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Arquivo: Edição de 01-11-2006

SECÇÃO: Desporto


Espectáculo manchado por erros do árbitro
Dérbi merecia outra arbitragem

AF Porto – Divisão de Honra

Jogo no Estádio do Perafita F.C., em Perafita
Árbitro: João Amares (AF Porto)

Perafita, 2
Humberto; Osvaldo (João, 70), Gomes, Eduardo e Tó; Macarra, Bessa (Chaves, 56), Tinaia (Ricardo, 83) e Diogo; Paulinho e Luís
TR: Mário Barros

Padroense, 2
Marco; Paulinho, Miguel, Fredy (Telmo Sampaio, 61) e Sala; Hugo, Vítor, Castanho (Armando, 70) e Postiga; Moura (João Rodrigues, 75) e Sérgio
TR: Augusto Mata

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Luís (20), Moura (23), Telmo Sampaio (68) e Paulinho (85)
Disciplina: Cartão amarelo a Castanho (10), Luís (16 e 49), Fredy (33), Osvaldo (35), Postiga (81), Vítor (86), Diogo (88) e Ricardo (90+3). Cartão vermelho a Luís (49), por acumulação, e Vítor (86)

O dérbi matosinhense entre o Perafita e Padroense só não foi uma grande partida de futebol, porque o árbitro da partida quis ser protagonista a todo o custo. As paragens sucessivas, devido a pormenores sem a mínima razão, o excesso de zelo e as más decisões em lances capitais estragaram um jogo que tinha tudo para ser excelente. Porém, nem tudo foi mau e as cerca de 300 pessoas que se deslocaram a Perafita tiveram a oportunidade de ver duas equipas que tudo fizeram para dar um bom espectáculo.

Início fulgurante

O início de jogo não poderia ter sido melhor. Ambas as equipas entraram determinadas e com o intuito de conquistar os três pontos. O primeiro quarto de hora foi um verdadeiro hino ao futebol. As equipas jogavam rápido, pressionavam com grande intensidade e não olhavam a meios para alvejar o alvo contrário.
As primeiras oportunidades do jogo surgiram em benefício do Perafita. A primeira apareceu por intermédio de Paulinho, negada prontamente por Marco. De seguida, Gomes atirou ao lado do poste de Marco. Aos 15 minutos, foi novamente Paulinho que levou perigo à área contrária; o irrequieto jogador surgiu isolado, mas o drible saiu longo e perdeu a oportunidade de inaugurar o marcador. De seguida, Sérgio respondeu à superioridade do Perafita em alvejar a baliza contrária e enviou a bola às malhas laterais da baliza de Humberto.

Golos seguidos

Numa altura em que o jogo estava a ser pautado pelo equilíbrio, Macarra, em passe brilhante, isolou Luís que recepcionou a bola no peito e depois fez o golo. Esta vantagem no marcador durou apenas dois minutos. O Padroense não se intimidou com o golo sofrido e, pouco depois, Postiga em slalom individual ultrapassou três adversários, serviu Sérgio que de seguida colocou a bola junto ao segundo poste onde apareceu Moura para cabecear para golo. Até ao intervalo, destaque ainda para a defesa de Marco a um remate forte e colocado de Paulinho, na cobrança de um livre.

Luís expulso

O começo da etapa complementar fica marcado pela expulsão do avançado Luís. O árbitro mostrou o segundo cartão amarelo ao jogador, por pretensa simulação. De notar que o primeiro cartão amarelo tinha sido pelos mesmos motivos. Mais uma vez, o juiz da partida revelou um rigor inadmissível.
A jogar em superioridade numérica, Augusto Mata lançou o avançado Telmo Sampaio, substituição que mais tarde viria a ter resultados práticos. Passados 15 minutos após ter entrado, Telmo Sampaio aproveitou o passe do veterano Sérgio para se isolar e fuzilar sem apelo nem agravo o guardião Humberto. Mais uma vez, o guarda-redes do Perafita não teve a mínima hipótese de defesa.

Penálti incompreensível

A perder e com menos um elemento, o Perafita arriscou mais em termos ofensivos. O capitão dos locais, Tó, teve nos seus pés o golo do empate, mas o remate saiu frouxo e à figura de Marco. De seguida, João Rodrigues aproveitou o adiantamento da defesa contrária e não fosse Humberto a responder com boa defesa, o jogo poderia ter ficado decidido. O encontro estava a ser bem controlado pela turma do Padrão, porém, num lance em que ninguém descortinou falta alguma, o árbitro assinalou uma grande penalidade a favor dos visitados. Neste lance imperou a lei da compensação, já que na primeira metade do encontro não foi assinalado um puxão de camisola a Paulinho dentro da área. Na marcação do penálti, Paulinho bateu friamente o desamparado Marco.

Ricardo e João desperdiçam

Quando já todos davam o jogo por empatado, ambas as equipas dispuseram de uma flagrante oportunidade de golo. A primeira foi favorável ao Perafita. Ricardo apareceu isolado e com tempo para tudo, contudo cabeceou fraco para defesa segura de Marco. Depois foi João Rodrigues a aparecer liberto no coração da área, mas o remate saiu muito por alto. O empate assenta que nem uma luva face ao futebol praticado por ambas as formações. Já a arbitragem não esteve à altura do espectáculo.

Figura (Perafita)

Macarra: Não dá muito nas vistas, mas é de uma utilidade fulcral. É o coordenador de todos os movimentos da equipa. Inteligente tacticamente e ágil tecnicamente. Fez uma primorosa assistência para o primeiro golo. A sua polivalência é outro factor interessante; acabou o jogo a lateral direito, não perdendo rendimento.

Figura (Padroense)

Marco: Não que tivesse sido obrigado a muito trabalho, mas quando foi chamado a intervir revelou sempre enorme segurança. Sem culpas nos golos sofridos, o guardião do Padrão da Légua esteve seguro durante todo o jogo.

Mário Barros – Treinador do Perafita
“Jogadores foram bravos”

“Foi um belo espectáculo. Entrámos muito bem mas a expulsão condicionou-nos. Com 11 jogadores acredito que chegaríamos à vitória. Ainda assim, apesar da inferioridade numérica, os meus jogadores foram muito bravos, tiveram uma postura fantástica. Aceito o resultado mas a haver um vencedor deveria ser o Perafita, pois teve mais e melhores oportunidades de golo”.


Augusto Mata – Treinador do Padroense
“Tivemos culpa no cartório”

“O árbitro entendeu marcar penálti numa situação que só ele viu. Antes disso já tinha mostrado grande dualidade de critérios, fartando-se de inventar faltas contra nós. Naturalmente, também tivemos culpa no cartório, porque tivemos a oportunidade de arrumar o jogo e não o fizemos. Por isso, até acho que somos os principais culpados deste desfecho”.




Por: Norberto Sousa

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Edição de 16-06-2010
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