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Leixões - Alma e felicidade na origem de um triunfo fantástico Roberto volta a resolver
Liga de Honra
Jogo no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde Árbitro: Duarte Gomes (AF Lisboa)
Rio Ave, 1 Leixões, 2
Rio Ave: Mora; Ricardo Jorge, Danielson, Bruno Mendes e Milhazes; André Vilas Boas (Costé, 90+2), Delson e Niquinha; Evandro (Chidi, 71) Keita e Fábio Coentrão TR: João Eusébio
Leixões: Beto; Marco Cadete, Cleuber, Elvis e Nuno Amaro; Jorge Duarte (Pedro Cervantes, 90+4), Bruno China, Filipe e Hugo Morais (Xavier, 72); Jorge Gonçalves (Malafaia, 83) e Roberto TR: Vítor Oliveira
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Fábio Coentrão (78) e Roberto (79 e 90+6) Disciplina: Cartão amarelo a Delson (21 e 81), Nuno Amaro (23), Danielson (32), Evandro (36), Elvis (44 e 77), Marco Cadete (57) e Fábio Coentrão (78). Cartão vermelho a Elvis (77) e Delson (81), por acumulação
Reviravolta sensacional do Leixões em Vila do Conde. O jogo foi duro, muito duro, o Rio Ave é, sem dúvida, uma das equipas melhores apetrechadas do campeonato e criou mais ocasiões ao longo da partida. Valeu Beto, que assinou uma exibição monstruosa e defendeu quase tudo, e Roberto que, num ápice, marcou dois golos, dando a cambalhota ao marcador. Um verdadeiro milagre, diziam alguns leixonenses, no final de uma partida emocionante e com final verdadeiramente impróprio para cardíacos. O Rio Ave entrou muito forte e, em dois minutos, dispôs de quatro pontapés de canto. Aos 11 minutos, Milhazes de livre obrigou Beto à primeira grande defesa da tarde. O guardião leixonense começava, assim, o festival de excelentes intervenções. O Leixões sentia muitas dificuldades para sair do seu último reduto e praticamente não conseguia respirar. O Rio Ave estava dinâmico, Fábio Coentrão era o principal agitador, e o jogo estava interessante, muito interessante. Apesar da chuva, o tapete mantinha-se impecável e ajudava ao bom espectáculo. A equipa leixonense só criou perigo aos 15 minutos, num livre frontal (mas ainda longe da baliza) apontado por Nuno Amaro. Mora, atento, defendeu para canto. Na cobrança do canto, Hugo Morais bateu directo à baliza e quase surpreendia o guardião vila-condense. Na resposta, excelente jogada entre Fábio Coentrão (sempre ele) e Evandro, com este a cabecear e a obrigar Beto a uma defesa apertada. Vítor Oliveira não gostava do que via e mostrava-se muito irritado no banco de suplentes. Numa situação em que a bola saiu fora e foi na direcção do treinador este não esteve com meias medidas e pontapeou-a com fúria. Sintomático...
Bruno China ameaça
A principal ocasião do Leixões na primeira parte surge após livre apontado por Nuno Amaro, com Bruno China, de cabeça, a errar por pouco o alvo. A seguir, Keita rasga a defesa leixonense mas em vez de prosseguir o lance deixa-se cair na área, tentando engendrar uma grande penalidade. O árbitro não foi na cantiga. Até final do primeiro tempo, o domínio pertenceu aos vila-condenses, mas o Leixões, a envergar o fato-macaco, conseguiu aguentar o nulo. O recomeço da partida é totalmente diferente da história da primeira parte. O Leixões entrou mais forte e Filipe teve nos pés duas situações em que podia ter feito melhor.
O homem de branco
É de Beto que se fala aqui. O guardião do Leixões que tem um fétiche pelo branco (o equipamento é sempre dessa cor) começou novamente a ser obrigado a trabalho de grande exigência e correspondeu da melhor forma. Num desses lances, foi corajoso e sofreu um choque com Keita, tendo necessidade de ser assistido. Depois, Delson e Milhazes, em remates com selo de bomba, só não festejaram porque o guardião mostrou asas para voar. Beto defendia tudo e, nesta altura, era a figura do jogo. Aos 77 minutos, Elvis é muito mal expulso (nem sequer cometeu falta) e do livre surge o golo vila-condense: Delson manda bomba, Beto faz defesa de recurso mas não conta com a colaboração dos defesas e Fábio Coentrão, rapidíssimo, atira a contar. 1-0 a faltar pouco mais de 10 minutos para o final da partida. Há momentos felizes A verdade é que o Rio Ave praticamente nem teve tempo de festejar. No minuto seguinte, Nuno Amaro efectua um cruzamento largo para a área, onde encontra Roberto, possante sobre o defesa, a cabecear com êxito para o fundo das redes. Neste instante, assistiu-se a um tremendo sururu na bancada destinada aos adeptos do Leixões, mas no final não houve relatos de mais incidentes. A seguir, Delson vê o segundo cartão amarelo por entrada dura sobre Marco Cadete. As equipas ficavam empatadas em tudo: no marcador e no número de homens em campo. Keita falha e Roberto não perdoa O jogo fica decidido no pormenor. Aos 85 minutos, Keita, isolado e com todo o tempo do mundo, atira ao lado da baliza de Beto. O guardião já estava no chão e sem qualquer hipótese de travar o lance. Fábio Coentrão, a seguir, também surge em boa posição, mas perde o tempo de remate e depois aparece Marco Cadete a salvar a situação próximo da linha de golo. O Leixões, nesta altura já com Malafaia a carburar no centro do terreno, chega ao golo no minuto seis dos sete minutos de compensação dados pelo árbitro. Filipe trabalha bem no centro e lança Roberto. O número 9 corre quase meio-campo com a bola dominada, aguenta a pressão de um defesa, e ainda tem força e lucidez para atirar longe do alcance de Mora. Que grande golo! Era o final verdadeiramente louco de um jogo muito bem disputado entre duas equipas com argumentos para lutar pela subida. Venceu a equipa mais feliz, eficaz e que soube sofrer. O Rio Ave, provavelmente, não merecia um castigo tão cruel, mas o futebol tem destas coisas. Foi uma tarde inesquecível para o universo leixonense, que cria ainda mais expectativa para o jogo grande da próxima ronda diante do Vitória de Guimarães. Duarte Gomes teve um trabalho difícil. Errou para os dois lados, mas os leixonenses parecem ter mais razões de queixa, já que Elvis não merecia ter sido expulso.
Por:
Bruno Leite
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