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Leixões tem razões de queixa do árbitro Só Tatu furou a muralha azul
Liga de Honra
Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos Árbitro: Hélio Santos (Lisboa)
Leixões, 1 Feirense, 1
Leixões: Beto, Alexandre (Leandro Tatu, 69), Nuno Silva, Elvis e Nuno Amaro; Jorge Duarte (Moita, 61), Bruno China e Hugo Morais (Malafaia, 83); Marco Cadete, Cícero e Roberto TR: Vítor Oliveira
Feirense: Paiva, Hernâni, Amorim, Luciano, Galhano e Hélder Sousa; João Fernandes, Cris e Márcio (Guima, 83); Vitinha (Hélder Ferreira, 88) e Nuno Sousa (Gaúcho, 69) TR: Henrique Nunes
Ao intervalo: 0-0 Marcadores: Nuno Sousa (58) e Tatu (88) Disciplina: Cartão amarelo a Nuno Silva (5), Jorge Duarte (45) Galhano (64), Roberto (77), Hélder Ferreira (89), Paiva (90+2) e Nuno Amaro (90+3); Cartão vermelho a Nuno Amaro, após o final do jogo
Regresso do Leixões ao Estádio do Mar, após longo período sem partidas oficiais na casa dos leixonenses. Pela frente, um Feirense que já se previa demasiado remetido à sua defensiva e a espreitar, amiúde, o contra-ataque. O Leixões tinha de jogar com paciência, inteligência e aproveitar as oportunidades que criasse. Globalmente, a equipa realizou uma boa partida, teve períodos muito interessantes, mas pecou na finalização e depois também se enervou com algumas decisões polémicas do árbitro Hélio Santos. De facto, o juiz de Lisboa foi o pior elemento em campo, ao exagerar na amostragem dos cartões, com maior prejuízo para os leixonenses, e ao deixar impune uma falta dura de Paiva sobre Roberto. Mas já lá vamos.
Apenas ameaças
O primeiro lance de perigo até pertenceu ao Feirense (o único que conseguiu no primeiro tempo) com Cris, num remate enrolado, a obrigar Beto a defender para canto. Aos poucos, o Leixões assumiu as rédeas do jogo e Roberto esteve perto de marcar, mas o remate saiu por cima (11). Na sequência de um canto, Elvis cabeceou, a bola sobrou para Roberto e o avançado rematou novamente por cima. De seguida, Cícero descobre Marco Cadete na área. O ala ainda consegue fazer a recepção, mas o lance é interceptado por Luciano.
O lance capital
Aos 22 minutos, o lance que marca a partida: Hugo Morais lança Roberto, que se escapou muito bem aos centrais, e o avançado, ainda fora da área, é autenticamente “atropelado” por Paiva. Na sequência do lance, a bola sobrou para Marco Cadete que, com a baliza deserta, precipitou-se e rematou para fora. O árbitro terá entendido dar a lei da vantagem e perdoou a sanção disciplinar a Paiva, que devia ter visto o cartão vermelho, face à gravidade da falta. Os ânimos exaltaram-se no Estádio do Mar e, a partir daí, houve tensão até ao final da partida.
Muitos nervos
O Leixões intranquilizou-se. Até final da primeira parte, apenas referência para uma jogada com princípio, meio e fim, a envolver Hugo Morais, Jorge Duarte e Marco Cadete, que antecipou-se aos defesas e cabeceou ligeiramente por cima. Antes do intervalo, outro lance polémico, agora na área do Leixões, com Roberto a queixar-se de uma alegada agressão de um jogador do Feirense.
Contra a corrente
Na segunda parte, o Leixões não entrou tão dinâmico. Vitinha (o melhor do Feirense) ganhou espaço e disparou com perigo (47). Na resposta, Roberto chegou ligeiramente atrasado a um cruzamento de Marco Cadete. Contra a corrente, o Feirense chegou à vantagem. Nuno Amaro perdeu a bola, Cris virou o jogo para Vitinha e este disparou rasteiro e colocado, obrigando Beto a defender o esférico para a frente, zona onde apareceu Nuno Sousa, à matador, a recargar com êxito para o fundo das redes. Estava feito o primeiro golo. No minuto seguinte, Márcio surgiu isolado e só não sentenciou a partida porque foi guloso e optou pelo remate – bola ainda beijou a trave – em vez de assistir Vitinha, que se encontrava em posição privilegiada para facturar.
Reacção lenta
O Leixões não reagiu de imediato. A equipa acusou a desvantagem e perdeu discernimento. Só em situações de bola parada – livres de Cícero e Hugo Morais – conseguia chegar com relativo perigo à baliza de Paiva. Inteligente, o Feirense apostava sempre na velocidade de Vitinha. O extremo efectuou um cruzamento perigoso, com a intenção, de assistir o recém-entrado Gaúcho, mas Beto interceptou o lance. Entretanto, nesta fase, o Feirense explorava o anti-jogo, com alguns jogadores a caírem no relvado, após lances divididos com leixonenses.
Berro de Malafaia
Moita foi o primeiro a entrar, Tatu também já estava nas quatro linhas, mas foi com Malafaia que o Leixões partiu para um final assombroso, um autêntico massacre junto à baliza de Paiva. A equipa ganhou fibra, alma, raça, nervo, vontade e determinação. O Feirense foi remetido a um quarto-escuro e o golo de Tatu foi a consequência natural de tanto domínio. Marco Cadete cruzou, Roberto ganhou na luta com os centrais e a bola sobrou para o brasileiro que, de pé esquerdo, atirou a contar. Antes do empate, Cícero já tinha estado perto do empate em duas ocasiões, primeiro num lance em que Paiva largou a bola após remate forte de Hugo Morais e depois num remate de pé esquerdo a obrigar Paiva à defesa da tarde.
Mais três ocasiões
A entrar no período de descontos, Tatu, após cruzamento de Malafaia, cabeceou à trave. Depois, Amaro cruzou, Cícero amorteceu e Roberto, já em queda, cabeceou ligeiramente ao lado. A fechar o festival de ocasiões, Tatu, quase na pequena área, rematou para a baliza, tendo a bola batido num corpo de um defesa. Malafaia, após canto atrasado, também disparou, tendo o esférico sido travado por um defesa à entrada da área. Havia sempre uma perna ou qualquer coisa a negar o golo aos leixonenses. Mas ficou a atitude e a excelente imagem deixada nos últimos minutos. O empate deixa, pelo menos, o consolo a Vítor Oliveira de continuar sem perder qualquer oficial desde que assumiu o comando técnico do Leixões na recta final da época anterior.
Por:
Arnaldo Martins
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