
Imprimido em
09-02-2010 20:07:40
Jornal Matosinhos Hoje
Edição de 22-09-2004
Versão original em:
http://www.matosinhoshoje.com/index.asp?idEdicao=171&id=9128&idSeccao=1918&Action=noticia
SECÇÃO: Última
Numa tarde sol brilhante, em Subportela, no Minho
Aníbal Belo sorri (de novo) para todos os que dele gostaram
Inaugurado busto da autoria de Laureano Ribatua
Eras (que os outros
me perdoem) o melhor,
O melhor companheiro, o amigo
mais solicito. Contigo
aprendemos a alegria,
o amor às coisas grandes,
a generosa entrega
às nobres causas.
Eras para nós
um irmão. Grande
na amizade. Grande
no coração.
Este lindíssimo poema de Albano Martins faz parte da “Cartografia de Saudade”, editado pela Universidade Fernando Pessoa, em homenagem a Aníbal Belo, o homem exemplar, a palavra amiga, o notário notável que Matosinhos conheceu e perdeu há poucos anos.
Na tarde bonita de sol, o astro que também se quis juntar à homenagem de quem possuía um sorriso e uma face parecida com os raios luminosos, serviu de cenário ao sentimento de saudade e de exaltação que um grupo de amigos de Aníbal Belo decidiu organizar, voltando a que o solo de Subportela, a poucos metros do rio Lima e no coração minhoto que ele tanto amava, voltasse a sentir o caír de algumas lágrimas de seus amigos, junto do seu túmulo, onde Belo está ao colo de sua mãe, como ele tanto desejava. Ali, uns rezaram, outros recordaram e muitos choraram. A voz de seu irmão ouviu-se como se fosse numa tarde de fim de verão numa simples conversa familiar. Só que o Aníbal Belo já não ouvia.
Depois, na que foi sua residência, uma bonita casa ajardinada e arborizada, concebida nos primeiros tempos de Siza Vieira, ainda estudante, no meio do jardim foi descerrado, pela víúva drª. Maria Ângela e seus filhos Marta e João, o busto de Aníbal Belo, num trabalho magnífico do também seu grande amigo e artista Laureano Ribatua. Foi um momento não de saudade, mas de vontade de todos correrem para aquele busto tão perfeito e beijar aquela face amiga que só sabia fazer amigos.
Usou então da palavra o autor da obra, seguindo-lhe o prof. doutor Salvato Trigo que, numa intervenção tocante fez os presentes não se sentirem tão importantes como julgam ser, tão pequeno é o espaço existente entre o antes e depois. O poeta Albano Martins disse uma poesia alusiva ao momento e à saudade. O bispo de Viana do Castelo, D. José Pedreira também exaltou a figura de Aníbal Belo com quem privara, tendo o filho do homenageado, o João, emocionado, lido um seu poema de homenagem a seu pai. A víúva, por fim, naturalmente sem palavras, uma mulher pequenina de alma grande, só soube agradecer com palavras simples, como faria Aníbal Belo.
E, depois, com o sol a despedir-se, tal como Belo desejaria, os amigos conviveram à volta do seu busto. Falaram dele e como se ele estivesse ali no meio, conviveu-se até tarde. O Aníbal Belo ficará para sempre, no meio das suas árvores, do seu jardim, a saudar os amigos e os familiares que ali passarem.
No livro evocativo, que foi distribuido a todos os presentes, colaboraram Salvato Trigo, João Belo, Agostinho de Sousa, Albano Martins, Alberto ª Abreu, Alberto Mesquita, Albino Neiva, Amílcar Rebelo da Silva, António Andrade, António Couto dos Santos, António Fernandes da Fonseca, Armanda Passos, Arménio Belo, Arnaldo Pinho, Carlos Mourão, Henrique Coelho, João Caupers, João Mina, João Pacheco, Joaquim Queirós, Jorge Lino, José Alvarez Contreras, D. José Augusto Pedreira, José Ferraz, José Férrinha, José Mouteira Guerreiro, José Rodrigues, Laureano Ribatua, Luís Belo, Manuel Almeida Santos, Manuel Artur de Carvalho, Marcelo Ribeiro, Maria Luísa Coelho, Marília Brito, Paulo Machado da Silva, Ricardo Jorge Pinto, e Tereza Reis.
Nós, já a noite caía, saímos de Subportela e ao transpor a porta para a rua, olhamos para trás e fixamos o olhar no bronze de Aníbal Belo. Ele sorria.
Por: Joaquim Queirós
© 2003 Matosinhos Hoje -
Produzido por ardina.com, um produto
da Dom Digital.
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.