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Arquivo: Edição de 22-11-2006

SECÇÃO: Desporto


Expulsão de Jorge Gonçalves condicionou reacção leixonense
Um Santo vestido de Diabo

Liga de Honra – 10ª Jornada

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos
Árbitro: Elmano Santos (Madeira)

Leixões, 0
Olhanense, 1

Leixões: Beto; Marco Cadete, Cleuber, Elvis e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Bruno China (Cristóvão, 73), Pedro Cervantes (Tatu, 57) e Moita (Hugo Morais (57); Jorge Gonçalves e Roberto
TR: Vítor Oliveira

Olhanense: Bruno Veríssimo; Marco Airosa, Santamaria, Vasco Fernandes e Hugo Luz; Marco Soares, Nicolas, Rui Duarte e Bruno Mestre (Denis, 80); Narcisse (Zezinho, 57) e Branquinho
TR: Álvaro Magalhães

Ao intervalo: 0-1
Marcador: Rui Duarte (12 g. p.)
Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Amaro (11), Narcisse (17), Hugo Luz (66), Santamaria (68), Hugo Morais (84), Mijanovic (90+1) e Denis (90+3); Cartão vermelho a Jorge Gonçalves (47)

Segunda derrota em casa, num jogo marcado pela expulsão de Jorge Gonçalves no início do segundo tempo. Esse momento condicionou o resto do encontro, pois o Leixões, que já se encontrava a perder e sentia dificuldades para murar a bem organizada defesa algarvia, nunca mais se encontrou e acabou mesmo por não evitar a derrota pela margem mínima. Em casa, o Leixões soma apenas uma vitória (Trofense), tendo empatado frente ao Feirense e perdido com Guimarães e agora Olhanense. Apenas quatro pontos em 12 possíveis, magro pecúlio para quem quer subir.
Neste jogo, os matosinhenses têm razões de queixa do árbitro Elmano Santos – que apitou o Leixões em Portimão e foi acusado pelos algarvios de ter beneficiado a formação leixonense –, pois o juiz anulou um golo a Moita, por ter entendido que Roberto carregou Marco Airosa antes da bola chegar ao extremo (25m), e expulsou Jorge Gonçalves na sequência de uma disputa absolutamente normal com Hugo Luz. No Mar, um Santo vestiu a pele de Diabo e transformou uma tarde que podia ser feliz num autêntico pesadelo.

Traição de Rui Duarte

Um golo solitário de Rui Duarte (já jogou no Leixões), que cobrou com sucesso, aos 12 minutos, uma grande penalidade, a castigar uma falta infantil de Nuno Amaro sobre Bruno Mestre, bastou para ilustrar o marcador, embora antes do golo o Leixões já tivesse desperdiçado uma ocasião por intermédio de Jorge Gonçalves (2m). A perder, o Leixões lançou-se na ofensiva e o domínio chegou a ser avassalador e materializado num punhado de ocasiões de golo, a maior parte delas desperdiçadas por Roberto, que viveu uma tarde menos feliz. O Olhanense, só perto do intervalo, voltou a assustar, num remate perigoso de Marco Airosa. No último do terceiro minuto de descontos da primeira parte, Jorge Gonçalves ganhou um pontapé de canto, mas o árbitro, numa atitude, no mínimo, a demonstrar falta de bom senso, nem permitiu executar o lance, apitando para o final da primeira parte. A vaia que se seguiu foi monumental e o nervosismo ficou instalado nas bancadas.

Reduzidos a 10

A segunda parte começou com a polémica expulsão de Jorge Gonçalves. Num lance dividido com Hugo Luz, Elmano Santos entendeu que o jogador do Leixões agrediu o adversário do Olhanense, punindo o lance com o cartão vermelho directo. Quem estava no estádio ficou de boca aberta, pois o lance foi perfeitamente normal. Reduzido a dez unidades, o Leixões, que passou a jogar mais com o coração, sentiu ainda mais dificuldades em entrar na povoada defesa dos algarvios, que foram controlando a magra vantagem, embora sem criar grandes lances de ataque e a preferir jogar para o lado, deixando escoar o tempo.

Nem a chuva ajudou

O último quarto de hora é vivido num autêntico dilúvio no Estádio do Mar. A chuva apareceu em força, mas nem isso ajudou a refrescar as ideias dos jogadores em campo. Transpiração houve muita, inspiração é que pouca. E o Olhanense agradeceu. Tatu ainda tentou agitar, mas apenas conseguiu um remate longe da área para defesa fácil de Veríssimo. A fechar, seria mesmo o Olhanense, em acção de contra-ataque, a chegar ao segundo golo (recarga de Marco Airosa), que seria prontamente anulado pelo árbitro ter entendido que Elvis sofreu uma falta antes da recarga do jogador. Um lance que deixou dúvidas e que pareceu funcionar (erradamente) como a lei da compensação.
Na jogada, destaque para a fabulosa intervenção de Beto no primeiro remate de Denis. O canto do cisne do Leixões acontece no quarto minuto do período de compensações, com Cleuber a cabecear fraco para mais uma defesa fácil do guardião algarvio. Elmano Santos foi o protagonista, pela negativa, do encontro, com nítido prejuízo para o Leixões.

António Silva

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Edição de 10-02-2010
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