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Arquivo: Edição de 13-09-2006

SECÇÃO: Desporto


Leixões - Fome de bola deu em vitória
Valeu a pena esperar

Liga de Honra (2ª Jornada)

Jogo no Estádio da Ilha de S. Miguel, nos Açores
Árbitro: Bruno Paixão (AF Setúbal)

Santa Clara, 0 Leixões, 2

Santa Clara: Nuno Santos; Portela (Hugo Henrique, 72), Accioly, Anselmo (Basílio, 81) e Nuno Sociedade; Kall (Vítor Silva, 59), Vinicius e Maurinho; Livramento, Mateus e Júlio César
TR: Paulo Sérgio

Leixões: Beto; Alexandre, Elvis, Nuno Silva e Nuno Amaro; Jorge Duarte (Joel, 75), Hugo Morais e Filipe (Cervantes, 65) e Bruno China; Jorge Gonçalves e Roberto (Cícero, 75)
TR: Vítor Oliveira

Ao intervalo: 0-0
Marcadores: Hugo Morais (55) e Jorge Gonçalves (68)

Disciplina: Cartão amarelo para Júlio César (20), Filipe Gonçalves (34), Jorge Duarte (49), Alexandre (51), Bruno China (60), Elvis (77) e Cícero (84).

É o arranque que o Leixões pretendia na abertura oficial da nova época. Foi um tempo infinito à espera do primeiro jogo e essa demora parece ter provocado aos atletas do Mar uma fome, não só de bola mas de vitórias. Queria Vítor Oliveira reeditar o triunfo da época anterior (3-2) nos primeiros 90 minutos oficiais da nova temporada. A vitória foi tão saborosa como a do ano transacto, mas muito mais tranquila, pelo domínio e desempenho dos atletas leixonenses. A primeira aposta foi ganha pelo treinador e por uma equipa que necessitava urgentemente da competição para mostrar o que realmente vale. A resposta foi dada pelo nos Açores, diante o Santa Clara, com dois golos sem resposta.

Cheios de vontade

Foi uma entrada promissora dos homens do Mar, que no relvado de S. Miguel demonstraram toda a fome de bola acumulada. Com uma estrutura calculista, Vítor Oliveira resolveu apostar em Jorge Duarte para fazer parceria a Filipe e Bruno China no miolo, deixando Hugo Morais na esquerda do ataque. Jorge Gonçalves apoiava o ponta-de-lança Roberto pelo lado direito. Os primeiros minutos foram elucidativos do início positivo dos matosinhenses a conquistarem uma série de pontapés de canto. Filipe deu mesmo o primeiro aviso com um remate potente fora da área que Nuno Santos defendeu para canto. O domínio territorial era dos rubro-brancos, os insulares sempre que se aproximavam da zona atacante encontravam um muro difícil de superar. A defesa forasteira estava intransponível na marcação aos adversários. No entanto, e apesar de maior pendor, o Leixões, na primeira metade não conseguiu materializar a produtividade em golos. Paulo Sérgio, ao ver a sua equipa mais apática, tentou puxar pelos seus pupilos e o Santa Clara pressionou mais alto, tentando equilibrar a contenda. O jogo atingia, assim, os primeiros 45 minutos com um ténue sinal mais para o Leixões.

Hugo Morais abre o activo

Na entrada para a segunda metade apareceu um Santa Clara mais solto na tentativa de mostrar que estava em casam, criando mais perigo para a baliza de Beto. Os sustos foram, contudo, pouco intensivos e o Leixões não se deixou intimidar pelos donos do terreno, respondendo da melhor maneira: com golos! Alexandre, sempre irrequieto pela faixa direita, consegue sacar um cruzamento, onde Roberto ainda toca na bola mas esta sobra para a cabeçada certeira de Hugo Morais. Aí estava o primeiro! Com 10 minutos da segunda parte, o reforço Hugo Morais colocava o seu nome na lista dos marcadores, com o primeiro tento da época. Nada melhor podia pedir Vítor Oliveira, um golo que dava a vantagem fora de portas e tudo para amealhar os primeiros três pontos.

Golaço de Gonçalves

Estava feito o mais difícil. Era preciso agora centrar as atenções para o muro da rectaguarda e continuar com a eficácia defensiva. Com a vantagem no marcador, Vítor Oliveira refresca o sector intermediário, fazendo entrar Cervantes para o lugar de Filipe.
O Santa Clara lá ia esbarrando com um pouco mais de insistência na muralha rubro-branca, mas esqueceram-se de um perigo chamado Alexandre, que, à passagem do minuto 69, ligou novamente os motores, afinou a direcção, e pelo corredor direito tirou cruzamento com a bola a sobrar para Roberto, que assistiu Jorge Gonçalves para o segundo golo da partida! De fora da área, o avançado matosinhense encheu o pé e colocou a bola na gaveta, um golaço. Estava no horizonte mais uma graça do Leixões na ilha de S. Miguel.

Teste à tranquilidade

Com 15 minutos para jogar, Paulo Sérgio arrisca tudo e lança mais um avançado, Hugo Henrique. A resposta de Vítor Oliveira não se fez esperar e o Leixões esgota as substituições. Joel e Cícero entram no relvado para renderem Jorge Duarte e Roberto. Foi um teste à tranquilidade do Leixões, que segurou o elástico dos insulares antes de entrarem em zonas de perigo iminente. Das vezes que a bola surgia mais perto das redes leixonenses, Beto e seus companheiros levavam sempre a melhor.

Terceiro esteve à vista

No corre-corre para a fase final do jogo, o Santa Clara tentava obter um tento que lhe desse alento. Isso permitia aos atletas do continente explorar o contra-golpe. O esforço dos encarnados dos Açores não foi contemplado e as redes de Beto seguiam intactas, beneficiando da consistência de todos os leixonenses. Mas o acto final podia ter sido escrito com o terceiro golo do Leixões e, por duas vezes, o ensaio quase saía perfeito. Na última oportunidade, Cícero, após um contra-ataque bem delineado, falhou o 3-0. Nasceu, nos Açores, uma equipa madura e tranquila, que sabe bem o que quer, fruto de um longo trabalho de preparação de Vítor Oliveira. Foram apenas os primeiros minutos de uma maratona longa, mas uma vitória no terreno de um candidato, logo na estreia, abre (muito) o apetite.

Figura

Hugo Morais: Foi dos últimos reforços a chegar mas cedo ganhou lugar de destaque nas opções de Vítor Oliveira. E o médio ex-Barreirense começa a justificar a aposta. Nos Açores, para além do excelente golo que abriu o activo, trabalhou que se fartou, conferindo consistência à equipa.

Vítor Oliveira satisfeito
“Fomos a melhor equipa”

No final da partida, Vítor Oliveira era, naturalmente, um treinador satisfeito com a exibição e o resultado que a sua equipa alcançou nos Açores. Mas nada mais do que isso. A competição ainda agora começou: “Conquistámos uma boa vitória, que considero justa, trabalhamos bem e fomos a melhor equipa. Defendemos bem e fomos eficazes no processo ofensivo”.
“Há que continuar a trabalhar. Isto está no começo. Foi bom, até porque estivemos muito tempo sem jogar, mas agora há que dar continuidade e pensar já na próxima partida”, finalizou o experiente treinador.

Por: Arnaldo Martins

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Edição de 16-06-2010
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