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Arquivo: Edição de 04-10-2006

SECÇÃO: Desporto


Vítor Oliveira sofreu primeira derrota à frente do Leixões
Às vezes, não vale a pena ir à bola

Liga de Honra (5ª Jornada)
Jogo no Estádio António Coimbra da Mota
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)

Estoril, 1 Leixões, 0

Estoril: Rui Correia; Marco Silva, Sérgio Brás, Jorginho e Pedro Duarte; David Caiado (Diarra, 62), Malá e Djamal; Gaston (Zezinando, 66), Igor Souza (Hélder Calvino, 55) e Remond Mendy
TR: Litos

Leixões: Beto; Marco Cadete, Nuno Silva, Elvis e Alexandre (Filipe, 60); Bruno China, Jorge Duarte e Hugo Morais; Jorge Gonçalves (Malafaia, 46), Roberto e Xavier (Cícero, 60)
TR: Vítor Oliveira

Ao intervalo 1-0
Marcador: Pedro Duarte (21 g.p.)
Disciplina: Cartão amarelo a Elvis (19), Malá (21), Jorge Duarte (21 e 25), Xavier (45), Alexandre (50), Marco Silva (53), Gaston (58), Pedro Duarte (55), Hélder Calvino (73), Diarra (87), Djamal (87), Remond Mendy (89) e Nuno Silva (90+2); Cartão vermelho a Jorge Duarte (25), por acumulação

Os adeptos do Leixões devem estar a questionar-se se realmente vale a pena ir à bola. É que fazer 300 quilómetros para assistir a uma partida do desporto rei e verificar que os protagonistas não foram os jogadores mas antes o árbitro e os seus assistentes, custa. É triste, no mínimo, começar uma crónica a referir o mau desempenho da arbitragem, mas a realidade é que Pedro Proença e seus auxiliares trataram de impugnar um jogo com pouco mais de 20 minutos de futebol.
Para além dos adeptos leixonenses – cerca de 500 – que marcaram presença no Estádio António Coimbra da Mota, Vítor Oliveira também fica com um sabor amargo desta viagem ao Estoril. O treinador sofreu a primeira derrota à frente do Leixões, quebrando uma série de 14 jogos invicto. Vítor Oliveira estreou-se a 26 de Fevereiro, num jogo em Aveiro que terminou empatado a zero. Desde daí, foram só vitórias e empates. Curiosamente, Pedro Proença apadrinhou a estreia de Vítor Oliveira em Aveiro. Só que, desta vez, assinalou uma grande penalidade que deitou tudo a perder, interrompendo um registo assinalável.

Morno, muito morno

O início de jogo foi morno, muito morno. Destacou-se a luta a meio campo e a falta de espaço. O Leixões apareceu com algumas novidades, exibindo um “onze” algo atrevido. Alexandre compensou a falta de Nuno Amaro (suspenso) e passou para o lado esquerdo da defesa, surgindo Marco Cadete na direita.
A exemplo dos jogos anteriores, despesas do miolo ficaram entregues a Jorge Duarte, Bruno China e Hugo Morais.
Depois, Vítor Oliveira resolveu lançar Xavier, o camaronês que estava inibido de ser utilizado devido ao atraso na chegada do certificado internacional. O africano jogou no lado esquerdo do ataque, tendo a companhia de Jorge Gonçalves – regresso após lesão – e o “bombardeiro” Roberto.
O Leixões aparecia bem estendido no relvado, mostrando vontade e determinação na conquista de pontos.

