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Arquivo: Edição de 06-12-2006

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Roberto apontou um golo de calcanhar no festival leixonense
Adeus, maus espíritos!

Liga de Honra (12ª Jornada)

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Rui Costa (Porto)

Leixões, 4 Varzim, 0

Leixões: Beto; Marco Cadete, Elvis, Nuno Silva e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Bruno China (Hugo Morais, 18) e Pedro Cervantes; Leandro Tatu (Malafaia, 75), Roberto (Cícero, 75) e Moita
TR: Vítor Oliveira

Varzim: Carlos; Nuno Ribeiro (Nuno Rocha, 74), Alexandre, Bruno Miguel e Telmo; Tito, Emanuel e Marco Claúdio (Diego, 46); Mendonça, Pedrinho (Gomes, 65) e Denilson
TR: Horácio Gonçalves

Ao intervalo: 2-0
Marcadores: Pedro Cervantes (6), Roberto (35 e 57) e Moita (80) Disciplina: Cartão amarelo a Marco Claúdio (25), Alexandre (70), Bruno Miguel (76) e Moita (78)

A chuva, desta feita, serviu de espanta espíritos e o Leixões sacou, finalmente, uma vitória convincente perante os seus adeptos. O Mar goza agora de uma vaga de bonança e, após esta goleada, a embalagem pode ganhar formas gigantes, dando um estofo próprio a uma equipa que ostenta o objectivo da subida.
O rumo que o Leixões levava fora de casa tinha de ser partilhado perante os seus adeptos e, após esta goleada moralizadora, espera-se que não se quebre a corrente positiva.
Aliado à posição de subida estão também agregados os 10 golos obtidos em 12 jogos pelo marcador de serviço, Roberto, que mais uma vez contribuiu de forma decisiva para a conquista dos três pontos. Uma goleada não surge por acaso e há que dar mérito à equipa leixonense, tendo o seu treinador que receber louros da actual situação. Em jeito de prenda de aniversário, os atletas presentearam os adeptos com quatro fatias de bolo dos 99 anos!

Cervantes a matar

Estavam as equipas ainda a perfilar-se em campo, adaptando-se aos sistemas de jogo quando Tatu numa incursão pela direita fez tremer a defensiva do Varzim. Estava dado o mote para um assalto à baliza poveira. E foi preciso esperar só seis minutos de jogo para Cervantes, após assistência de cabeça de Roberto, entrar desmarcado na área, pelo lado direito, e fazer com toda a classe o primeiro tento do desafio. Tudo fácil.
O Leixões entrava a ganhar e o Varzim deixava-se ir na festa de aniversário dos matosinhenses embalados pela música dos parabéns dos adeptos da casa. Foi, de facto, uma entrada a matar dos pupilos de Vítor Oliveira, que actuou com Tatu de início na direita do ataque e com Cervantes a fazer de clássico número 10. O golo teve o condão de tranquilizar os atletas do Leixões, deixando para trás o sindroma de jogar diante o seu público.

Calcanhar de ouro

Por parte dos forasteiros, só Pedrinho dava nas vistas e foi com um remate ao lado do extremo varzinista que a bola chegou perto da baliza de Beto. Denilson, que ocupa a segunda posição dos melhores marcadores do campeonato com sete golos, teve pela frente um azar chamado Nuno Silva, já que o central do Leixões manietou completamente todas as acções do avançado.
Com a vantagem no marcador, o Leixões foi amainando a velocidade de jogo e as constantes paragem para inúmeras intervenções das equipas médicas ajudaram a quebrar o ritmo da partida. Momento para o infortúnio da tarde, à passagem dos 20 minutos, China lesiona-se e tem de abandonar as quatro linhas, entrando Hugo Morais para o seu lugar. O Leixões não acusou e para animar a malta, Roberto entra em acção. Cruzamento da esquerda de Moita, bola na área, Roberto de costas para a baliza fora da pequena área, calcanhar, golo. Lindo! Mas que monumento ao futebol presenteou Roberto com um calcanhar de ouro a colocar em delírio as bancadas do Estádio do Mar. Sensacional a execução do avançado brasileiro a obter de forma sublime o seu nono golo no campeonato. Se as operações já estavam facilitadas para os locais, a magia de Roberto deu cor a uma partida que tendia a esmorecer com a chuva que caía no relvado.

Carlos simpático

O jogo foi para o intervalo com uma certeza: ou o Varzim mudava muito a sua atitude no jogo ou o Leixões ia acabar por ampliar o resultado numa vitória certa. O que imperou foi a segunda alternativa, pois tanto o Varzim não conseguiu mudar a contenda como o Leixões entrou ainda com mais vontade. Pois Tatu novamente na reabertura fez mossa, numa jogada de insistência no seu corredor. Mas, pouco depois, Pedrinho na única oportunidade de verdadeiro perigo por parte do Varzim, isolado, não conseguiu desfeitear Beto. Era a sentença de uma equipa condenada pelo poderio contrário. No Mar, pairava uma onda ainda maior e a faina previa-se muito proveitosa para os de Matosinhos. E eis que o guarda-redes poveiro resolve dar um brinde. Não se fazendo de rogado, Marco Cadete faz um cruzamento da direita, Roberto é o único que acompanha a bola e, sem oposição, de ângulo apertado, já junto à linha de fundo, cabeceia para a baliza, onde estava Carlos a dormir entre os postes. Deixou a bola passar entre o poste e mão direita, anichando-se dentro das redes. Caricato. A lembrar Khadim, do Boavista, no jogo com o FC Porto. Foi simpático, Carlos…

Moita fecha em beleza

O resultado estava, obviamente feito, e no seguimento que o jogo levou, até os mais cépticos acreditavam que o desfecho seria este. Nunca o Varzim conseguiu ser mais forte que o Leixões em qualquer dos sectores, tendo o seu meio campo sido a zona de maior realce, mas para isso Jorge Duarte e Morais sobravam para igualar as situações. Lá atrás, nem com a entrada de mais dois avançados, o Varzim conseguiu criar perigo, pois encontrou uma muralha liderada pelo combatente Nuno Silva. E o que de mais tinha o Leixões, nos varzinistas fazia-se sentir, que era estabilidade no seu sector recuado, o mais periclitante de todos. A dez minutos do final, Cervantes, ainda com a corda, tira um centro milimétrico da direita para os pés de Pedro Moita, que entra área com a bola dominada, e com a canhota remata cruzado para o balançar das redes pela última vez. As contas estavam realmente fechadas, mas nos últimos minutos o Leixões gozou de mais algumas oportunidades para dilatar para números ainda mais avassaladores. Foi Leixões a mais para Varzim a menos.
O árbitro, Rui Costa, não teve, naturalmente, qualquer influência no resultado, mas permitiu paragens excessivas ao longo do jogo, que quebraram o ritmo do espectáculo.

Por: Bruno Leite

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Edição de 03-02-2010
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