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Infesta - Recepção ao líder coloca fim à invencibilidade caseira Espinhos cravados no orgulho azul
Campeonato Nacional da II Divisão
Jogo no Estádio Moreira Marques, em Matosinhos Árbitro: João Roque (AF Portalegre)
Infesta, 1 Espinho, 3
Infesta: Miguel; Bruninho (Ivo, 61), Nelson (Laranjeira, 46), Nuno e Paulinho (Paiva, 85); Vitinha, Baptista, Camarinha e Zé Manuel; Júlio e Pedro Nuno TR: Manuel António
Espinho: Mário Felgueiras; Cristiano, Hélder Vasco, Edgar e Pedro Dimas; Valença, Fábio Espinho (Moisés, 85), Paulo Torres (Miki, 77) e Pedro Mendes (Rufino, 82); Bertinho e Moreira TR:
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Pedro Mendes (46 e 77), Nuno (68) e Bertinho (79) Disciplina: Cartão amarelo a Fábio Espinho (70) e Laranjeira (81)
Foram três mas podiam ter sido mais. Um período de maior fulgor do Infesta ainda deu para sonhar mas experiência do líder ditou leis num duelo de grande espectáculo, numa tarde em que os bombos foram à bola. Da cor e do som vive também o futebol, aquela essência que nos faz vibrar e sofrer até às fímbrias da alma, deitando para fora um grito, de dor ou alegria, as calenturas de uma semana, boa ou má, de trabalho e família. Ainda o encontro não tinha começado e nem sequer os “onzes” iniciais se conheciam e lá ao longe já se ouviam os tambores e os bombos da Associação Desportiva e Recreativa “Águias de S.Mamede de Infesta”, que sabendo, que nesta tarde, se ia realizar um jogo grande no Moreira Marques, vieram “treinar” e desejar sorte aos pupilos de Manuel António, que agradeceram de uma forma simples mas gratificante: vestiram de amarelo e azul, exactamente como os “Águias” vinham trajados.
Tigre muito agressivo
E se sorte vieram desejar, então essa veio mesmo a calhar, porque o Espinho não se conteve em contemplações e partiu, desde o primeiro minuto, para cima da turma doméstica, convicto que rapidamente podia decidir o encontro. Pedro Mendes foi o primeiro jogador adversário a soar o alarme da baliza à guarda de Miguel, ao rematar cruzado e a centímetros do poste, passados estavam ainda quatro minutos. O caudal ofensivo manteve-se e minutos depois nova oportunidade, desta feita, por Moreira, obrigando o número um mamedense a defesa de dificuldade elevada.
Miguel segura o nulo
Perante tal avalanche, Manuel António via a sua equipa quase sufocar perante um tigre enraivecido. Logo vieram os gritos do mister lá para dentro, para a tal “caixinha de fósforos”, como alguém chamou ao estádio Moreira Marques. E parece ter resultado, já que lentamente o Infesta desencostava das cordas, começando a descer para lugares mais atacantes e, aos 20 minutos, Júlio desperdiça uma boa oportunidade depois de um falhanço do guardião alvi-negro. Os primeiros 45 minutos iam terminando e Miguel, por três vezes, foi obrigado a aplicar-se, de tal maneira que logo se tornou um dos mais importantes elementos do encontro, já que levou para o intervalo um nulo de respirar fundo.
Nuno corresponde à aposta
Com o início do segundo tempo, veio o primeiro “balde” de água fria, logo aos 46 minutos e já depois de Laranjeira ter entrado para render um muito apagado Nélson. Depois de um cruzamento bem medido de Moreira, Pedro Mendes, um dos melhores jogadores do líder do campeonato, remata forte para dentro da baliza, de nada valendo o esforço de Miguel, que ainda tocou na bola. O Infesta tremeu mas não caiu, pelo menos ainda. Eis que numa tentativa quase desesperada Manuel António decide arriscar e coloca o central Nuno a ponta-de-lança, na tentativa de aproveitar a elevada estatura e a boa compleição física do capitão mamedense. Arriscou, petiscou. O Infesta enche o peito, acredita forte num resultado diferente, e lança-se, por vezes de forma inusitada, ao ataque. Começa a criar oportunidades e, finalmente, chega ao empate. Por quem? Por Nuno, claro está. Defesa-capitão-goleador, trio de qualidades essencial para dar um pontapé na crise e encher de esperança os adeptos da casa, constrói jogada soberba pelo lado direito e na cara de Mário Felgueiras toca para o fundo da baliza, provocando o delírio.
Experiência vence esperança
Mas foi sol de pouca dura. O Infesta recuou em demasia e o Espinho, sentindo-se injustiçado, lançou-se de novo no ataque, cortou a respiração aos mamedenses, o jogo tornou-se electrizante, Pedro Mendes ainda falha de forma clamorosa o segundo golo forasteiro e depois de um falhanço quase infantil de Camarinha o mesmo Pedro vê Miguel à sua mercê e faz o que quer, o golo de uma vantagem que nunca mais fugiu.
Vitinha falha grande penalidade
Tempo houve ainda para o Espinho avolumar o resultado, através da marcação de uma grande penalidade por Bertinho e para o Infesta perder a oportunidade de diminuir a desvantagem também por castigo máximo mas com Vitinha a permitir defesa de grande nível do goleiro espinhense. Não mais o Infesta se encontrou e um dos melhores encontros da época terminou com o fim da invencibilidade azul-e-branca, que durava há já mais de um ano, desde a derrota frente ao Paredes pela margem mínima de 0-1. Artur Santos
Figura
Nuno: A distinção foi disputada entre Miguel e Nuno. Ganha o capitão. Não porque Miguel não tinha feito o que pôde para travar as investidas do tigre negro, mas porque o capitão foi aposta arriscada mas ganha (pelo menos durante um pequeno período) por Manuel António, que decidiu atirá-lo às feras defensivas do líder da tabela. Construiu a jogada e marcou o golo do empate.
Manuel António – Treinador do Infesta “Uns furos abaixo do normal”
Manuel António era um homem rendido às evidências: “O Espinho foi um justo vencedor. Criou mais oportunidades de golo e foi mais forte em grande parte do jogo. Marcou na altura certa e soube ser feliz”. A certa altura, o empate parecia ser o desfecho do jogo, mas o treinador confessa que não ia ser fácil manter a igualdade, já que alguns jogadores “estiveram uns furos abaixo do que é normal”. “Parabéns ao Espinho, que agora é ainda mais candidato à subida de divisão”.
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