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Arquivo: Edição de 20-12-2006

SECÇÃO: Desporto


Triunfo indiscutível com meia hora à… Leixões
Merecem palmas!

Liga de Honra

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)

Leixões, 4 O. Moscavide, 0

Leixões: Beto; Alexandre, Elvis, Cleuber e Nuno Amaro (Marco Cadete, 60); Jorge Duarte, Malafaia, Pedro Cervantes (Bruno China, 60) e Hugo Morais; Jorge Gonçalves e Roberto (Cícero, 72)
TR: Vítor Oliveira

O. Moscavide: Nené; Duarte Machado, Nuno Abreu, Paulo Dias e André Marques; Paulo Teixeira, Celestino e Serginho (Cléo, 26); Pereirinha, Rui Varela (Carlos Saleiro, 72) e Hélio Roque (Filipe Falardo, 60)
TR: Rui Dias

Ao intervalo: 3-0
Marcadores: Elvis (10), Roberto (20), Pedro Cervantes (30) e Marco Cadete (70)
Disciplina: Cartão amarelo a Serginho (19), Hélio Roque (30), Nuno Abreu (49), André Marques (74) e Filipe Falardo (75)

O Leixões parece ter tomado o gosto à chapa quatro e, após a goleada ao Varzim, no último confronto em casa, o Olivais e Moscavide provou do mesmo veneno. Queria o Leixões ultrapassar a pesada derrota, da jornada anterior, em Penafiel (3-0) e mostrar ao seu público que tudo não passou de um mero percalço. E o feito foi conseguido, fruto de 30 minutos demolidores, nos quais a formação de Vítor Oliveira asfixiou o seu opositor, apresentando uma dinâmica de jogo capaz de alcançar três golos, na primeira parte, com toda a naturalidade do Mundo.
Este é um Leixões com enorme potencial, digno de fazer mossa em qualquer equipa, desde que esta se apresente com o intuito de discutir o jogo. O Olivais e Moscavide caiu nesse erro…

Verdadeira máquina industrial

Na equipa leixonense, parece que estão criadas rotinas de jogo e situações que têm trabalho de laboratório, pois a fluidez de jogo aparece como se de uma máquina industrial se tratasse. Chegou também, por vezes, a ser novamente Cervantes a manobrar o barco com olhos postos na proa da embarcação, leia-se Roberto. Após este período, que incidiu sobre a primeira metade, assistiu-se depois a uns segundos 45 minutos em maré baixa, quase sonolenta, pois a faina já estava alcançada e o cabaz estava bem repleto, com números plausíveis para uma boa pescaria.

Início demolidor

Que mais pode pedir um treinador, quando o domínio inicial do jogo culmina com um golo madrugador? Foi assim que o Leixões começou o jogo ante o Olivais e Moscavide. A formação do sul, que vem desempenhando uma prova algo surpreendente, a provar pela sua classificação, tinha no Estádio do Mar uma prova para demonstrar todas as capacidades que os “miúdos” de Rui Dias possuem. Mas, por obra e graça de uma onda fértil em quantidade e qualidade, os “miúdos” foram manietados por uma rede gigante lançada pelos homens do Mar. Esta não só atropelou os forasteiros no seu cantinho como pescou, aos 10 minutos, o tento inaugural.

Golo à… Pai Natal

Antes, aos seis minutos, Roberto ficou a protestar grande penalidade por derrube de André Marques, mas o lance apesar de duvidoso não ofereceu dúvidas a Carlos Xistra, que mandou seguir a jogada. Depois, um livre de Nuno Amaro, no lado esquerdo, colocou a bola na cabeça de Elvis e o capitão molhou a sopa pela primeira vez na época, num belo cabeceamento. Era o golo Pai Natal: bola na rede, 1-0 no placard, Elvis e Roberto sacam de dois gorros do pai natal e enfiam o barrete na comemoração, uma coreografia especial para dar colorido aos 80 minutos que ainda havia para jogar.

Suicídio forasteiro

Estavam abertas as hostes de um jogo que se previa de festa. O Olivais parecia querer participar no episódio e alinhava numa espécie de “hara-kiri”. Perante a avalanche matosinhense, os pupilos de Rui dias jogavam com a defesa em linha, um risco assumido, mas auxiliado pelo assistente do lado do ataque local, que fartou-se de levantar a bandeirola na primeira metade, oito vezes (!), com sérias dúvidas para grande parte dos lances.
E enquanto o desenrolar do jogo se deparava com as envolventes jogadas de ataque leixonense e os “off-sides”, o Leixões chegou ao segundo golo.

