a novidade mais notada, já que Joel e Cleuber quase que eram obrigados a jogar no eixo da defensiva, fruto das debilidades físicas de Nuno Silva e Elvis.
Mas até por aí o Leixões entrou mandão com o domínio territorial do campo. Até que Pedro Cervantes resolve pôr um pouco de sal na partida e assustou o adversário pela primeira vez, aos 10 minutos, fazendo passar a bola a roçar o poste direito da baliza à guarda de Botelho. Era o primeiro sinal de alarme para os forasteiros porem trancas às portas.

Bomba de Jorge Duarte e “JG” recarga

A superioridade dos locais começou a ser mais notada e a bola só circulava nos pés dos matosinhenses, com o Santa Clara muito timidamente a tentar contrariar o inevitável. Jorge Duarte já tinha avisado minutos antes com uma bomba de fora da área que era dali que o lobo ia aparecer na mata.
Pois desde muito cedo que ficou fácil eleger o melhor em campo, com o trinco rubro-branco a assumir um papel chave quase a toda a largura do campo. Minuto 23, livre cobrado por Alexandre sobre a ala direita no ataque leixonense; o lateral põe a bola na área, a defensiva açoriana alivia o esférico, mas este cai no pé esquerdo de Jorge Duarte que obriga Botelho a intervenção difícil após um remate excelente, aparecendo, na recarga, Jorge Gonçalves a abrir o activo. Explode de alegria o Mar, comemora o número 19 um golo que teve contributo importante do trinco do Leixões.

Santa Clara cinzentão

A meio do primeiro tempo o resultado sorria à única equipa que tinha feito por merecer o golo. A personalidade de uma equipa confiante veio ao de cima e o controlo da partida era cada vez mais evidente pelos donos da casa. Quem parecia sem muitos argumentos era o Santa Clara, que não tinha no seio da sua equipa alguém capaz de importunar o guardião Beto, que actuou esta jornada de cinzento, a cor que o Santa Clara ia deixando na exibição que fazia no Estádio do mar. Prieto e Kall eram os únicos que deixavam indicações mais eficazes em campo, muito pouco para uma equipa que anda nos lugares cimeiros.

Filipe amplia a vantagem

Seguia uma partida a caminhar para os últimos 15 minutos da primeira metade, quando Cervantes tira mais um coelho da cartola. Descaído para a direita, o oito do Leixões aplica um cruzamento mortífero e aparece Filipe ao segundo poste (como fez com o Gil Vicente, embora agora com o pé e não com a cabeça) para concluir pela terceira vez na prova. Belo momento de futebol no Mar, com uma boa dose de classe que serviu para o Leixões ampliar a vantagem no marcador e precocemente arrumar com as contas da partida.

Vinicius atropela Roberto e é expulso

As contas da partida estavam praticamente arrumadas e a primeira parte esgotada. O Leixões foi para intervalo com uma vantagem de dois golos para no começo do segundo período ficar com vantagem também numérica. Antes, Nandinho teve tudo para fazer o terceiro mas desperdiçou uma boa jogada de ataque com um remate disparatado quando surgiu em boa posição dentro da área. E, no minuto 52, o Santa Calara ficou reduzido a 10 jogadores. Mais uma boa jogada de entendimento do Leixões com Roberto a ficar isolado em posição frontal para a baliza, mas no momento que o centro-avante tenta entrar na área para desferir o golpe final é derrubado por Vinicius. Expulso, e bem, o médio do Santa Clara e livre perigoso à entrada da área para o Leixões. Do livre resultou o primeiro aviso de Hugo Morais a mandar a bola contra a barreira.

