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Leixões - Resultado é exagerado e não traduz a verdade do jogo Grande penalidade mudou tudo
Liga de Honra
Jogo no Estádio Municipal 25 de Abril, em Penafiel Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
Penafiel, 3 Leixões, 0
Penafiel: Avelino; Pedro Moreira, Vinicius, Nuno Diogo e Kelly; Ferreira, Lourenço (Filipe, 87) e João Pedro; Diego (Dias, 87), Jacques e Moreno (Guedes, 59) TR: Rui Bento
Leixões: Beto; Marco Cadete, Nuno Silva, Elvis e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Pedro Cervantes e Filipe; Jorge Gonçalves (Cícero, 68), Moita (Hugo Morais, 77) e Roberto TR: Vítor Oliveira
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Diego (64 g.p.) e João Pedro (83 e 85) Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Silva (12 e 63), Lourenço (28), João Pedro (47), Filipe (50), Jorge Duarte (53), Diego (70), Elvis (75) e Vinicius (79); Cartão vermelho a Nuno Silva (63)
Quem não assistiu à partida do Municipal 25 de Abril, dificilmente conseguirá ter a ideia correcta do que se passou em campo. É, de facto, difícil explicar como apenas um lance pode mudar o rumo de um jogo e está na base de um resultado tão expressivo. Tudo aconteceu ao minuto 65, quando Olegário Benquerença decidiu marcar falta dentro da área e exibiu o segundo cartão amarelo a Nuno Silva. O lance é de facto muito duvidoso, mas fica a sensação que Nuno Silva corta apenas a bola na luta com João Pedro para chegar ao esférico. Após controlo do jogo e maior domínio rubro-branco, Vítor Oliveira, com menos um jogador, decidiu arriscar. Na tentativa de chegar ao golo, lançou Cícero para o lado de Roberto e deixou a defesa a três, jogando no um-para-um. O risco tem destas coisas e tanto se pode ganhar como perder. O técnico leixonense, desta vez, perdeu, mas fica vincada a ideia de querer jogar o jogo pelo jogo. É de louvar a sua coragem. Assim, à custa de um lance polémico a deu-se a reviravolta numa partida disputada com emoção. O Leixões acabou por sofrer três golos (pela primeira vez na época) e averbou a segunda derrota fora de portas.
Acordar depois do susto Numa tarde fria, o ambiente foi ficando morno com a onda que chegou de Matosinhos para animar as bancadas do Estádio do Penafiel. O jogo entre duas das boas equipas da Liga de Honra merecia um relvado melhor tratado. O jogo iniciou mexido. Primeiramente, deu nas vistas a técnica e velocidade de Diego, sempre policiado por Jorge Duarte – a dupla do jogo. E o primeiro lance de perigo pertenceu aos da casa, com Moreno a correr isolado para a baliza e, inexplicavelmente, a esperar pelos defensores do Leixões, depois de sentar Beto e, numa displicência total, perder o tempo de remate. Se de um lado, os adeptos locais ficaram furiosos, este lance serviu para acordar os jogadores do Leixões. A partir daí, só deu Leixões. E foi a vez de Cervantes pegar na varinha de condão e distribuir brindes a todos os presentes. O jogo passou todo pelo número 8 do Mar e do lado penafidelense parecia não haver ninguém capaz de travar o génio do distribuidor de jogo. Para os matosinhenses, o perigo só surgia mesmo através de Diego, sempre a lançar contra-ataques. Mas o envolvimento atacante e a transposição de jogo dos forasteiros começavam a convencer os mais de mil adeptos leixonenses presentes no estádio.
Só faltou o golo O protagonismo de Pedro Cervantes levava-o a ter um papel decisivo e a fazer delícias cada vez que tocava no esférico. Numa sequência natural dos acontecimentos, as jogadas de perigo começaram a rondar a baliza de Avelino. Quem começou o espectáculo de golos perdidos foi Jorge Gonçalves. Após a melhor jogada de todo o encontro, numa triangulação perfeita na esquerda entre Cervantes, Moita e Filipe, fazendo a bola chegar “redondinha” ao pé esquerdo de Jorge Gonçalves, este já dentro de área e, sem oposição, passou literalmente a bola a Avelino, gorando-se, assim, uma excelente ocasião. De seguida, e sem que a defesa dos penafidelenses respirasse, Pedro Cervantes tirou uma série de adversários da frente e, do lado esquerdo, cruzou para a cabeça de Roberto, mas o matador, em mergulho, permitiu a defesa ao guarda-redes. Também Marco Cadete e Filipe, em boa posição, falharam o alvo. O Penafiel só respondia em contra-golpe. O Leixões estava por cima e já justificava o golo.
Momento capital À entrada para a segunda parte, a tendência parecia ser a mesma. O controlo parecia pertencer aos rubro-brancos e, só a espaços, Beto era incomodado. E, por duas vezes, sobre a linha de golo, em remates fortuitos, Beto defendeu a bola. Quando o jogo se aproximava do minuto 65, João Pedro surge nas costas da defesa leixonense, Nuno Silva acompanha o adversário e, na intercepção da bola, o jogador do Penafiel cai na área: grande penalidade, vermelho para Nuno Silva e golo do Penafiel. Como se de um acidente se tratasse. Um rombo para a nau leixonense, deitando por terra uma exibição personalizada. Quem aproveitou foi a equipa de Rui bento, aproveitando este lance para mudar uma partida que já estava a ser difícil de controlar.
Vítor Oliveira arrisca tudo Uma situação deste tipo pode arrasar uma equipa e um treinador. Mas Vítor Oliveira decidiu resistir à intempérie e recusou-se a embalar na tempestade. Ordenou uma defesa a três homens com Elvis em trabalhos dobrados e Jorge Duarte como volante – como se marcar Diego já não fosse tarefa suficientemente complicada – a recuar sempre que necessário. E um meio-campo a quatro, para além de Jorge Duarte, Filipe no centro, Cervantes na direita e Moita na esquerda. Para o lado de Roberto, lançou Cícero para aproveitar a frescura do avançado e a sua acutilância em direcção a baliza. A estratégia era mais que suicídio, mas o risco foi assumido à procura do empate. Filipe, de cabeça, após canto de Nuno Amaro, quase fazia o tento desejado. No minuto a seguir, o segundo golo do Penafiel. Assim, nú e cru. Um mau passe no centro do terreno permite um contra-ataque mortífero, Diego isola-se e Beto ainda consegue defender, surgindo depois João Pedro a recargar.
Derrocada inesperada A estratégia não deu frutos e o Leixões, a dez minutos do final, tinha a sentença assinada. Já nada havia a fazer. Para piorar o estado de coisas, ainda aconteceu o terceiro golo do Penafiel. Curioso, foi o facto de Vítor Oliveira ter chamado Cleuber para entrar após o Penafiel ter feito o 2-0. O jogo estava arrumado e não havia necessidade de ceder mais golos, pensou o experiente treinador. Mas nem aí, o técnico foi feliz, pois o adversário marcou novamente quando o brasileiro se preparava para entrar. Com 3-0, o defesa já nem entrou em campo. O árbitro, Olegário Benquerença, fica ligado de forma activa ao desfecho do jogo, pois não nos pareceu que Nuno Silva tivesse cometido falta para grande penalidade.
Por:
Bruno Leite
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