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Arquivo: Edição de 29-11-2006

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Só para consolidar o hábito de vencer fora de casa
Vitória, pois claro!

Liga de Honra – 11ª Jornada

Jogo no Estádio do FC Vizela
Árbitro: Lucílio Baptista (AF Setúbal)

Vizela, 2 Leixões, 3

Vizela: Baptista; Ricardo Jorge (Quim Berto, 81), Rodrigo, Cláudio e Machado (Marquinho, 81); Guerra, Kita e Hélder Sousa; Pedro Pereira, Serjão e Pedro Caravana (Binho, 46)
TR: Manuel Correia

Leixões: Beto; Marco Cadete, Cleuber, Elvis e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Bruno China e Filipe; Pedro Cervantes (Cadinha, 69), Roberto (Cícero, 54) e Moita (Hugo Morais, 78)
TR: Vítor Oliveira

Ao intervalo: 1-2

Marcadores: Pedro Pereira (26), Roberto (27), Filipe (40), Serjão (53) e Cícero (75)

Disciplina: Cartão amarelo a Elvis (5), Filipe (11 e 90+3), Ricardo Jorge (55), Moita (58), Pedro Cervantes (69), Hélder Sousa (71), Cícero (74) e Marco Cadete (79); Cartão vermelho a Filipe (90+3), por acumulação

É a quinta vitória em terreno alheio em seis jogos disputados. Não fosse a derrota no António Coimbra da Mota, frente ao Estoril, e o pleno estava conseguido. O Leixões é de resto a equipa que mais vezes ganha fora. Mas a tarefa em Vizela não foi pêra doce e a vitória teve uma ponta de felicidade. Sem o castigado Jorge Gonçalves, Vítor Oliveira recolocou Filipe no onze, deixando ficar Moita na esquerda, à semelhança da jornada anterior, com Pedro Cervantes no flanco oposto. Existiram dois momentos chaves no jogo: o golo do empate apontado por Roberto, um minuto após ter sofrido o primeiro; e a saída por lesão do artilheiro-mor do campeonato. Se no primeiro caso o aspecto foi bem positivo, na segunda passagem poderia o Leixões entrar em rota de colisão sem a sua referência de ataque. Mas soube o Leixões (e bem) sair por cima dessa fatalidade com a entrada de Cícero, que apontou o golo da vitória, e sobretudo de Cadinha. Tudo acabou por resultar um triunfo saboroso para não fugir ao hábito criado.

Sofrer sem contar

Em terreno impraticável, quem tivesse mais poder físico e fosse mais expedito a chegar às bolas divididas teria mais vantagem. O combate a meio campo foi se tornando num jogo de duplas: Jorge Duarte/Hélder Sousa, China/Guerra, sem que ninguém se superiorizasse de pronto. O Leixões começou a sentir dificuldades de se soltar no ataque e apenas Cervantes no controlo de bola e Moita em apontamentos individuais davam nas vistas. Até que surge um contra-golpe forasteiro conduzido com a mestria de Hélder Sousa – das poucas vezes que se soltou de Jorge Duarte – deu num remate de Serjão interceptado por Elvis para a linha lateral. Da reposição surge um cruzamento do mesmo Hélder Sousa, Pedro Pereira tenta o remate Elvis corta, o central volta a enrolar-se com a bola, esta segue para o mesmo Pedro Pereira que bate inabalavelmente Beto. Minuto 26 e o golo surge no meio do nada, sem que alguma das equipas tivesse feito por isso. Mas os erros no futebol pagam-se caros e o capitão do Leixões sofreu na pele algo que não lhe é habitual.

Aí está Roberto!

Um minuto volvido, canto da direita, Cervantes no cruzamento, Roberto no golo. Simples, eficaz e repetitivo. E vão oito para o artista brasileiro. Foi o melhor que poderia ter acontecido ao Leixões deixando Vítor Oliveira respirar fundo e agradecer a… São Roberto. De facto, não pode uma equipa desejar melhor tónico que marcar um golo logo a seguir de ter sofrido. A equipa de Matosinhos voltou ao jogo sem que se tivesse dado pela ausência no mesmo, no que concerne à disputa pelo resultado. A bola surgia agora mais vezes no meio campo do Vizela dando mais posse aos rubro-brancos e tempo para projectarem o seu futebol. Numa jogada de insistência Roberto pela direita ganha um canto e sai tocado do lance – lesão que se reflectiu na saída na segunda parte. Nuno Amaro foi para a marcação, Roberto seguia queixoso dentro da área centrando a atenção dos defesas contrários, Filipe ficou sozinho para apontar o segundo. Foi a estreia de Filipe a marcar com a camisola do Leixões. Faltavam cinco minutos para o final da primeira metade e o Leixões chegava a vantagem no marcador, deixando os adeptos da casa furiosos com Manuel Correia. O técnico local saiu para os balneários debaixo de um coro de assobios.