Magistral Alexandre abre o livro

Dificultada, ainda mais, a tarefa de Paulo Sérgio, que decidiu mexer para tentar equilibrar a contenda. Contudo, a forma encontrada não foi decisivamente a mais feliz. Tirou um extremo (Vítor Silva) e colocou o central Gomes, ficando a actuar somente com três defesas fazendo avançar Nuno Sociedade – defesa esquerdo - para o meio campo. Ora sem o lateral direito, que tinha saído antes do intervalo para dar lugar a Maurinho, o Santa Clara passou a actuar com uma táctica de alguma forma suicida, visto que as alas leixonenses encontravam os corredores à sua mercê. Alexandre viu-se assim “obrigado” a abrir o livro. A categoria do número 21 começou a fazer a diferença, com tanto espaço livre para se explanar no flanco, em sucessivas arrancadas tirou cruzamentos para todos os gostos.

Festival de falhanços

Com uma bandeja de ouro, chamada Alexandre, o Leixões desperdiçou por três vezes, em cinco minutos, golos praticamente elaborados, faltando o toque final. Hugo Morais, aos 57 e 61, não acertou com a baliza com remates por cima e ao lado. Depois, Roberto, aos 58, num remate de cabeça em mergulho atirou a rasar o poste. Estas jogadas contribuíram para um festival de falhanços da equipa do Leixões, que empolgava os adeptos desejosos de festejar o terceiro golo, quase, inevitável.

Maré volta a acalmar

Após deixar a massa associativa com gostinho na boca para gritar o terceiro, o conjunto matosinhense entrou em maré mais calma. As alas leixonenses continuavam a gozar de espaço, mas a tendência agora era de contenção, e assistiu-se ao período menos empolgante da partida. Sem forçar e com a manta um pouco curta para estender, os insulares tentavam através de futebol mais directo sacudir a pressão, mas Jorge Duarte como primeiro tampão, e Joel e Cleuber, nas alturas, estavam sempre em atenção. De resto, Joel agarrou bem a titularidade e, com a braçadeira de capitão, impôs o seu respeito no sector mais recuado da equipa.

Hugo Morais acerta

Com mais um elemento em campo cabia, naturalmente, ao Leixões ter mais tendência para explanar o seu futebol e criar mais perigo. Foi numa jogada de contra-ataque, mais uma vez bem delineado que Jorge Gonçalves foi derrubado à entrada da área, dando direito a mais um livre perigoso a favor do Leixões. Para a marcação novamente Hugo Morais, que já tinha cobrado de forma deficiente um livre directo. Mas à falta de Nuno Amaro, o substituto do lateral esquerdo foi tentar mais uma vez a sua sorte e com classe fez mesmo o golo. De forma exemplar, deixou Botelho pregado ao chão e elevou a contagem para 3-0, na primeira vez na época que o Leixões marcou de livre directo. Tudo feito no Mar, não espantado em nada caso surgissem mais golos para a equipa local.

João Pedro na ovação da tarde

Antes de acabar a partida mais três registos, apenas com 10 minutos para se jogar. Jorge Gonçalves momentos antes de ser substituído proporciona a Botelho a defesa da tarde, depois de corresponder de bela forma a um cruzamento de, adivinhem, pois claro, Alexandre. Depois, minuto 83, regressa aos relvados o fantástico João Pedro. Após longo calvário, o mítico avançado voltou a pisar o relvado do Mar em partidas oficiais, ele que fez precisamente dia 29 de Janeiro um ano que não entrava em competição. Um momento arrepiante.

Golo de honra

A cereja podia ter sido colocada com a entrada e a ovação merecida a João Pedro, mas o Santa Clara quis roubar uma fatia do bolo. Através de um livre directo à entrada da área leixonense, Kall, um dos menos conformados com o poderio adversário, rematou para o golo de honra do Santa Clara. Um golo que não belisca em nada um triunfo limpo e plenamente justificado pela formação que segue embalada no topo da classificação. As portas da subida estão, definitivamente, encaradas. A arbitragem não foi de grande nível, mas não teve em nada influência no resultado e no lance da expulsão de Vinicius ajuizou da melhor forma.


Por: Bruno Leite

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Edição de 16-06-2010
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