Brinde de Nené

À passagem dos 20 minutos, Néné resolve brindar Roberto. Uma bola é sacada da defensiva do Leixões, Roberto luta com os centrais, Néné resolve disputar o lance, corre para tentar interceptar a bola, escorrega, cai e quem aproveita… claro, Roberto. O avançado empurrou o esférico calmamente para o fundo das redes, num dos golos mais fáceis da sua carreira. Mais um registo para a ficha do jogo para justificar o domínio que o Leixões estava a ter na partida. Não era nada anormal este 2-0, aos 20 minutos de jogo, começando a cheirar a goleada, isto se a formação visitante não se desprendesse das malhas contrárias.

Cervantes fecha meia hora de luxo

A meia hora de luxo leixonense teria de ser selada com mais um golo. Este período de futebol rubro-branco foi do que melhor se viu esta época e, numa das jogadas mais bonitas do desafio, Nuno Amaro combina com Hugo Morais na esquerda, a toda a largura do flanco, este desfere um cruzamento, Roberto ganha sobre o guardião, cabeceia para a baliza mas o esférico é interceptado sobre a linha de golo, aparecendo, na recarga, Cervantes a atirar com fúria para o fundo das redes. 3-0! Festejado euforicamente no Mar. Mais que um golo, era o fecho de uma partida carimbada pela marca Leixões, dando moral e elevando o ânimo de uma equipa em perfeita comunhão com os seus incansáveis adeptos.

Apenas controlar

Haviam mais 60 minutos para disputar, mas ninguém presente no Mar tinha a ousadia de pensar que os três pontos fugissem de Matosinhos. Nem o conjunto do Moscavide parecia ter argumentos e capacidade para voltar a relançar a partida e discutir o resultado construído pelos leixonenses. O jogo aproximava-se, então, de um final de primeira parte bem animada, justificando por si o tempo empregue pelos presentes. Da parte de Rui Dias, o sorriso era coisa que não aparecia no seu rosto e agora havia apenas que deixar uma mensagem diferente para evitar que o naufrágio fosse ainda maior.

Beto diz presente

Após o descanso merecido, os guerreiros estavam de regresso e os adeptos queriam assistir a mais um assalto intempestivo à baliza de Nené. Mas a hora era de acalmia. A fazer jus ao ditado – um raio não cai no mesmo local duas vezes –, o Leixões também não arrancou para esta segunda metade da mesma forma. Assim, os forasteiros procuraram o golo da aproximação e só não conseguiram porque Beto disse sempre presente. O guarda-redes do Leixões, que foi um espectador atento na primeira parte, mostrou grande categoria para resolver duas situações difíceis. E seriam estes os últimos suspiros de um adversário já em mau estado de saúde. O Leixões também não quis ser demasiado rude e o contra-golpe era sempre efectuado em ritmo brando. Num desses lances, Hugo Morais não aproveitou para fazer o 4-0, rematando ao lado da baliza de Néné.

Cadete e o último doce

O Leixões não queria forçar muito, mas o Olivais e Moscavide também não conseguia reduzir a diferença. Estava o encontro neste impasse, quando chegou o momento ato da tarde, autoria de Marco Cadete, que tinha acabado de entrar para o lugar do lesionado Nuno Amaro. Jorge Gonçalves, isolado, não conseguiu desfeitear o guarda-redes, que interceptou o esférico, sacudindo a bola para longe. Mas, nesse instante, surgiu Marco Cadete, sobre a linha lateral, a disparar uma bandeirada monumental para o fundo da baliza. Um golão e o último doce de uma vitória categórica. Depois, ainda houve tempo para a substituição de Roberto por Cícero, assistindo-se à maior ovação da tarde para o rei dos goleadores da Honra, com 11 golos apontados em 14 jornadas. É obra.

Bacalhau pode ter outro sabor

Com este resultado e face à conjugação dos outros resultados da última ronda, o Leixões ascendeu à vice-liderança e pode mesmo terminar o ano a calçar botas de ouro se vencer, no próximo sábado – pelas 15 horas, no Mar – o Gil Vicente, no jogo que está em atraso desde a primeira jornada. Se os três pontos ficarem novamente em Matosinhos, o bacalhau vai ter outro sabor para o universo leixonense. Por último, referência apenas para a curiosidade de pela primeira vez, na presente época, o Leixões não ter sido punido com qualquer cartão.



Por: Bruno Leite

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Edição de 03-02-2010
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