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Arquivo: Edição de 08-11-2006

SECÇÃO: Desporto


Guarda-redes largou a bola e Cleuber assinou o golo do triunfo
Obrigado, António Filipe!

Liga Honra

Gondomar, 1 Leixões, 2

Jogo no Estádio São Miguel, em Gondomar
Árbitro: Paulo Paraty (Porto)

Gondomar: António Filipe; Vladimir (Canales, 75), Robson, Vítor Fróis e Rómulo (Fabrício, 75); Fernando Aguiar, Luís Miguel (Hadson, 62) e Ricardo André; Rui Manuel, Maciel e Feliciano
TR: Nicolau Vaqueiro

Leixões: Beto; Marco Cadete, Elvis, Cleuber e Nuno Amaro; Jorge Duarte (Cadinha, 58), Bruno China, Filipe e Hugo Morais; Jorge Gonçalves (Alexandre, 90+1) e Roberto (Cícero, 84)
TR: Vítor Oliveira

Ao intervalo: 1-1
Marcador: Roberto, (19), Rui Manuel (28) e Cleuber (71)
Disciplina: Cartão amarelo a Jorge Gonçalves (33), Jorge Duarte (53), Vítor Fróis (54), Luis Miguel (54) e Nuno Amaro (61)

Face a uma conjugação improvável de resultados, o Leixões ascendeu à segunda posição do campeonato e encontra-se apenas a três pontos do sensacional líder Feirense. Após a derrota frente ao Vitória de Guimarães, o Leixões alcançou uma vitória preciosa e feliz no reduto de uma equipa que correu muito e, provavelmente, merecia melhor sorte. Valeu Beto, que voltou a brilhar na baliza leixonense e apenas não conseguiu travar o cabeceamento de Rui Manuel, e Roberto, que na única oportunidade que dispôs, fez golo. Uma fórmula que fez lembrar a vitória (2-1) obtida em Vila do Conde.

Vaqueiro surpreende Oliveira

Nicolau Vaqueiro, técnico bem conhecido em Matosinhos, surpreendeu o seu amigo Vítor Oliveira e colocou o Gondomar a jogar sem ponta-de-lança, apostando num trio muito dinâmico composto por Feliciano, Maciel e Rui Manuel. A defesa do Leixões não acertou nas marcações e concedeu demasiados espaços, que foram sendo explorados pelos avançados gondomarenses.
Aos quatro minutos, surgiu a primeira ocasião para o Gondomar, mas Luís Miguel, no coração da grande área, perdeu uma excelente ocasião para alvejar a baliza de Beto e nem conseguiu rematar.
O Leixões perdia a luta a meio-campo e a defesa era constantemente massacrada pelo ataque local. Aos 13 minutos, foi a vez de Beto brilhar a grande altura: Rui Manuel rematou forte, o guardião defendeu, os seus companheiros ficaram a olhar em vez de reagir, e ainda foi Maciel que voltou a rematar para defesa de recurso do número um leixonense. Do canto, Robson cabeceou às malhas laterais. O Gondomar era dono e senhor do jogo. O Leixões estava remetido a um quarto escuro. O primeiro lance polémico da partida acontece aos 17 minutos, quando Marco Cadete, num corte disparatado, coloca a bola em Rui Manuel, que se preparava já para seguir para a baliza. Inacreditavelmente, o assistente de Paraty assinalou fora-de-jogo.

Roberto contra a corrente

Assim, não é difícil perceber que o Leixões chegou ao golo contra a corrente, proeza de Roberto – claro! –, num lance que motivou fortes protestos dos adeptos e responsáveis gondomarenses, devido a uma alegada mão na bola do avançado leixonense antes de rematar para o fundo das redes da baliza de António Filipe. O Gondomar não acusou o golo sofrido e continuou a atacar a baliza de Beto. Maciel, de pé esquerdo, rematou com violência para mais uma defesa do guardião. Antes da meia-hora de jogo, o Gondomar chega ao empate: jogada pelo lado direito do ataque, cruzamento de Maciel, corte de Elvis e Rui Manuel, sem marcação, cabeceia com êxito, fazendo a bola anichar-se ao segundo poste. Um belo golo sem quaisquer hipóteses de defesa. Motivados, os gondomarenses não tiraram o pé do acelerador e Maciel, outra vez de pé esquerdo, obriga Beto a desviar para canto.

Intervalo, chega depressa…

O Leixões não se encontrava e Vítor Oliveira sentia que o melhor que podia acontecer naquela altura era que o intervalo chegasse depressa para poder conversar com os seus atletas e corrigir posições e situações de jogo. Aos 40 minutos, outra vez Rui Manuel e Maciel em acção, com o último a cabecear e a falhar o alvo por muito pouco. O Leixões só voltou a criar perigo aos 44 minutos, num lance iniciado por Filipe (esteve quase sempre muito apagado), que conseguiu encontrar Roberto na área. Este, num movimento à ponta-de-lança, rodou de imediato para a baliza e disparou, tendo Robson oferecido o corpo à bola. O intervalo chegava a seguir.

Mais qualidade com Cadinha

Na segunda parte, houve mais equilíbrio e o Leixões controlou melhor o adversário. O Gondomar, verdade seja dita, também não conseguiu manter o nível e dinâmica da primeira parte. Neste período, as ocasiões de golo rarearam e a luta desenrolou-se a meio-campo, agora com ligeira supremacia do Leixões. Finalmente, aos 58 minutos, Vítor Oliveira decide mexer na equipa e lança Cadinha. O futebol do Leixões ganhou qualidade de passe e tranquilidade. O número 10 ainda está longe da plenitude de todas as suas capacidades, mas acabou por ser importante, pois a partir da sua entrada o jogo deixou de ser tão musculado e houve mais bola rente à relva. Como a malta gosta. Em esforço, aos 63 minutos, Jorge Gonçalves levou a melhor sobre Vítor Fróis e conseguiu tocar na bola, mas o remate saiu fraco para defesa fácil de António Filipe.

Cleuber não perdoa

O jogo ficou decidido aos 71 minutos. Após um pontapé de canto cobrado por Cadinha, António Filipe largou a bola e Cleuber, oportuno, só teve de empurrar a bola para o fundo das redes. Uma oferta vinda do céu. Um erro que decidiu a partida e valeu três pontos ao Leixões. Aqui, o Gondomar só se deve queixar de si próprio. Vaqueiro lança imediatamente Canales e Fabrício, alargando a frente de ataque, mas o máximo que consegue é ver Fabrício a cabecear muito por cima (83m). Aos 89 minutos, Feliciano, de fora da área, rematou para mais uma defesa atento de Beto. Era o canto do cisne do Gondomar. Antes, Cícero, acabado de entrar, quase marcava, num remate de fora da área, mas a bola bateu num defesa e resultou apenas em mais um pontapé de canto. O Leixões volta a vencer fora de portas (Santa Clara, Portimonense, Rio Ave e Gondomar) e é a equipa dos campeonatos profissionais que lidera essa ranking. Agora, há pausa na Liga de Honra para se jogar a Taça de Portugal.
O árbitro Paulo Paraty não foi devidamente auxiliado, mas também teve erros na análise de faltas. Tanto Gondomar como Leixões têm razões de queixa.


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Edição de 16-06-2010
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