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Leixões - Nulo era o resultado mais lógico, mas nos descontos tudo mudou Um soco no estômago
Liga de Honra
Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
Leixões, 0 Guimarães, 2
Leixões: Beto; Marco Cadete, Nuno Silva, Cleuber e Nuno Amaro; Jorge Duarte, Bruno China, Filipe (Pedro Cervantes, 61) e Hugo Morais (Xavier, 61); Jorge Gonçalves (Malafaia, 73) e Roberto TR: Vítor Oliveira
Guimarães: Nilson; Vítor Moreno, Geromel, Danilo e Hélder Cabral; Otacílio, Pelé (Moreno, 80) e Desmarets (Ghilas, 67); Targino, Henrique (Fábio, 78) e Brasília TR: Norton de Matos
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Moreno (90+1) e Targino (90+3) Disciplina: Cartão amarelo para Otacílio (27), Vítor Moreno (52), Targino (53), Nuno Amaro (64), Cleuber (75) e Pelé (76)
Jogo com cheiro a Liga no Estádio do Mar. No ambiente, na rivalidade, no futebol praticado, até na contenção táctica que parecia conduzir a expressão do marcador para o nulo. Perante mais de sete mil espectadores, numa tarde solarenga, Leixões e Guimarães mostraram alma e coração. O resultado pode parecer injusto para o Leixões, mas na semana anterior, em Vila do Conde, a vitória surgiu da mesma forma. Nos descontos. De forma fria e cruel. O Guimarães entrou melhor e criou as primeiras duas ocasiões de golo, uma delas por Henrique que beneficiou de um erro de Cleuber. O Leixões respondeu e, na primeira vez que chegou com perigo à baliza adversária, marcou. Roberto ganhou de cabeça a Hélder Cabral e serviu Jorge Duarte para um golo anulado por fora-de-jogo. A jogada é rápida, mas a ausência de protestos dá força à decisão de Olegário Benquerença, árbitro que foi contestado ao longo da partida pelos leixonenses, face ao largo critério disciplinar. Otacílio fez três faltas para amarelo quando já tinha sido admoestado com um. O árbitro poupou a sua expulsão e o jogador, no final da primeira parte, cumprimentou o juiz e deixou fugir um sorriso. Sintomático… Na primeira parte, há ainda uma grande ocasião para o Leixões: Bruno China assistiu Jorge Gonçalves na perfeição, mas este em vez de rematar optou por tentar assistir Roberto que estava no centro da área. O lance foi anulado pelo inevitável Geromel.
Domínio infrutífero
Na segunda parte, o Leixões assumiu o comando e criou algumas ocasiões de perigo, com destaque para a acção de Marco Cadete na ala direita. O versátil jogador fartou-se de cruzar para a área e também tentou o remate de meia distância. Num desses cruzamentos, Roberto cabeceou com perigo, mas a bola acabou por sair ligeiramente ao lado. Vítor Oliveira lançou Pedro Cervantes e Xavier e o primeiro teve uma bela ocasião para abrir o marcador. Acontece que depois de se ter desenvencilhado de três adversários, ficou sem força e rematou fraco para a defesa de Nilson. Na resposta, Henrique, lançado por Geromel, por muito pouco não colocou o Guimarães na frente. A última oportunidade do Leixões pertence a Xavier no minuto 90, mas o cabeceamento também saiu ao lado.
Descontos fatídicos
Olegário Benquerença deu três minutos de compensação e aí tudo mudou. Mais forte fisicamente, o Guimarães chegou ao golo, após recuperação de bola de Geromel. A bola sobrou para Targino que rematou forte, Beto ainda defendeu, mas Moreno, que vinha a acompanhar o lance, recargou quase em cima da linha de golo. Tremendo balde de água fria para o Leixões. Logo a seguir, quando a equipa leixonense procurava ainda desesperadamente o empate, um cruzamento de Brasília, após boa abertura de Ghilas, permitiu a Targino sentenciar a partida. Foi um verdadeiro soco no estômago para a comunidade leixonense, que já não via a sua equipa perder no Estádio do Mar praticamente quase há um ano, quando o Santa Clara levou os três pontos de Matosinhos.
Vítor Oliveira – Treinador do Leixões “Superiores durante 80 minutos”
“Foi um bom jogo de Liga de Honra, nem sempre jogado com grande qualidade, mas com grande empenho, muita gente e um grande ambiente. Não há resultados injustos, o V. Guimarães marcou dois golos, nós não fizemos nenhum, por isso o adversário ganhou. Fomos superiores durante 80 minutos e estivemos menos bem nos últimos dez. Estávamos muito cansados, corremos muito, desgastamo-nos porque o adversário apresentou um meio-campo muito atlético e por isso permitimos que o V. Guimarães marcasse dois golos. O segundo golo já não veio acrescentar nada. O Vitória é o maior candidato à subida, mas tem de o provar dentro de campo. É um campeonato muito competitivo e por isso ainda é cedo para apresentar candidaturas, mas em temos de história e de estruturas é, sem dúvida, o mais forte candidato à subida”.
Por:
Arnaldo Martins
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