Golo e expulsão

O espectáculo seguia sem grande efervescência. Apenas um remate de Jorge Gonçalves deu para animar a plateia do Leixões.
Aos 20 minutos, um jogador do Estoril aparece caído na área leixonense e o árbitro não hesita em assinalar grande penalidade e exibir o cartão amarelo a Elvis. Na marcação, Pedro Duarte colocou o Estoril em vantagem. De forma muito discutível, os homens de Litos passavam para a frente do marcador.
Mas o pior ainda estava para vir. Jorge Duarte e Malá também foram punidos, sem se saber porquê, antes do acto da marcação da grande penalidade. Após o golo sofrido, a formação de Matosinhos praticamente nem teve tempo para reagir. No seguimento de uma jogada dividida, Jorge Duarte enrola-se com um adversário e a bola sai pela linha lateral. O assistente João Santos chama o chefe de equipa e Pedro Proença exibe o segundo amarelo a Jorge Duarte. Surpresa geral. O futebol acabou naquele instante.

Reagir sem argumentos

Até ao intervalo, os leixonenses pouco ou nada incomodaram o veterano Rui Correia. Só após o intervalo, o Leixões reapareceu no jogo, mas sem grandes argumentos para mudar os acontecimentos. Vítor Oliveira, numa tentativa de reorganizar a equipa, lançou Malafaia e sacrificou Jorge Gonçalves.
O Leixões ficou reagrupado, mas era preciso contar com rasgos individuais, nomeadamente de Roberto e Xavier, para qualquer coisa acontecer. A verdade é que o camaronês não teve uma estreia auspiciosa e, mais tarde, acabou por ser substituído. Alexandre também saiu, numa mudança estratégica, tendo Vítor Oliveira apostado em Filipe e Cícero. Nesta variante, Hugo Morais fechou na esquerda, enquanto Malafaia e Filipe empurravam a equipa para a frente, dando apoio a Roberto e Cícero.

Cantos e mais cantos

O Leixões ganhou ascendente. A bola passou mais tempo na intermediária canarinha, mas as ocasiões de perigo teimavam em não aparecer. Litos mantinha todos os elementos atrás da linha da bola e tentava o contra-golpe, mas Beto, sempre atento, anulou as tentativas de envenenamento contrário. O Leixões foi ganhando uma quantidade infinita de cantos, mas surpreendentemente em nenhuma destas situações criou real perigo, até porque Rui Correia, experiente e matreiro, ia ganhando tempo e enervando os jogadores visitantes, sempre com a conivência do árbitro Pedro Proença.

Cícero e Roberto quase

Um livre de Cícero e um cruzamento atrasado de Roberto ao qual ninguém respondeu para golo foram as grandes oportunidades do Leixões no segundo tempo. A equipa leixonense não realizou, de facto, um grande jogo, mas também era difícil a jogar com 10 atletas desde os 25 minutos diante de um adversário que se fechou muito e praticamente nunca arriscou na procura do segundo golo. A muralha de Litos foi pouco permeável e teve sempre mais um elemento para fazer as dobras. Os homens da Linha ganharam, mas não convenceram. O Leixões deu tudo, mas não foi suficiente para evitar a primeira derrota no campeonato. Agora, há uma pausa para recarregar baterias, devido aos jogos da Selecção Nacional.

Não há pachorra

Sobre o árbitro, está tudo dito. Pedro Proença teve influência no resultado e exagerou na amostragem dos cartões. O Leixões tem, mais uma vez, razões de queixa e Vítor Oliveira, no final da partida e ao contrário da semana anterior, já abriu o livro, criticando o trabalho do árbitro. E com razão.

Figura

Beto: Quando um guarda-redes é eleito o melhor em campo, normalmente a equipa é massacrada. Não foi nada disso que aconteceu. O “keeper” que gosta de jogar de branco mostrou-se apenas seguro e sempre muito atento, evitando, numa altura em que a equipa procurava o empate, que o adversário chegasse ao segundo golo. Só não defendeu a grande penalidade, mas em tudo o resto esteve sempre no sítio certo e com a elegância do costume.

Vítor Oliveira – Treinador do Leixões
“Resultado falseado”

"O penalty não existe, a expulsão do Jorge Duarte é injustificada, porque nem sequer existiu qualquer falta, e o Nuno Silva chegou a ser agredido. Fomos penalizados, o resultado foi falseado e temos de estar atentos”.

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Edição de 03-02-2010
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