Quem não marca…

Na entrada para a segunda metade aparece um Leixões mais afoito, renovado, apostando no aproveitamento dos espaços que o adversário teria de dar. O Vizela partiu então balanceado em busca do empate e os frutos poderiam ser para os forasteiros.
Uma jogada de Filipe pela esquerda não foi aproveitada nem por Roberto nem Pedro Moita, nem pela recarga de China. Era a fase mais explosiva dos leixonenses, que logo depois poderia fechar o pano da sala de espectáculos e acabar com o jogo. Roberto só com o Rodrigão pela frente rematou contra este. E aí foi ver a velha máxima do futebol a cair sobre o relvado do Estádio do Vizela.
Bola no ataque contrário, cruzamento para a área, golo de Serjão. De cabeça, o feroz ponta-de-lança da casa ganha facilmente sobre Cleuber e atira a contar. Foi o culminar de uma luta de titãs entre os defesas do Leixões e o poderoso avançado do Vizela que deu muito que fazer à linha recuada matosinhense. Cleuber não ficou bem na fotografia e o Leixões pagou, mais uma vez, caro o erro de um central.

Cícero e magia de Cadinha

Num minuto, o jogo mudou de rumo e muito se passou, que poderia ter mudado por completo a contenda. Roberto falhou o golo, o Vizela empata e o avançado do Leixões é obrigado a abandonar o jogo devido ao toque que tinha sofrido na primeira parte. Cícero foi o homem chamado por Vítor Oliveira para tentar colmatar a ausência do artilheiro. Mas faltava algo a equipa leixonense, um toque de classe, de virtuosismo alguém que pudesse realmente alterar os acontecimentos. E voilá! Cadinha! Foi novamente o truque de mágica do treinador matosinhense. Cadinha entrou a faltar 20 minutos e com o seu pé esquerdo ofereceu alegria à bola – não fossem os rasgos de Hélder Sousa – que andava chorosa num relvado impróprio. E não foi preciso esperar muito. Bastaram cinco minutos para Cadinha habituar-se ao esférico, abrir de forma soberba para Cícero, este deixa para Nuno Amaro, que num cruzamento/remate envia a bola para o pé direito de Cícero. Era o golo da vitória. Pois bem, aposta ganha de Vítor Oliveira, caso para dizer que quem não tem Roberto caça com Cícero! Um golo importante, não só porque dá a vitória ao Leixões, mas que pode ter o condão de “acordar” o avançado ex-Varzim, ganhando, assim, o Leixões mais um jogador que andava afastado dos golos e das boas exibições.

Filipe mal expulso

Nos últimos 15 minutos o Leixões conseguiu surpreender pela positiva, mantendo a bola afastada da sua defensiva, criando jogadas de perigo na área contrária, sempre com Cícero e Cadinha como protagonistas. Mas o jogo não ia acabar sem que Lucílio Baptista deixasse a sua marca ao exibir o segundo cartão amarelo a Filipe, numa atitude a revelar excesso de zelo e a manchar um trabalho que estava a ser muito positivo.

Figura

Nuno Amaro: Provavelmente, teve pela frente o homem mais rápido em campo e se é certo que perdeu alguns lances para o promissor Pedro Pereira, noutras ocasiões levou a melhor. Mas o destaque, desta vez, não foi totalmente pela actuação na zona defensiva, mas sim pela importância que teve na construção de dois golos. Leva do jogo “apenas” duas assistências para os dois últimos tentos do Leixões. Apontou de forma superior o canto que deu origem ao segundo golo marcado por Filipe e é da sua autoria o cruzamento-remate para o tento de Cícero. Uma tarde em cheio.


Por: Bruno Leite

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Edição de 16-06-2010
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